NIAMEY, 12/06/2007 – Antes do fim deste ano, a Salamatou Traoré – uma traballhadora sanitária na Nigéria, receberá um prémio de cinco mil dólares do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) para reconhecer os esforços dela a ajudar as mulheres sofrendo de fistulas. A fistula é uma condição que resulta de uma variedade de fatores devido ao fato da pelve da mulher ser pequena de mais para o parto normal. Isto causa a obstrução durante o parto que na sua vez, dana o canal de parto causando a incontinência. São as mulheres jovens e pobres que não têm o dinheiro para a operação cesárea para prevenir a fistulas, que sofrem desta condição. Muitas vezes estas mulheres ficam ostracizadas pela sociedade.
A Traoré que é uma enfermeira e parteira, lidera a Dimol, uma organização não governamental (ONG) baseada no capital Niamey, que ajuda as mulheres recuperando de fistulas. Dimol significa “dignidade” em Peul, uma das línguas de Niger e dos outros países da África Ocidental. Ousseini Issa da IPS foi ter com a Traoré para saber mais sobre os esforços dela a lidar com fistulas.
IPS: Porqué é que foi trabalhadora sanitária?
Salamatou Traoré (ST): A minha orientação para a minha profissão veio da minha família…O meu pai trabalhava no sector sanitário, e eu via e admirava a maneira em que trablhava. Eu apreciei o papel que desempenhava na nossa família e na sociedade. Eu seguia todo o que ele fez com muito interesse, e foi isto que me motivou a ser uma trabalhadora sanitária…
IPS: O que contribuiu ao estabelecimento ao Dimol?
ST: Eu fui parte do Coniprat ( o Comité de Niger para Combater as Práticas Nefastas a Saúde da Mulher), que foi criado como uma associação em 1978 antes de ser uma ONG, daqual eu fui presidenta. Foi naquela altura que desenvolvi a ideia de lidar com a fistulas nas nossas actividades. Infelizmente, esta ideia não foi aceitada pelos meus colegas. E eu pensei então, porquê não criar uma ONG que se foca na dignidade da mulher? Por isso eu decidi renunciar a minha presidência, ( mas continei a ser membro de Coniprat) para submeter a minha ideia ás outras pessoas que a podiam adotar. Foi assim mesmo que Dimol foi criado.
IPS: Como é que se consegue equilibrar a sua vida professional com a familial?
ST: Tudo depende das pessoas na tua vida… Eu sou um pouco teimosa…Mas graças a Deus, eu tenho uma família e colegas professionais que me percebem e totalmente querem me ajudar.
IPS: O que vai fazer com o dinheiro que será dada?
ST: Este prémio reconhece os esforços de todas ad pessoas que trabalham comigo. Ajudará nos a continuar a sensibilizar os grupos vulneráveis sobre fistulas e assim liderar a luta para os direitos e a dignidade da mulher. Usaremos o dinheiro para produzir os T-shirts, cartázes e outras coisas que facilitarão a sensibilização e darão mais visibilidade ao abuso dos direitos humanos em geral, e da mulher em particular.

