P&R:: “Muitas vezes, as pessoas não podem evitar arriscar os recursos dosquais dependem”

COTONOU, 13/06/2007 – Com as comemorações para o Dia Mundial de Combater a Desertificação já programadas para o dia 17 de junho, faz se grandes esforços para destacar não só as possiveis ameaças da degradação da terra na maior parte da África, mas também as iniciativas contra a desertificação. Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrário das Nações Unidas (IFAD), uma agência da ONU, está a liderar este combate contra a desertificação e já iniciou muitos projetos na África e nas outras partes do mundo. Ao nivel global, a desertificação está a ameaçar a vida de mais de 1.2 bilhões de pessoas em 110 países.

A Farhana Haque-Rahman, o responsável para as relações com a Média, falou com o Michee Boko da IPS sobre a preocupação da IFAD com a degradação da terra.

IPS: Porquê é que a IFAD está a combater a desertificação?

Farhana Haque-Rahman (FH): A IFAD trabalha nas zonas rurais, ajudando aos pobres a superar a pobreza. A questão da degradação da terra faz parte integrante do trabalho da IFAD que reconhece a ligação entre a pobreza rural e o ambiente. A degradação da terra termina numa maior concurrência para os recursos que são cada vez mais poucas, sobre os quais as comunidades rurais dependem para a sobrevivência.

IPS:Quais foram as experiências de IFAD até agora?

FH: Através dos nossos projetos, vimos que quando as comunidades adotam as estratégias para aumentar a produtividade dos terrenos e asseguram o acesso equitável aos servicos agrícolos, á tecnologia e ao financiamento rural entre os homens e as mulheres, os benefícios são sustentaveis e bons para toda a gente.

Normalmente, as zonas áridas e semi-áridas são remotas e muito pobres. As pessoas que vivem nelas têm pouco acesso á tecnologia e a informação, ou aos mercados e a infraestrutura básica. Muitas vezes, estas pessoas não podem evitar arriscar os recursos naturais dosquais dependem, e não têm a opção de fontes alternativas de rendimento e comida.

IPS: Quais são os projetos que a IFAD está a realisar atualmente?

FH: Cerca de 70 porcento dos projetos da IFAD para a redução da pobreza rural são localizados nas zonas com ambientes ecológicamente frágeis e marginais. As nossas operações nestas zonas promovem as abordagens inovativas que ajudam os agricultores a quebrar o ciclo de pobreza que lhes obrigam a degradar os recursos naturais para satisfazer as necessidades imediatas deles.

Para além destes projetos e programas, IFAD é o hóspede de Global Mechanism, que mobiliza os fundos e recursos para implementar a Convenção das Nações Unidas para o Combate a Desertificação (UNCCD) A IFAD também é a agência implementedora de Global Environment Facility (a Facilidade Global para o Ambiente) que dá subvenções para a promoção de programas ambientais que sustentam a vida nas comunidades locais nos países em vias de desenvolvimento. Ainda por cima a IFAD serve como o hospede da Coalição Internacional para a Terra, que se dedica a melhorar o acesso dos pobres das zonas rurais a terra e aos recursos naturais.

IPS: Aproximadamente quanto dinheiro é que a IFAD está atualmente a investir no combate da desertificação na África?

FH: Entre 1999 e 2005, a IFAD deu um total de cerca de dois bilhões de dólares em empréstimos e subvenções para os programas e projetos pertinentes, 46.8 porcento dosquais foram dedicados aos objetivos da UNCCD.

IPS: Quais são as iniciativas africanas que tiveram muito êxito – e porquê?

FH:Um projeto que teve muito sucesso na África foi o projeto para o desenvolvimento rural do Norte do Sudão que durou sete anos. A cultura com a irrigação está limitada as províncias de Um Ruwaba e Bara no ocidente do Sudão, que foram golpeadas por uma série de secas nos anos 1980s e 1990s. A entrada de pessoas desplaçadas do sul aumentou a pressão sob os recursos já frageis, e a vida das pessoas está muito tocada.

Este projeto encoraja nos muito porque os agricultores já mostraram uma aumento na produtividade apesar do projeto emfrentar dificuldades causadas pelas inconcistências no processo da descentralisação. IFAD financiou o projeto com um empréstimo de 10.5 milhões de dólares.

IPS: E no futuro?

FH: Atualmente a IFAD tem planos para abordar a desertificação em, Eritrea, Haiti, Siria e Djibouti. Em Niger, teremos a Iniciativa para o Desenvolvimento da Reabilitação Rural, em Eritrea, o Programa Pôs- Crise para o Desenvolvimento de Gado, em Haiti, O Projeto para o Desenvolvimento da Irrigação a Pequena Escala; na Síria teremos o Projeto do Desenvolvimento Rural da Região Nordestina e, em Djibouti haverá o Programme da Mobilização Florestal para o Desenvolvimento Agro-Pastoral.

Correspondentes da IPS

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