POLÍTICA-ZIMBÁBUE: Um abraço regional e nacional para o Mugabe

JOHANNESBURGO, 11/04/2007 – Os líderes regionais reafirmaram a solidariedade com o Zimbábue assim frustrando qualquer esperança do Preisdente Robert Mugabe ser responsabilizado pelos abusos dos direitos humanos neste país. Isto foi depois do partido governante a União Africana Nacional de Zimbábue – Frente Patriótica (ZANU-PF) aprovar o Mugabe como o seu candidato presidencial para as eleições de 2008 Um encontro especial das 14 nações de Comunidade da África Austral para o Desenvolvimento (SADC) também chamou para a tirada das sanções contra o Zimbábue.

A União Europeia impôs as sanções contra o país em 2002, e os Estados Unidos em 2003, como resposta ao abuso dos direitos humanos no Zimbábue, e ás eleições parlamentares e presidenciais imperfeitas de 2000 e 2002 respeitivamente. No seu comunicado do dia 28-29 de março, a SADC descreveu a eleição presidencial de 2002 como sendo “livre, justa e democrática”.

Este comunicado também lançou um apelo a Grande Bretanha – a ex colonizadora do Zimbábue – de satisfazer o compromisso que ela fez durante as negocições para a independência de patrocinar a reforma da terra visando rectificar as desigualdades raciais na posse de terra.

O comunicado também deu o Presidente Sul Africano o Thabo Mbeki o mandato de “continuar a facilitar o diálogo” entre o governo zimbabueano e a oposição. O secretário executivo de SADC foi dado a responsabilidade de estudar a situação económica do país.

A política Sul Africana da diplomacia silenciosa para com o seu vizinho do norte já foi muito atacada, com os críticos dizendo que esa abordagem é ineficaz.

Atualmente, o Zimbábue está a lutar com a inflação de cerca de 1,700 porcento, o desemprego e as carências de alimentação e outros bens básicos. Os outros desafios enfrentados pelo país incluem os sinais da depressão económica devido a maladministração governamental, e o programa controversial da redistribuiçao de quintas que pretende dar propriedade aos zimbabueanos pretos sem terra.

O Mugabe responsabiliza as nações ocidentais, acusados de sapar o país da África Austral no que diz respeito ao programa da realocação de terra.

O encontro de SADC também discutiu as consequências das eleições no Lesoto, e a violência na República Democrática do Congo.

Apenas um dia depois dos líderes regionais acabar com as discussões deles em Dar-es-Salaam, Tanzânia,o ZANU-PF decidiu ter eleições presidenciais, parlamentares e municipais em 2008 – aprovando o Mugabe como o candidato presidencial dele. O líder com 83 anos está no poder desde a independência em 1980.

O apoio contínuo do Mugabe pelo ZANU-PF veio apesar de alegações de desencanto no partido com a governança do presidente, que recentemente incluiu a perseguição dos patridários da oposição que resultou na morte de um ativista em março.

Alguns outros partidários foram hospitalizados depois de ser batidos pela polícia. Estes incluem o Morgan Tsvangirai – o líder da façao do Movimento pela Mudança Democrática (MDC) – que foi assaltado quando a polícia interrompeu uma reunião para orar no dia 11 de março.

O Mugabe acusou o MDC de organizar uma campanha de terror para o (Mugabe) tirar do poder e de ser um títere do Ocidente. O partido MDC nega esta acusação. Os relatórios indicam que nove oficiais da oposição foram formalmente acusados em relação a alegada campanha de terror.

Num boletim de imprensa no dia 28 de março, Human Rights Watch uma organização baseada em Nova Iorque, disse que os cidadões zimbabueanos também foram tocados pela última onda de repressão estatal.

As Testemunhas e as vítimas dos subúrbios de alta densidade de Glenview, Highfield e Mufakose em Harare disseram ao Human Rights Watch que durante as últimas semanas a polícia patrulhava estas zonas e violentamente batia á toa nas pessoas nas ruas, nas lojas e nos bares,” disse o documento.

Human Rights Watch tinha pedido a SADC de fortemente falar contra os abusos no Zimbábue e contra “o ambiente geral da repressão dos cidadões dele “. A organização também queria que a região fizesse um apelo para e participar numa comissão independente a investigar os abusos mais recentes pelas forçes de segurança.

Segundo a Ayesha Kajee, uma pesquisadora no Instituto Sul Africano de Relações Internacionais baseado no Johannsburgo que visitou Zimbábue recentemente, muitas vezes as pessoas dependem de parentes vivendo no estrangeiro para a sobrevivência. As dificuldades económicas e políticas causou milhões de zimbabueanos a ir a África do Sul, ao Reino Unido e aos outros países.

“O nível de vida de muitos zimbabueanos caiu muito. Há dois a cinco anos uma família média podia sobreviver de refeições boas. Agora as pessoas dependem de cereais e legumes. Dizem que estão a sobreviver das remessas da Diáspora,” disse ela a IPS.

Más, “Se as pessoas fossem obrigadas a trocar as divisas delas a taxa oficial não poderiam sobreviver. Elas trocam as divisas delas no Mercado paralelo a uma taxa que é 40 vezes mais da da taxa oficial,” acrescentou a Kajee.

Más, não são todos que recebem estas remessas.

No dia 29 do mês passado, o Rashid Khalikov, o chefe de Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) em Nova Iorque, informou o Conselho de Segurança que as colheitas deste ano vão só satisfazer um terço do que o Zimbábue necessita. Isto aumentaria o número de pessoas ameaçadas pela fome que já tinha atinjido mais de 1.4 milhões no ano passado.

As agências da ONU como o Programa Mundial para a Alimentação já estão a intervir no Zimbábue.

A Kajee acrescentou que: “As pessoas ficam nervosas e não podem dizer que estão a depender da assistência alimentar. Más dizem sim que conhecem pessoas que estão a depender da assistência alimentar. Pois querem proteger o orgulho e a dignidade delas.”

Moyiga Nduru

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