América Latina: Igreja Católica renova opção pelos pobres
Patrícia Grogg
Havana, (IPS) – A Igreja Católica pretende trabalhar nos próximos quatro anos em projetos concretos para ajudar a superar a superar a pobreza na América Latina, onde as disparidades de renda são as maiores do planeta.
“A opção pelos pobres é um dos desafios que temos na região”, disse à IPS dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo da cidade de Aparecida e novo presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). “Cabe, sobretudo, aos laicos cristão unirem-se para superar as estruturas de injustiça em nossos países, para que possamos ter condições de vida melhores para todos”, acrescentou o dom Damasceno ao fim da primeira Assembléia Geral do Celam, realizada em Cuba.
Os últimos dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) indicam que nesta região permanecem em situação de pobreza 205 milhões de pessoas, enquanto os indigentes somam 79 milhões. Coincidindo com esta assembléia, que reuniu em Havana cerca de 50 bispos de toda a área, o papa Bento 16 autorizou a divulgação do documento de Aparecida, na qual os prelados exortam cada igreja local a fortalecerem as Pastorais Sociais para que se façam presentes “nas novas realidades de exclusão e marginalização em que vivem os grupos mais vulneráveis”.
DESENVOLVIMENTO -MOÇAMBIQUE:: Avaliação meio termo dos Objetivos do Milénio dá conclusões mixtas
Christi van der Westhuizen
GENEBRA, (IPS) – Apenas 30 porcento dos moçambicanos acham que a qualidade de vida deles melhorou desde 2000, enquanto que 42 porcento acham que a vida deles está na mesma.
Isto surgiu num estudo feito pelo Consórcio de Sondagens das Organizações Não Governamentais, um grupo de ONGs que decidiram investigar quais as opiniões do público sobre o desenvovimento segundo os Objetivos do Desenvolvimento do Milénio (MDGs) que foram estabelecidos no ano 2000.
As ONGs incluem o Grupo Moçambicano da Dívida e G20, uma aliança de 20 organisações combatendo a pobreza. Estas foram apoiadas pelo Instituto Norte-Sul, um orgão baseado na Canadá que faz pesquisas sobre o desenvolvimento.
Em outubro de 2006, um grupo de pesquisadores entrevistaram os chefes de 6,750 casas nas zonas rurais e urbanas de Mocaambique, procurando saber as mudanças na vida destes entre o ano 2000 e 2005. As entrevistas buscavam avaliar o progresso feito na realisação dos MDGs.
Ambiente: China prepara critérios ambientais para a concessão créditos
Antoaneta Bezlova
Pequim, (IPS) – Após uma série de campanhas falidas destinadas a conter o prejuízo ambiental, a China espera utilizar instrumentos financeiros para frear os grandes poluidores.
O órgão de controle ambiental deste país formou uma aliança com a Comissão Reguladora do Banco da China para preparar uma nova política de créditos que avaliará se as empresas cumprem os requisitos em matéria ambiental, antes de conceder-lhes empréstimos.
“Durante anos, a forma tradicional chinesa de combater a poluição foi emitir proibições e ordens de fechamento de empresas poluidoras, explicou o subdiretor da Administração Estatal de Proteção Ambiental, Pan Yue. “Nos demos conta de que precisamos de um impulso econômico para avançar. Temos de conseguir que as companhias compreendam que é mais caro não seguir a lei do que se aterem a ela”, explicou Yue.
Energia: Brasil retoma o caminho do átomo
Fabiana Frayssinet
Rio de Janeiro, 10/07/2007(IPS) – A decisão do conselho de ministros de aprovar a construção de uma terceira usina atômica no Brasil – uma obra paralisada há 21 anos – é considerada por ecologistas a reativação de um plano nuclear de alcance mais amplo que superaria inclusive as finalidades estritamente energéticas.
A central nuclear Angra 3, que terá capacidade de 1.350 megawatts, se integrará à paisagem de Angra dos Reis, ao sul do Estado do Rio de Janeiro. Nesta zona turística conhecida pela beleza de suas praias, a cor turquesa das águas e a vegetação exuberante de suas ilhas contrastam com o concreto de outras duas centrais nucleares, Angra 1 e Angra 2, encravadas a beira-mar, ao lado de uma estreita estrada e montanhas.
A obra, que estará terminada em 2013, custará ao governo US$ 3,7 bilhões e, segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, é a alternativa mais barata e de melhores condições ambientais porque não emite gás carbônico, um dos contaminantes ligados à mudança climática. Essa opinião foi rebatida por Guilherme Leonardi, coordenador da Campanha de Energia Nuclear da organização ecologista Greenpeace. Em entrevista à IPS disse que se trata de uma “decisão equivocada” e “um grande erro para o Brasil”, embora o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem a palavra final, possa voltar atrás, afirmou.
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