Desarmamento: Pressão contra as bombas de fragmentação
Ellen Massey
Washington, (IPS) – Um punhado de membros do Congresso dos Estados Unidos deu um pequeno passo para limitar a exportação de bombas de fragmentação, arma utilizada desde a Segunda Guerra Mundial (1938-1945) com devastadoras conseqüências para os civis.
O senador do Partido Democrata, Patrick Leahy, incluiu no mês passado uma cláusula no projeto de destinação de fundos para as operações internacionais que podem reduzir significativamente as vendas norte-americanas deste tipo de armas.
“Perdida” entre uma longa lista de partidas orçamentárias do Departamento de Estado, programas de ajuda militar e iniciativas de desenvolvimento econômico, figura a emenda de Leahy, que proíbe a venda ou transferência de bombas de fragmentação com uma taxa de mau funcionamento superior a 1%. Os Estados Unidos têm um arsenal de quase um bilhão de fragmentos, as pequenas submunições que são espalhadas pelas bombas de fragmentação a partir de uma determinada distância do solo. Algumas delas remontam à época da guerra do Vietnã (1965-1975) e têm uma incidência de falhas de até 23%.
Caso seja aprovada, a cláusula proposta pelo senador impedirá a venda de grande parte do arsenal norte-americano de explosivos. O projeto também contempla proibir sua venda ou transferência a países que não aceitarem usá-las exclusivamente contra alvos militares claramente identificados, evitando áreas onde se encontrem ou vivam civis. As bombas de fragmentação, entretanto, estão especificamente projetadas para “alvos suaves”: essencialmente pessoas. Possuem um uso muito limitado contra pontes, vias férreas ou instalações militares, mas, podem causar desastres entre as tropas civis que se encontrarem nas proximidades.
Brasil: A violência tem cara adolescente
Mario Osava
Washington, São Luís, (IPS) – A maioria tinha entre 15 e 16 anos de idade quando formaram a gangue “A falta de Deus”, nome escolhido porque “éramos todos anti-Cristo”. De seus 25 membros, 10 estão mortos e 14 presos.
“Só restou eu em liberdade”, conta Elias da Silva, agora com 22 anos. Os violentos grupos juvenis que proliferaram desde os anos 90 em São Luis, capital do Maranhão, revelam parte de seu caráter e suas crenças nos nomes escolhidos para se identificarem: “Mensageiros do inferno”, “Kemadores”, Noturnos terríveis”, Organizadores da mente”, “Patos loucos”.
O grupo de Silva não se compunha apenas de homens, pois também tinha cinco moças, das quais duas estão mortas. Dispunham de poucas armas de fogo, mas também usavam facas e facões em seus roubos e nas brigas contra gangues rivais que causaram 10 mortes entre os seus companheiros e não se sabe quantas do lado inimigo. “Eu mesmo recebi uma facada na barriga e tive de ficar muitos dias no hospital”, confessou. Os grupos de adolescentes, como forma de socialização às vezes agressiva, são comuns nas grandes cidades do Brasil, mas não com o grau de violência e criminalidade que adquiriu em São Luís, um fenômeno semelhante às gangues da cidade colombiana de Medelín que tiveram seu apogeu nos anos 80 e 90, em uma proporção incomparavelmente mais maciça e sangrenta.
A crueldade e as disputas territoriais são semelhantes. Houve casos de inimigos esquartejados para que as partes de seus corpos fossem enterradas “em meio a uma euforia ritual, com bebidas e drogas”, recordou Silva. “Tínhamos planos de dominar parte do bairro, Vila Bessa”, onde o grupo tinha uma casa como sede, “às vezes com apoio de traficantes de drogas”. Aparentemente esses bandos diminuíram nos últimos anos, mas a Delegacia do Adolescente Infrator de São Luís registrou 329 delitos no primeiro semestre deste ano, dos quais 23 foram homicídios. Na maioria dos casos não havia adulto orientando ou liderando os jovens, distinguindo-se do narcotráfico e de outros tipos de máfias.
Água: Torneiras secas no Zimbábue
Tonderai Kwidini
Harare, 03/08/3007(IPS) – A seca e a má administração do sistema de distribuição de água obrigam a população das duas maiores cidades do Zimbábue a recorrer a medidas desesperadas.
As torneiras secaram no Zimbábue apesar de as principais represas da capital estarem hoje com 60% de sua capacidade de armazenamento, segundo dados oficiais. Mais da metade dos três milhões de habitantes de Harare carece de água e apelam para diversas estratégicas para obtê-la. Carregar um grande balde é um trabalho cotidiano para Tedious Marembo, limpador de um edifício do governo que abriga três ministérios e que sempre tem água. Ali enche seu balde e o leva para sua mulher e dois filhos que vivem em Kuwadzana, um bairro do sudoeste da capital.
“Minha mulher tem de caminhar muito para conseguir água, em uma igreja do meu bairro onde foi feita uma perfuração no solo. Ali tem de pagar 50 mil dólares do Zimbábue por balde”, contou Marembo. Essa quantidade equivale e US$ 200, pelo câmbio oficial, mas apenas 36 centavos no mercado negro. “Para ajudar nas tarefas domésticas preciso carregar um recipiente de 20 litros”, acrescentou. Um funcionário do Estado ganha, em média, quatro milhões de dólares do Zimbábue por mês, pouco mais de US$ 22 no mercado negro. Harare sofre cortes de água intermitentes há dois anos por causa da má administração e da idade avançada da infra-estrutura.
Ambiente: Menos peixes no Oceano Índico
Soma Basu, Índia
Tamil Nadu, (IPS) – As pequenas ondas gentilmente beijam a plataforma branca de cinco por cinco metros que funcionava como um local de encontro para ocasiões especiais, desde casamentos até comemorações pelo Dia da Independência, para os dois mil moradores da localidade costeira indiana de Uppoor.
Mas hoje é o lugar de discussões dos habitantes preocupados com a diminuição das populações de peixes nas águas azuis do oceano Índico e com a ameaça que isto representa para seu sustento. Os moradores de Uppoor, no distrito de Ramanathapuram, na província de Tamil Nadu, puderam superar a devastação causada pelo tsunami de dezembro de 2004, mas ainda lidam com os efeitos da degradação ambiental, agravados pelas alterações no nível do mar, creditadas à mudança climática.
“Alguns de nós economizamos dinheiro e compramos botes motorizados. Mas agora não vale a pena gastar em combustível para entrar no mar”, disse Abdul Qadir, um pescador local. Mani Palianchamy, de 70 anos, sofre ao ver como o que foi o ofício de sua família por cinco gerações pouco a pouco se transforma em algo insustentável. “É culpa dos botes mecânicos, da pesca de arrasto e de várias outras modernidades”, disse, com tristeza. Mais de um terço da população indiana na costa do oceano Índico, em particular no golfo de Mannar, depende da pesca para sobreviver.
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