Israel: Olmert tem a pior aprovação da história de Israel

Jerusalém, 19/04/2007 – Dois por cento. É o pior índice de aprovação para a gestão de um chefe de governo marcado por uma pesquisa na história de Israel, e é o que conseguiu o primeiro-ministro, Ehud Olmert. A situação é tão desastrosa que ele próprio iniciou um discurso admitindo-a. “Sou um primeiro-ministro impopular. As pesquisas dizem disso. Creio que têm razão. Sou, de fato, um primeiro-ministro impopular”, afirmou. A inesperada apelação de Olmert à sua nação, de coração para coração, foi uma desesperada tentativa de melhorar sua imagem pública e repelir pedidos de renúncia: na mesma oportunidade, afirmou que não pensa em renunciar e que pretende servir ao país “por muito tempo mais”.

Mas se o primeiro-ministro quer sobreviver politicamente precisa de algo mais do que artifícios de retórica. Enfrenta, possivelmente, sua prova mais dura desde que assumiu, há um ano: a comissão que investiga a forma como o governo manejou a guerra do Líbano no ano passado prevê divulgar suas conclusões nas próximas semanas. A ampla maioria dos israelenses acredita que Olmert dirigiu mal a guerra e que sua incapacidade militar para deter o bombardeio com foguetes do partido islâmico libanês Hezbolá derrubou a imagem dissuasiva de Israel não só aos olhos do mundo árabe, mas também de seus aliados, especialmente os Estados Unidos.

O chefe do Estado Maio Conjunto que conduziu a campanha no Líbano, Dan Halutz, renunciou. Está previsto a saída do ministro da Defesa, Amir Peretz, para quando o partido que lidera, o Trabalhista (centro-esquerda), realizar suas eleições internas em maio. Se Peretz perder, deverá deixar o cargo. Olmert serão, então, o único entre os três grandes questionados pelo resultado da guerra a permanecer em seu cargo. O primeiro-ministro também está acossado por uma série de escândalos de corrupção que prejudicaram sua imagem e engoliram suas reservas políticas.

Em um caso, o procurador-geral examina acusações segundo as quais Olmert aceitou subornos em seu período como ministro das Finanças, em 2005, no processo de privatização de um dos principais bancos do país. Segundo a denúncia, o hoje primeiro-ministro ajudou dois empresários estrangeiros com os quais mantinha vínculos a apresentarem sua oferta. Mas esses empresários, finalmente, não ficaram com o banco. O Escritório de Controle do Estado também investiga a compra por parte de Olmert de uma propriedade em Jerusalém por um preço bem menor que o de mercado, e designações que efetuou quando foi ministro da Indústria e Comércio.

Ainda não foram feitas acusações informais, e o governante nega ter cometido qualquer irregularidade. Mas estas investigações e a forma como manejou a guerra se combinaram em um coquetel fatal para Olmert. As operações no Líbano o deixaram sem agenda diplomática. Pouco depois do fim dos combates, abandonou seu plano de retirada unilateral da Cisjordânia, o que consolidou sua imagem de líder sem timão. Olmert avalizou o novo plano da Arábia Saudita para a paz e continua se reunindo com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, com a reunião mais recente acontecendo domingo passado, mas não há avanços no processo de paz.

A iniciativa saudita de paz, relançada em Riyad no mês passado, em uma cúpula da Liga Árabe, propõe a Israel manter vínculos formais com todos os Estados árabes em troca de uma retirada total da Cisjordânia e das Colinas de Golán, da criação de um Estado palestino independente e uma “solução justa” para os refugiados palestinos. Agora, Olmert diz considerar a idéia – à qual inicialmente se opôs – de unir-se a um diálogo patrocinado pelos Estados Unidos com um grupo de trabalho da Liga Árabe que trataria de forjar um amplo acordo de paz.

Porém, Israel se opõe fortemente à volta dos refugiados palestinos ao seu território, e Olmert espera que o país mantenha áreas na Cisjordânia, que incluem grandes blocos de moradias ocupadas por judeus. O primeiro-ministro disse no início desta semana que estava “disposta a dialogar com qualquer grupo de países árabes sobre suas idéias”. Mas nada será suficiente para que evite seus graves obstáculos políticos internos. Mesmo se sobreviver à investigação da guerra contra o Hezbolá e às acusações de corrupção, lhe restará oferecer aos israelenses um futuro diplomático de paz se quer recuperar a opinião pública. (IPS/Envolverde)

Peter Hirschberg

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