ECONOMÍA-QUÊNIA: O Crescimento Só Para os Mais Ricos

NAIROBI, 14/05/2007 – Neste ano de eleições na Quênia, todos os que aspiram a ser reeleitos citarão o crescimento económico estável durante o governo do Presidente Mwai Kibaki. As cifras governamentais indicam que o produto interno bruto aumentou de 0,3 porcento em 2002, quando o Kibaki chegou ao governo, a 5,8 porcento em 2005 e seis porcento no ano passado.

Mas será que isto se traduz nos benefícios para a população em geral? O industrialista Manu Chandaria não se queixa. Este presidente de Mabati Rolling Mills (MRM), que produz as láminas de ferro para os tectos, disse que nos últimos anos as exportações da sua empresa aumentaram substancialmente. “Por isso investimos fortamente nos novos equipamentos e estamos prontos a negociar um outro investimento de 30 milhões de dólares. Si pensassemos que a economia não fosse suficientemente boa, não estaríamos a pensar de um novo investimento”, explicou o Chandaria a IPS.

O executivo do MRM também alega ter contratado muitos mais trabalhadores, mas as cifras sobre a quantidade de postos laborais criados na empresa não foram disponiveis.

O Samuel Ochieng, o presidente da organização não governamental a Rede de Informação do Consumidor, é menos optimista.

“Aqueles que estão a gozar do crescimento económico não são da classe baixa, mas são (os pucos membros) dos estratos mais altos que controlam a economia “, disse ele a IPS. Segundo o relatório “Pulling Apart: Facts and Figures of Inequality in Kenya” (“Separando: Fatos e cifras da desigualdade na Quênia”), o 10 porcento mais rico dos quenianos controla 42 porcento dos rendimentos enquanto que o 10 porcento dos mais pobres controla menos de um porcento dos rendimentos.

Esta publicação foi lançada no ano passado em Nairobi pela Sociedade para o Desenvolvimento Internacional, uma organização global que tem uma variedade de programas sobre o desenvolvimento.

O Havi Murungi, o direitor associado de investigação da firma privada Consumer Insight, está de acordo com o Ochieng.

“Segundo os meus cálculos, o poder aquisitivo (dos consumidores) sempre está muito limitado. Parece que há pouco dinhiro em circulação. Eu creio que mais bens e serviços estão a concurrer para a mesma quantidade de rendimentos domésticos disponiveis “, disse ele a IPS.

“Uma das conclusões principais dos nossos estudos é que agora o tempo de uso dos telefónes celulares consome uma quota significativa dos rendimentos das pessoas. Se estes rendimentos tinham realmente aumentados, as outras compras dos artigos de necessidade primária não baixariam enquanto as do tempo de emissão de comunicações sobem “, explicou ele.

“O fato dos consumidores agora serem muito sensatos aos preços é um indicador do limitado poder aquisitivo”, acrescentou ele.

“Os niveis de pobreza sempre ficam intatos. Falámos com as pessoas nas ruas e dizem que nada mudou nas vidas delas “, observou o Ochieng.

Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2006, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), quase 23 porcento dos 37 milhões de quenianos vivem com menos de um dólar por dia, e 58 porcento con menos de dois.

Pela sua parte, o governo insiste que as coisas vão melhorando. A última sondagem Integrada dos Orçamentos dos Lares da Quênia, difundida em abril, indica que cerca de 46 porcento das pessoas vivem na pobreza, em comparação com 52,3 porcento de há uma década.

Estas cifras baseiam se na porcentagem de pessoas que vivem com menos de 74 centávos de um dólar por dia nas zonas rurais, e com menos de 1,4 dólares por dia nas cidades, segundo uma fonte do Escritório Nacional de Estatísticas da Quênia.

Se se disputa sobre os benefícios do crescimento económico, há menos controvérsia sobre o que é necessário para sustentar este crescimento. O Instituto de Assuntos Económicos, uma organização não governamental que promove o debate sobre a reforma económica, indicou que as necesidades infraestruturais também devem ser atendidas, assim como a insegurança. O própio governo admite que os ataques, os roubos armados e de carros são comuns e isto está a causar muita preocupação na comunidade empresarial. Para além disso há também o problema sempre presente dos subornos.

“A corrupção quase que exige impostos do sector privado, elevando os custos de fazer negócios, o que leva a falta de investimento”, disse o embaixador de Washington em Nairobi, o Michael Ranneberger, num discurso recente perante a Câmara de Comércio Americano na Quênia.

Embora o Kibaki chegou ao poder prometendo erradicar a corrupção, o governo dele foi acusado de suborno muitas vezes, especialmente no escândalo com a Anglo Leasing and Finance Limited. Esta companha fictícia foi dado os contratos para produzir passaportes que não poderiam ser falsificados, e para construir os laboratórios forenses para a policía.

A firma foi paga milhões de dólares que foram foram devolvidos um depois do escândalo ser público em 2004.

Joyce Mulama

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