Madri, 29/05/2007 – As eleições realizadas domingo na Espanha não introduziram grandes mudanças nos governos regionais e municipais, mas, transmitiram ao governante Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) uma mensagem de alerta para as próximas eleições gerais. Estas acontecerão no mais tardar em março de 2008, mas podem ser adiantadas por decisão do governo, que domingo não sofreu o que se poderia chamar de derrota, mas uma queda em seus votos, segundo as pesquisas e a apuração de 99% dos votos, que indicam um virtual empate entre o PSOE e o direitista Partido Popular (PP). O Ministério do Interior informou, faltando apurar 6% dos votos, que o PP obteve 35,64% e o PSOE 34,9%. Nas eleições de 2003 os socialistas tiraram uma vantagem de 0,54%.
Os resultados finais serão conhecidos após serem contabilizados os votos dados por correio, desde a Espanha e o exterior, no final da próxima semana. Em Madri, um ponto de referência para as eleições gerais, o PP ganhou posições e a reeleição do prefeito e da presidente da Comunidade Autônoma, Esperanza Aguirre. O atual prefeito e figura em ascensão do PP, Alberto Ruiz Gallardón, conseguiu 15% de votos a mais do que o socialista Miguel Sebastián, quando na eleição anterior a diferença foi de apenas 5% entre os dois partidos.
A relevância dos resultados em Madri se deve ao fato de o primeiro-ministro e líder do PSOE, José Luis Rodríguz Zapatero, indicou o candidato de seu partido para o município, Miguel Sebastián, pulando a tradição da designação em assembléias partidárias. Sebastián, que nunca foi filiado do PSOE, é conhecido como homem de confiança e principal assessor econômico de Zapatero e foi chefe do escritório econômico do primeiro-ministro até que renunciou para se candidatar. Essa imposição foi criticada por destacadas figuras do PSOE – como o ex-presidente da Comunidade de Madri e atual deputado Joaquín Leguina – que falaram de falta de democracia.
As dissidências dentro do PSOE e em especial as críticas ao primeiro-ministro por não apelar às bases se devem inscrever com os “resultados” destas eleições e seguramente serão tema de debate nas próximas semanas. Alguns socialistas reclamam de Zapatero que concentre mais atenção no dia a dia dos cidadãos e incentive sua participação. Por outro lado, o PSOE ganharia vários espaços de governo por acordos com partidos minoritários, embora as duas forças principais mantenham, em geral, suas posições nas grandes cidades e comunidades autônomas onde houve eleição, em 13 das 17 que integram a Espanha.
Uma novidade de destaque é o aumento dos votos nacionalistas na Comunidade Autônoma de Navarra, onde governa o PP, que poderia ser desbancado por um acordo entre PSOE e Nafarroa-Bai (N-Bai), o novo partido nacionalista, que de oito deputados passaria a ter entre 14 e 16.
Outra possível mudança se daria nas ilhas Baleares, onde haveria um empate entre o governante PP e o PSOE, o que daria a este último a possibilidade de fazer um acordo com a coalizão Esquerda Unida e obter a presidência dessa comunidade. Além de Madri, o PP continuaria governando nas comunidades de Valência, Murcia, Castilla e Leon e La Rioja. O PSOE manteria o governo em Extramadura, Castilla-La Mancha, Astúrias e Aragon e poderia – aliado com o partido regional – continuar governando em Cantabria, embora ali o mais votado tenha sido o PP.
Esquerda Unida, cuja força mais importante é o Partido Comunista, é o terceiro partido mais votado, com 5,5% dos votos, pouco mais de meio ponto percentual do que em 2003. A participação dos eleitores caiu 3% em relação a 2003, com um índice de comparecimento de 63,82%. (IPS/Envolverde)

