GENEBRA, 11/07/2007 – Apenas 30 porcento dos moçambicanos acham que a qualidade de vida deles melhorou desde 2000, enquanto que 42 porcento acham que a vida deles está na mesma. Isto surgiu num estudo feito pelo Consórcio de Sondagens das Organizações Não Governamentais, um grupo de ONGs que decidiram investigar quais as opiniões do público sobre o desenvovimento segundo os Objetivos do Desenvolvimento do Milénio (MDGs) que foram estabelecidos no ano 2000.
As ONGs incluem o Grupo Moçambicano da Dívida e G20, uma aliança de 20 organisações combatendo a pobreza. Estas foram apoiadas pelo Instituto Norte-Sul, um orgão baseado na Canadá que faz pesquisas sobre o desenvolvimento.
Em outubro de 2006, um grupo de pesquisadores entrevistaram os chefes de 6,750 casas nas zonas rurais e urbanas de Mocaambique, procurando saber as mudanças na vida destes entre o ano 2000 e 2005. As entrevistas buscavam avaliar o progresso feito na realisação dos MDGs.
Aqueles moçambicanos que disseram que a vida tinha melhorado atribuiram a mudança a um meio agrícolo conducente. Os que disseram que a vida não tinha mudado atribuiram isto ao desemprego.13 porcento dos entrevistados disseram que o governo moçambicano deveria fazer o maior esforço para melhorar a vida dos seus cidadadãos.
“As pessoas acham que o governo dá mais importância ao comércio de que a vida das pessoas. Pois o governo tem feito muito para o comércio,” disse o Fernando Menete, o secretário do Grupo Moçambicano da Dívida (GMD). Os que foram entrevistados queriam muita coisa incluindo a melhor assistêncial social, a educação e mais hospitais.
O Menete apresentou as conclusões da sondagem ao Foro Geral da Sociedade Civil, um encontro internacional de três dias, que se realisa em Genebre, na Suiça sob os auspícious da Conferência de Organizações Não-Governamentais com Relacionamento Consultivo com as Nações Unidas (CONGO) e a Campanha do Milénio das Nações Unidas. A reunião acabou no dia 30 de junho.
A pergunta sobre a qualidade de vida na sondagem trata do primeiro Objetivo de Desenvolvimento que tem que haver com eradicação da pobreza e da fome.
No que diz respeito ao segundo Objetivo de Desenvolvimento sobre a educação primária, os entrevistados disseram que a situação tinha piorado, apesar das estatísticas indicando uma maior matriculação na escola prmária, disse o Menete.
O problema da falta d educação primária foi particularmente aguda nas zonas rurais. “As pessoas nas zonas rurais têm niveis baixos da educação. Elas abandonam a escola porque acham que conseguirão um emprego sem a escola. Não percebem que podem conseguir um melhor emprego se acabam a escola,” explicou ele.
A situação foi cada vez pior quando se tratava do terceiro Objetivo do Desenvolvimento, que tem que haver com a equidade de géneros e a capacitação da mulher. Os entrevistados disseram que não tinham visto nenhuma mudança na vida deles no que diz respeito as relações de poder entre o homem e a mulher, ambas nas zonas rurais e nas urbanas.
Estas opiniões corresponderam com os dados de uma investigação que mostrou que os moçambicanos sempre têm mais oportunidades de que as moçambicanas. Para além disso, as mulheres ficam muito ocupadas com a agricultura ou a maternidade. Um dos problemas penetrantes é a da gravidez das raparigas adolescentes. Estes fatores dificultam a realisação do terceiro objetivo.
A situação foi melhor no que diz respeito a mortalidade infantil devido aos avanços feitos nos serviços das vacinações. Contudo, reparou se que haja uma grande disparidade entre as regiões rurais e as urbanas, onde as pessoas ainda devem cobrir as grandes distâncias para ter o acesso aos serviços sanitários. Muitas pessoas continuem a ir aos curandeiros, disse o Menete.
Os entrevistados na sondagem disseram que não houve nenhuma mudança no que diz respeito ao quinto objetivo sobre a saúde materna. Mais uma vez, a situação foi pior nas zonas rurais, por causa da inacessibilidade dos serviços sanitários. Segundo o Menete, são remotas as possibilidades de reduzir a mortalidade materna de três quartos pelo ano 2015.
No combate contra o VIH/sida e o paludismo, Mocambique avançou muito. Mas, apesar da disponibilização de mais informação sobre o VIH/sida, o comportamento das pessoas não mudou. No que diz respeito ao paludismo, a sondagem sublinhou o problema do acesso ao tratamento e aos métodos de prevenção.
No que diz respeito ao sétimo objetivo, sobre a sustentabilidade ambiental, os entrevistados indicaram que houve um melhoramento no saneamento. Mas ficaram preocupados com a mudança climática e as implicações desta.
Segndo o John Foster, o pesquisador principal do Instituto Norte-Sul sobre o desenvolvimento e a governança global, os outros países (Zâmbia, Tanzânia, Nigéria e Sierra Leão) querem replicar esta sondagem. Esta ideia será analisada, mas os custos altos da sondagem limitam muito. Por isso, pode ser que se fará os estudos menores nestes países.
Numa sessão avaliando o progresso na realisação dos MDGs, uma oradora sudanesa disse que o copo não está nem meio vázio nem meio cheio, de fato, nem está 10 porcento cheio. Neste ponto da avaliação meio termo da realisação dos MDG pelo ano 2015, a pobreza tem aumentado no Sudão occidental e austral, disse ela. As mães não podem mandar as crianças a escola porque não têm 20 dólares por ano para pagar as propinas.

