WASHINGTON, 09/05/2007 – Apesar da Angola ter um registo pobre de direitos humanos, uma lacuna cada vez maior entre os ricos e os pobres, e a fama pela corrupção, um grupo de elites nos Estados Unidos quer que Washington fortalece as relações – incluindo as militares – com Luanda, o segundo maior exportador de petróleo na África. O grupo de 23 membros, o Conselho de Relações Exteriores (CRE), baseado em Nova Iorque e patrocinado pela “comissão independente”, pediu ao governo dos Estados Unidos de pressionar o governo do Presidente José Eduardo dos Santos a ter as eleições livres e justas e implementar as medidas anti corrupção e apoiar os indivíduos que se comprometem a reforma democrática e a boa governança.
Mas no seu relatório de 80 páginas “ Uma Estratégia Para a Angola: Dar Prioridade as Relações E.U. – Angola (Toward an Angola Strategy: Prioritising U.S.-Angola Relations) a comissão disse que “A Reforma prática e o desenvolvimento equitável não pode ser imposto do exterior.” O relatório disse que estes objetivos poderiam ser avançados através dos E.U. e a participação multilateral dirigida pelo ocidente.
“Esta comissão acredita que os interesses estratégicos dos E.U. na energia e na segurança no Golfo de Guiné poderiam ser melhor realisados pelo fortalecimento das relações entre os Estados Unidos e a Angola como parte de uma política geral de energia e de uma abordagem estratégica a África,” concluiu o relatório.
“O progresso de Angola (na implementação) deve accompanhar a construção de uma relação bilateral forte entre os Estados Unidos e a Angola como recomendado pela comissão,” acrescentou o relatório.
The commission was co-chaired by O embaixador reformado o Frank Wisner, que é actualmente o vicepresidente de relações exteriores no American International Group, Inc. (AIG) foi o co-presidente da comissão com o Vincent Mai, o presidente actual do AEA Investors, uma empresa global de ações, e consultor do CRE para a squestões da política africana. Como os dois co-presidentes, a maioria dos membros da comissão veio de empresas do sector privado com os investimentos na África, alguns deles têm a experiência governamental, particularmente no serviço estrangeiro.
A comissão foi convocada por causa de uma preocupação aumentando sobre a energia destinado aos E.U, para o qual a África – e especialmente os países no Golfo de Guiné—é uma fonte cada vez mais importante. Em 2005, as exportações africanas do petróleo—quase todos da África Ocidental – constituiram 18 porcento da consomaçao dos E.U de petróleo. Espera se ver um aumento desta porcentagem a 20 porcento pelo ano 2010 e a 25 porcento pelo ano 2015, segundo as cifras do governo. No ano passado, as importações americanas de petróleo da África ultrapassaram as do Médio Oriente que é cada vez mais tumultuoso.
A Nigeria, o maior produtor africano de petróleo, é actualmente o ‘quinto maior fornecedor aos E.U seguido pela Angola. Em dezembro do ano passado, ela exportou 513,000 barriis por dia aos E.U, 40 porcento mais de 2005. Nos anos recentes a Angola tornou a ser o foco de uma concurrência intensa aumentando para os recursos de petróleo entre os E.U e a China. No ano passado, a Angola ultrapassou a Arábia Saudita a ser o maior fornecedor estrangeiro de petróleo a China. A China deu não só alguns bilhões de dólares na forma da ajuda económica e de crédito de investimentos, concentrados primariamente nos projetos infraestruturais. Também iniciou as relações económicas baseadas principalmente nas exportações angolanas de petróleo e diamantes.No ano passado o comércio bilateral atinjiu cinco bilhões de dólares, tornando a Angola na segunda maior parceira comercial africana da China. A ajuda e o investimento do Beijing, assim como o preço alto do petróleo e as exportações aumentadas, contribuiram a um crescimento económico sem precedentes em Angola. A economia angolana cresceu 14.3 porcento no ano passado e crescrerá por 31.4 porcento em 2007, segundo o Fundo Monetário Internacional.
