FINANZAS-ÁFRICA:: Telefones celulares revolucionam o setor bancário

BRUXELAS, 05/06/2007 – Os serviços bancários prestados através do telefone celular vão aumentando da África do Sul até a Quênia, posibilitando como nunca antes que os pobres tenham o contrôle direito das finanças deles. Na África, o negócio bancário tradicional não é uma opção viável para muitos dos pobres e para os que vivem nas zonas rurais.

As propinas altas e educação e a alfabetização baixa, assim como a grande distância entre as zonas remotas e os sucursais bancários impedem tudo até as transações mais símples.

Segundo o Grupo Consultivo para Assistir os Pobres (CGAP), cerca de 80 porcento dos que vivem nos países menos desenvolvidos –segundo a Organização das Nações Unidas (ONU)– não têm acesso aos serviços bancários.

Mas as tecnologias como o telefone celular também contribuem a superar estes impedimentos. Apenas um bilhão dos 6.5 bilhões dos habitantes do mundo possui as contas bancarias, segundo o CGAP. Ao contrário, 3 bilhões têm um telefone celular.

O CGAP calcula que estas novas tecnologias abrirão a porta a mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo que hoje não têm acesso aos serviços bancários.

Em fevereiro deste ano, o CGAP assinou um acordo de 26 milhões de dólares americanos com a Fundação Bill e Melinda Gates para um projeto para ver quais os melhores usos da tecnologia para prestar os serviços bancários aos pobres de todo o mundo.

Assim, seria possível “para toda a pessoa em qualquer lugar, em qualquer momento, ter o acesso a todo o tipo de serviço finançeiro”, disse a Elizabeth Littlefield, a presidenta do CGAP.

“Os pobres estão muito dispostos a usar os telefones celulares para mobilizar o dinheiro deles. Nos lugares como o Congo, usa se os telefones móveies para transferir o dinheiro dentro do país, esquivando o sistema bancário e os meios mais tradicionais de transferir o dinheiro “, explicou ela.

Segundo o Gautam Ivatury um experto nas microfinanças e gerente do programa da tecnologia do CGAP, apenas na República Democrática do Congo há uns três milhões telefones celulares e só 20.000 contas económicas e correntes, mostrando o potencial enorme para o uso de telefones celulares para o negócio bancário.

O engarrafamento na prestação dos serviços microfinanceiros tais como as contas económicas, transferrências de dinheiro, e empréstimos aos pobres tem sido o custo de “fazer muitas transações pequenas” usando práticas tradicionais, particularmente nas zonas rurais.

“O essencial é que não há nenhuma maneira de satisfazer todos os serviços financeiros sem usar a tecnologia, porque sempre será demasiado caro fazê-lo com os agentes humanos”, disse a Littlefield.

No início deste ano, Safaricom, o maior fornecedor de serviços celulares na Quênia, junto ao grupo Vodafone, lançou o M-PESA, um sistema que oferece os subescrevedores a capacidade de depositar, transferir e levantar dinheiro usando os telefones celulares pessoais.

Através dos agentes de Safaricom, os vendedores locais dos telefones celulares tornaram se nos bancos virtuais.

“O serviço M-PESA da transferência de dinheiro é um exemplo da Quênia ser líder no avanço da tecnologia celular e o dos beneficiários dele. Nós cremos que os consumidores quenianos, as empresas do setor financeiro e dos telefones moveis têm muito a ganhar “, disse o Michael Joseph, o presidente de Safaricom.

O serviço de M-PESA foi originalmente criado como um como um projeto piloto financiado em conjunto com en conjunto pelo grupo Vodafone e o Fundo para o Desafio do Aprofundamento Financeiro, do Departamento para o Desenvolvimento Internacional da Grande Bretanha.

O programa piloto foi realisado em associação com a Faulu Kenya, uma instituição local de microfinanças.

Na África do Sul, a empresa Wizzit, pioneira no uso de telefones celulares no negócio bancário, foi lançada em 2005 e teve muito sucesso com as pessoas nas zonas rurais do país.

Segundo o presidente de Wizzit, o Charles Rowlinson, “para muitas pessoas na África do Sul, o dinheiro na mão é a única maneira de transação”.

Com Wizzit, que dá a todos os clientes dele as cartões-de-débito da marca Maestro, “agora as pessoas podem transferir dinheiro instantâneamente, usando os telefones celulares deles e fazendo as compras com as cartões que têm”, indicou ele. Wizzit tem mais de 100.000 usadores ativos desde a sua criação há menos de três anos, e emprega adultos jovens que estavam desempregados, chamados os “Wizz Kids” (“crianças prodigiosos”) que recrutam e capacitam os usadores potenciais do sistema nas zonas rurais.

Para a pequena cidade sulafricana de Waterpoort, o sucursal bancário mais perto fica a 100 quilómetros dela.

Muitos dos habitantes dela são trabalhadores emigrantes do Zimbábue, que são pagos com dinheiro a mão e muitas vezes eles perdem este dinheiro ou sejam nos subornos ou quando os roubam ao atravessar a fronteira para visitar as familias deles.

Wizzit entrou Waterpoort e abriu as contas para os trabalhadores emigrantes, que agora podem comprar as mercadorias ou transferir o dinheiro de modo seguro através dos seus telefones celulares as familias no Zimbábue.

O Ivatury, de CGAP, disse que o negócio bancário que usa o telefone celular e as outras tecnologias similares tem um grande potencial para oferecer os seus serviços aos pobres da África, e enfatizou a necessidade de educar os clientes e de aumentar a busca de soluções praticáveis.

“Melhorar os serviços financeiros para os pobres significa assegurar que os clientes escolhem de modo informado e usam os produtos que são bons para eles. As pesquisas de mercado e os programas de alfabetização financeira são essenciais”, disse o Ivatury.

Briana Sapp

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