ENERGIA-ÁFRICA DO SUL:: Com o sol na torneira

CIDADE DO CABO, 12/07/2007 – Os aquecedores solares da água permetem a poupar o dinheiro, aumentar a segurança da energia local e nacional, e reduzir as das emissões de gases do efeito estufa, responsáveis para o câmbio climático. Mas não se vê nenhuma evidência destes aquecedores nos tetos da África do Sul. Segundo uma investigação publicada este ano por Sustainable Energy Africa, uma organização não governamental sedeada na Cidade do Cabo, menos de um porcento das casas têm os aquecedores solares de água, embora a África do Sul seja generosamente banhada pela luz do sol.

Agora, a Cidade do Cabo pretende mudar esta situação, com uma nova Norma de Aquecedores Solares de Água.

A iniciativa é uma resposta a frequência das cortes de eletricidade sofridas pela cidade desde há cerca de uma ano, quando os dois reactores da Estação de Koeberg da Energia Nuclear simultâneamente começaram a funcionar por debaixo da sua capacidade normal. Isto foi devido a uma variedade de fatores.

Um dos reactores precisava de reparações depois de sofrer alguns danos causados por um gerador, enquanto que o segundo estava a ser recargado de combustível.

O Ministro de Empresas Públicas, o Alec Erwin, inicialmente sugeriu que o gerador tinha sido sabotado, mas logo negou esta sugestão.

Uns 400 dos 4.300 megawatts por hora requeridos diariamente pela Cidade do Cabo e os seus arredores não foram subministrados durante aproximadamente cinco meses, sublinhando o perigo destas zonas serem únicamenete dependentes de apenas uma estação de energia.

A tecnologia dos aquecedores solares de água, disponível pelo menos desde os anos 50, parece bem posicionada para se transformar numa das fontes alternativas da energia necessitadas pela Cidade do Cabo.

Os aquecedores são relativamente caros a instalar, com o preço deles oscilando entre 555 e 2.085 dólares. Mas não precisam de muita manutenção e também duram uns 25 anos. Isto ajuda aos usuarios deles a recuperar os custos da instalação através das poupanças futuras no que seria o custo da eletricidade.

Sob o regulamento proposto –o primeiro da sua classe na África do Sul–, exigirá se que a maioría dos novos edifícios (e de aqueles que estão a ser renovados) de um valor de mais de 70.000 dólares satisfaçam ao menos 60 porcento das ncessidades deles do aquecimento de água com a energia solar.

A Estratégia da Energia e do Câmbio Climático de 2005 para a cidade tem o objetivo de que 10 porcento de todas as casas usam os sistemas da energia solar para aquecer a água pelo ano 2010. Os cálculos oficiais põem a população da Cidade do Cabo a 3,23 milhões.

Mas a legislação não aborda o problema dos altos custos de instalação. Junto a falta de incentivos, esta é vista como uma das razões mais importantes para as quais as pessoas não compram os aquecedores solares de água.

O direitor da gestão dos recursos ambientais da Cidade do Cabo, o Osman Asmal, assegurou que se está a estudar os incentivos e as opções para o financiamento.

A Norma dos Aquecedores Solares de Água não foi planificada em isolação dos outros programas nacionais e regionais para a eficiência da energia, sublinhou ele.

Eskom, a empresa nacional de eletricidade, introduziu os subsídios significantes para a instalação destes aquecedores, e a Cidade do Cabo pretende assegurar que os seus habitantes possam beneficiar deste programa.

O ato símples de aumentar a quantidade de aquecedores que funcionam também supõe um desafío.

“Não há dúvida nenhuma da capacidade de instalação ser um problema. Mas, não temos suficientes funileiros e electricistas qualificados”, indicou o Nerial Hurwitz, da empresa do aquecimento solar de água Suntank, sedeada em Pretoria.

Um aquecedor normalmente consiste de um tanque de armazenagem da água quente ou um géiser, e um painel montado no teto que absorve a energia do sol e a usa para aquecer o líquido do tanque.