Apesar destas cifras, um pouco desta riqueza chega a grande maioria da população angolana de 13 milhões de pessoas. A Angola é número 161 dos 177 países na classificação do Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. (PNUD). A pobreza do país é devido principalmente a herança da guerra civil brutal de 27 anos entre o governo do MPLA e o movimento rebelde de UNITA, que foi patrocinado em segredo pela África do Sul e pela China até 1992. A Angola viveu a paz apenas 10 anos mais tarde depois da morte do líder do UNITA o Jonas Savimbi.Isto foi a primeira vez que o país experimentou a paz desde a sua independência de Portugal em 1975.
Para além da destrução causada pela guerra — 1.5 milhões de pessoas morreram – a corrupção persistente contribuiu a pobreza em todo o país. No Índice das Percepções de Corrupção da Transparência Internacional a Angola está posicionada a número 142 de 163 países. Esta má fama “assusta e desencoraja muitos investidores,” disse o relatório.
A combinação da pobreza em toda a parte e a corrupção, e a lacuna crescente entre os ricos e as pobres, e as expectativas cada vez maiores criadas pela grande taxa de crescimento económico, constiui uma ameaça grave a estabilidade nacional.
“A Angola está no momento de tomar as decisões chaves,” disse o relatório afirmando que “Poucos países importam mais aos Estados Unidos de que a Angola. O sucesso ou o fracasso desta na sua transição de quase 30 anos de guerra para a paz e a democracia tem implicações para a estabilidade do fornecimento de petróleo aos E.U.. Também tem implicações para a estabilidade da África Central e Austral.”
Para melhor facilitar esta transição, e para promover os interesses dos E.U em Angola Washington deve elevar a importância que dá a suas relações com Luanda. Estas relações devem ter a importância “igual á que tem com os principais estados africanos,” incluindo a África do Sul, e Etiópia e a Nigeria.
Idealmente, Washington deveria estabelecer uma comissão bilateral para assegurar as discussões regulares, ao menos ao nível do subsecretário do estado, para assegurar a participação total da Angola na Iniciativa para a Transparência na Indústria Extrativa, e assim simplificar o investimento estrangeiro. Estas discussões também serviriam a promover os interesses de Washington nas reformas, particularmente durante as eleições democráticas programadas para o início do próximo ano. Washington também deve encorajar a troca de experiências entre os dois países e ajudar particularmente na formação e na educação. Este é um dos aspectos nos quais Washington tem uma “avantagem comparativa” sobre a China. No que diz respeito a segurança, Washington é encorajado a alargar os programs da formação militar e da polícia, e de aumentar a sua participação nas atividades das forças armadas angolanas. Isto pode ser feito através do novo Comando da África no Pentagóno, para o qual o Golfo de Guiné é uma grande prioridade.
O relatório da comissão enfatizou que a presença da China em Angola deve ser vista como mutuamente beneficial. Washington deve “comunicar com a China sobre os interesses mútuos na África”. A comissão também aponta que “está a contribuir ao desenvolvimento de Angola através da construção e da reconstrução de estradas, hospitais, escolas e sistemas de saneamento no país.”
Segundo o relatório, a “China pode não ser o mais forte proponente da democracia na África…mas a boa governança, a estabilidade e o crescimento equitável são tão importantes para os interesses da China como para os dos E.U.” Ao mesmo tempo, Washington deve advogar para uma maior transparência nas actividades chinesas em Angola, disse o relatório.
O relatório foi emitido dois dias antes do “Dia de Angola” (9 de maio), uma grande conferência para comemorar “Cinco Anos de Paz”, co-patrocinada pelo Centro Woodrow Wilson, a Embaixada Angolana, a Agência dos Estados Unidos do Desenvolvimento Internacional (USAID), e a Câmara de Comércio dos E.U e da Angola. O vice Primeiro Ministro Angolano o Aguinaldo Jaime também participará nas comemorações.

