Tóquio, 29/05/2007 – Há quase 30 anos, a mãe de Manami Sato foi contratada por uma grande empresa, junto com outras mulheres. O trabalho era servir o chá e copiar arquivos para os homens que ocupavam os postos de gerência. Essa era a norma naquele tempo. Mas agora, a situação mudou. Sato, de 26 anos, que se formou na famosa e privada Universidade de Aoyama e aprofundou seus estudos de negócios internacionais durante dois anos nos Estados Unidos, não está disposta a seguir os passos de sua mãe. “Acabo de ser promovida a gerente-assistente. Procuro continuar trabalhando duramente em minha companhia até estar pronta para passar para algo maior”, disse Sato, que é funcionária de uma empresa internacional de finanças.
Segundo especialistas em relações do trabalho, Sato representa a nova geração de mulheres japonesas educadas, que trabalham, são ambiciosas, estão voltadas às suas carreiras e possuem aspirações mais elevadas do que suas mães em um mercado profissional dominado por homens. “As mudanças que notamos hoje nos modelos de emprego feminino representam acontecimentos importantes no Japão, e aconteceram em um breve período. Não é um exagero dizer que as japonesas são trabalhadoras e ambiciosas”, disse Makoto Hosoda, dirtora da Hello Work, um escritório de recursos humanos em Tóquio que conta com apoio do governo.
Sustentada pela forte economia japonesa, a proporção de emprego para graduadas universitários chegou a valores historicamente altos: 96,6% para os homens e 96% para as mulheres, representando um total d 357 mil novos empregados, segundo o Ministério de Saúde, Bem-Estar e Trabalho. “As desigualdades de gênero no mundo profissional japonês diminuíram significativamente para os graduados universitários, e isso permanecerá assim. Hoje também vemos homens e mulheres prontos para terem carreiras extensas e que preferem trabalhar em empresas que possam lhes dar estas oportunidades”, afirmou Takashi Nagata, especialista do Instituto de Pesquisas Daiwa.
Segundo Nagata, autor de um informe sobre mulheres graduadas, há mais destas que saem do setor administrativo, como era a tradição, para assumir trabalhos mais desafiantes nos bancos, tecnologias da informação e medicina. Além disso, trabalham durante horários extensos, junto com seus colegas homens, e passam seu tempo livre melhorando suas habilidades profissionais para ter melhores oportunidades de progredir na empresa. Novas dados apontam para a melhoria da situação para as trabalhadoras japonesas. Por exemplo, número do Ministério do Trabalho mostram que as mulheres, que até há ter anos eram apenas 3% a 4% das posições de alta gerencia, agora representam entre 4% e 10%.
Na frente salarial também há melhores sinais. Informes do ministério indicam que a desigualdade de gênero nessa matéria está sendo superada, ao passar de 62,8% para 66% em 2006. Isto representa uma espécie de revolução em um Japão onde fortes diferenças de salários e cargos alguma vez foram muito aceitas. “Atualmente, com o envelhecimento do mercado de trabalho, as companhias não fazem tanta diferença de gênero. Inclusive, as mulheres são mais procuradas pelas gerencias do que antes”, disse Makiko Ogata, da Recruit Company, uma importante agência de emprego.
Ogata apontou vários fatores novos, com a “população encanecida” que, se espera, levará a uma forte queda da força de trabalho nacional. Conhecido no Japão como “Big Bang”, espera-se que para 2025 o fenômeno conte com 600 milhões a menos de empregados do que em 1998. Ogata também disse que um novo informe da Comissão Econômica e Social da Organização das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, apresentado este mês, mostra como a discriminação de gênero nessa região pode gerar perdas de US$ 80 bilhões.
“As tendências nacionais e internacionais que influem no diversificado mercado trabalhista japonês contribuíram com uma maior desigualdade de gênero aqui”, disse Ogata à IPS. Mas os especialistas também assinalam que há contextos trabalhistas mais duros para as mulheres que acompanham a mudança. O informe de Nagata mostra que as mulheres japonesas continuam sendo as que mais carregam as responsabilidades familiares, o que restringe suas chances de assumir postos que exijam viajar. “As companhias do Japão ainda não se adaptaram adequadamente a mulheres voltadas para suas carreiras, estabelecendo agendas flexíveis para elas ou aprovando regulamentos que pressionem os homens a tirarem licença paternidade”, explicou à IPS. (IPS/Envolverde)

