NOVA IORQUE, 02/05/2007 – É um dia resplandecente da primavera no distrito financiero de Nova Iorque, enquanto os executivos de fatos e gravata passam depressa, numerosos manifestantes dedicam se a focar a atenção mundial a crise humanitária na região ocidental sudanesa de Darfur. Os ativistas encontraram se defronte da sede de Fidelity, uma das maiores empresas investidores dos Estados Unidos, portando cartazes dizendo “Não investa o nosso dinheiro no genocídio”.
Estavam a distribuir os folhetos nosquais acusavam a empresa de práticas empresariais que contribuem á crise humanitária em Darfur. Esta atividade fez parte da campanha para os “Dias globais para Darfur”, que começou no dia 23 de abril e acabou no dia 30 de abril.
Durante a campanha, os ativistas, os políticos, os músicos e as outras celebridades de todo o mundo realisaram uma variedade de atividades para pôr em relevo a violência contra as comunidades não árabes perpetrada pelo governo do Presidente Omar al-Bashir e a milícia Janjaweed, que é aliada ao governo.
Até agora esta crise tem provocado uma resposta agónicamente lenta pela parte dos líderes mundiais, apesar dela ser responsável para entre 200.000 e 450.000 mortes (principalmente de civiís) desde 2003, quando o conflíto começou.
“O Sudão pode dar se o luxo de desdenhar a toda a comunidade internacional porque está a fazer muito dinheiro com o petróleo que vende a China”, disse a Helga Moor, do Grupo de Vigia de Darfur, enquanto entregava os folhetos aos transeuntes.
“Queremos mostrar ao Sudão que os povos do mundo estão escandalizados, e que não querem investir o dinheiro deles nas empresas que apoiam este regime assassino”, acrescentou ela.
Os ativistas crêem que a Fidelity faz parte destas empresas, sendo o principal acionista individual de PetroChina Company, um subsidiário da estatal Corporação Nacional de Petróleo de China.
A PetroChina possui uma grande acionista no consórcio nacional de petróleo de Sudão e mantem as suas operações neste país. A China comprou mais da metade das exportações do petróleo sudanés em 2005.
Os críticos dizem que os lucros destas vendas permitiram a Khartoum de comprar as armas para manter as suas operaçoes militares em Darfur.
Inspirada pelas campanhas contra o apartheid no início dos anos 80, a iniciativa para o “desinvestimento” de Darfur alcançou alguns éxitos notáveis nos últimos meses.
Em abril deste ano, a companhia aeroespacial británica Rolls-Royce, que fornece as empresas petroleiras de Sudão como motores nos últimos cinco anos, anunciou que se retirava do país por causa da situação dos direitos humanos aí.
A empresa alemã de engenharia Siemens e a companhia suiça de energía ABB Limited tinham anunciado as intenções delas de fazer o mesmo no ano passado.
A campanha dos “Dias Globais para Darfur” foi convocada quando a situação na região se tornou cada vez mais complexa.
No início, a crise foi vista como a resposta governamental aos conflítos dele com dois grupos insurgentes: o Movimento de Justiça e Equidade e o Movimento da Libertação Sudanesa, que resistiam á repressão contra os residentes não árabes de Darfur.
Desde então, o caos em Darfur continua a piorar.
Más a tensão se transformou numa guerra civíl em fevereiro de 2003, quando os guerrilheiros negros responderam com violência á perseguição das milícias árabes Janjaweed.
Os Janjaweed são acusados de realisar uma campanha da limpeza étnica contra as tribus negras na região. Diz se que as milícias árabes têm o apoio de Khartoum.
Falando com o Comité do Senado para as Relações Exteriores em setembro de 2004 depois de uma visita ao Sudão, o então Ministro de Assuntos Exteriores, o Colin Powell declarou que “se cometeu o genocídio” em Darfur e denunciou o que ele descreveu como um padrão “consistente e extenso” de atrocidades contra os civiís aí.
Durante os meses recentes, a luta extendeu se a fronteira do Sudão com o Chade e a República da África Central. Em março de 2007, as forças Janjaweed que atravessaram a fronteira mataram 4 000 pessoas nas aldeias nesta região da fronteirice.
“A situação dos refugiados tem muito piorado”disse o Kenneth Bacon, o presidente de Refugees International (Refugiados Internacionais)—uma organização baseada em Washington que luta para a assistência humanitária e para os desplaçados do mundo, incluindo aqueles em Darfur, que continua a ser muito inseguro. Ainda não temos uma solução política ao problema.”
No fim da semana passada, o Secretário Geral das Nações Unidas o Geral Ban Ki-moon disse que o al-Bashir tinha aceitado que se mande uma missão conjunta da ONU e da União African (AU) para a manutenção da paz na região. Isto foi para fortalecer a missão da AU que já está no país.
Contudo, o governo de al-Bashir também aceitou um plano a fortalecer as forças da ONU em novembro, mas depois atrasou na implementação.
Desde aquela altura, os Estados Unidos e a Grande Bretanha estão a elaborar uma proposta pedindo a introdução das sanções internacionais contra o governo sudanês se este não permite a entrada das tropas da ONU nas suas fronteiras. Estas medidas punitivas incluirão a possibilidade de limitar o acesso ao espaço aerea de Darfur para prevenir os aviões militares de atacarem os cidadões.
Porque a crise foi designada como o genocídio, há muitas leis da ONU que possam abordar a questão.
O Artigo Um da Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio de 1948 declara que os partidos aderentes a convenção devem “comprometer se a prevenir e a punir” o genocídio “ou seja cometida em tempo de guerra ou paz.”
O Artigo Cinco da mesma convenção declara que os signatórios devem “comprometer se a se conduzir, de acordo com as Constituições respeitivas deles, e com a legislação necessária para realisar as provisões da presente Conevenção, e, particularmente, na aplicação das penalidades aos acusados de genocídio.”
Entretanto, os ativistas de Darfur dizem que continuarão com a campanha deles de sensibilizar o mundo sobre o sofrimento aí.
Durante uma missa para fés diferentes na igreja de São Pedro em Nova Iorque, centenas de pessoas reuniram se para escutar aos líderes religiosos cristãos, judeus e musulmanos. Também houve um sobrevivente do haulocausto e um músico bem conhecido de jazz, todos deles exigindo o fim da guerra sangrenta em Darfur.
“Eu acho qué cada um de nós tem a responsabilidade de sensibiilzar o mundo inteiro sobre esta situação,” disse o T.K. Blue, também conhecido por Talib Kibwe, um saxofonista, flautista e compositor de jazz bem conhecido, como preparava a tocar. Ele tocou uma das cançoes bem conhecidas dele, 'Uma lágrima de Lembrança', e dedicou a aos povos de Darfur.
“O que acontece muitas vezes com a crise na África é que o mundo se senta em silêncio e não faz nada,” observou o Kibwe. “Por isso eu acho que é muito importante sensibiizar as pessoas sobre esta situação, e comunicar que temos que fazer alguma coisa agora, porque as pessoas estão a morrer com cada dia que passa.”
O Michael Deibert é o autor de 'Notes from the Last Testament: The Struggle for Haiti'. As opiniões e o jornalismo dele pode ser visto á www.michaeldeibert.blogspot.com.