Contudo, em certos casos a própria cidade pode simplesmente estar a gerar os seus próprios problemas.

O regulamento proposto inclui as especificações para a instalação, como o ângulo noqual se deve posicionar o painel para assegurar que absorve a luz de sol suficiente.

Também se requer uma declaração do resultado diário de água quente, junto aos outros dados. Estas exigências têm o fim de avaliar o sucesso desta nova norma.

Mas o David Rossiter, do Regulador Australiano de Energia Renovável, se perguntou se tudo isto seja realmente necessário.

“Presumimos que quem gasta o dinheiro para comprar um aquecedor solar de água, também o porá no lugar correcto”, disse o Rossiter, que estava na África do Sul há pouco tempo para participar no Cúmulo do Aquecimento Solar da África Austral.

A Australia oferece reembolsos as casas que instalam os aquecedores solares de água, e a demanda tem crescido a tal ponto que este país já alcançou o seu objetivo da energia renovável inicialmente programado para o ano 2010: 9,5 milhões de megawatts adicionais de energia gerada anualmente das fontes renováveis.

O Brazil também deu os grandes passos com a introdução desta tecnologia. Três cidades deste país sulamericano já adotaram os regulamentos do aquecimento solar da água, enquanto que mais 12 o estão a consider, disse o Delcio Rodrigues, de Vitae Civilis, uma organização não governamental com a sua sede em Sao Paulo.

Os habitantes que usam os aquecedores solares de água recebem uma devolução de 10 porcento nos impostos municipais, que aumenta a 15 porcento se os aquecedores foram produzidos nas cidades onde vivem.

Para além disso, cinco universidades e escolas técnicas brasileiras oferecem a capacitação para a instalação dos aquecedores solares, com o fim de assegurar que o país não sofre dos problemas laborales mencionados pelo Hurwitz.

“Não podemos ter uma norma que obrigue a ningúem de fazer nenhuma coisa sem este sistema de formação e qualificação”, observou o Rodrigues, que também participou no Cúmulo do Aquecimento Solar da África Austral, destacando um aumento de 15 porcento nas vendas dos aquecedores desde que começaram as campanhas da sensibilização pública, antes da legislação.

Os regulamentos brazileiros foram adotadas em dezembro de 2006.

Contudo, a Namíbia e a Quênia sofrem de uma escassez de trabalhadores qualificados para instalar estes sistemas.

O Shimweefeleni Hamutswe Jr., do Ministério de Minas e Energia de Namíbia, e o Jared Atiang, da organização não governamental a Rede do Entorno e do Desenvolvimento da Energia para a África, de Quênia, disseram que isto limita os esforços para alargar o uso dos aquecedores nos seus países respeitivos.

Na Namíbia, uma direção ministerial obriga o uso dos aquecedores solares em todos os edifícios novos, públicos e paraestatais.

A nova norma da Cidade do Cabo está a ser examinada pelos advogados. Espera se a votação sobre a legislação nos próximos meses, e é muito provável que seja aprovada. Isto dará a municipalidade, a indústria, aos contratantes da construção, aos arquitetos e aos outros o tempo para se preparar, disse o Asmal.

Aquelas pessoas que alegam que as leis não são necessárias e que um aumento nos aquecedores solares de água deveria seguir as tendências do mercado estão perdidas, segundo o Kevin Nassiep, o presidente do Instituto Nacional Sulafricano de Investigações da Energia, associado com a Universidade da Cidade do Cabo.

“Um comprador disposto e um entorno de venda disposto não cumprirão com os objetivos da energia renovável a hora”, concluiu ele. “Temos que explorar as outras maneiras da entrega de serviços”.

* Este artigo faz parte de uma série sobre o desenvolvimento sustentado produzido pela IPS (Inter Press Service) e IFEJ (siglas en inglés de Federação Internacional de Journalistas Ambientais).

Gail Jennings

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