Banqueiros americanos na contra-mão da mudança climática
Toronto, (IPS) – Enquanto o Ártico derrete, os principais bancos dos Estados Unidos investem milhares de milhões de dólares em 150 novas centrais elétricas alimentadas a carvão em todo o país.
“Em que pensam os banqueiros?”, perguntou Leslie Lowe, diretora do programa de energia e meio ambiente do Centro Inter-religioso sobre Responsabilidade Corporativa. São iminentes as regulamentações sobre emissões de dióxido de carbono (principal gás causador do efeito estufa) e, em todo caso, se beneficiar com a destruição da natureza e das comunidades é imoral, disse Lowe em uma entrevista coletiva. “É uma loucura construir novas geradoras movidas a carvão”, afirmou.
Isso é precisamente o que estão fazendo o Bank of America e o Citi (ex Citigroup), segundo o relatório Banks, Climate Change & the New Coal Rush (Os bancos, a mudança climática e a nova febre do carvão), apresentado ontem pela Rede de Ação pelas Florestas Tropicias (RAN). A geração elétrica em centrais térmicas a carvão é a maior fonte de dióxido de carbono do mundo, superando o desmatamento e as emanações da queima de combustíveis pelos meios de transporte, disse Rebecca Tarbotton, diretora da Campanha Global de Finanças da RAN.
Desenvolvimento-Brasil: Paranóias com a segurança travam o desenvolvimento
Rio de Janeiro, (IPS) – O compromisso por escrito exigido pela Dell aos seus clientes no Brasil para que seus computadores não sejam exportados para o “eixo do mal” ou usados para o desenvolvimento de armas, segundo denúncias, voltam a realçar os obstáculos enfrentados pela pesquisa científica devido a restrições geopolíticas.
Paulo Silveira Gomes, professor de física nuclear da Universidade Federal Fluminense, não concordou em assinar o documento chamado “Anuência” (Export Complianc), depois de ter adquirido “um computador pessoa comum” da empresa Dell Brasil.
A proibição de transferir ou exportar “produtos da Dell” para Coréia do Norte, Cuba, Irã, Síria ou Sudão, e tampouco usá-los na produção ou manutenção de mísseis e armas nucleares, químicas e biológica, figuram entre as condições exigidas no mercado brasileiro pela multinacional dos Estados Unidos, seguindo as regras de exportação desse país. O fato teve grande repercussão porque foi divulgado pela Folha de S. Paulo, o jornal de grande circulação nacional, acrescentando o caso da química Adelina Pinheiro Santos, pesquisadora da Comissão Nacional de Energia Nuclear.
Adelina teria confessado que adquiriu um grama de nanotubos (tubos com diâmetro da ordem do nanômetro) de carbono, através de um amigo nos Estados Unidos, burlando a negativa da empresa que alegou não estar autorizada pelo governo a vender “certos materiais” ao Brasil. Esse “contrabando” é o mecanismo para superar as proibições norte-americanas que vários cientistas, ouvidos pela Folha, disseram enfrentar na importação de produtos sensíveis, como fibras de carbono e elementos nanotecnológicos. A proibição afeta, inclusive, o intercâmbio com a Europa.
Saúde: Novo tratamento especial para crianças com Aids
Boston, EUA, (IPS) – Uma nova forma de tratamento contra a aids infantil, especialmente focada nas famílias que vivem em áreas rurais, estará disponível em alguns meses, informou um funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O tratamento se baseia em medicamentos anti-retrovirais conhecidos, mas sua administração será mais simples. Os tratamentos atuais requerem a ingestão de várias pílulas mais de uma vez por dia e são tão complicados que somente farmácias ou hospitais podem fornecê-los, disse Charlie Gilks, chefe de tratamento da Unidade de Aids na OMS. “Esta é a razão pela qual tão poucas crianças recebem tratamento fora das capitais de muitos países”, disse Gilks à IPS durante uma entrevista organizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, em Boston. Os pacientes também devem ir ao hospital regularmente para receber os medicamentos e seguir uma complicada dosagem para que tenham efeito. Isto exclui muitas famílias de áreas rurais, já que os meios de transporte até os centros de saúde são inadequados ou muito caros para elas. Mas, as novas pílulas poderão ser administradas até por uma enfermeira de uma clínica rural, o que torna o tratamento muito mais acessível, ressaltou Gilks.
A OMS estima que 2,3 milhões de crianças menores de 15 anos estejam infectados com o HIV (vírus da deficiência imunológica humana, causador da síndrome de deficiência imunológica adquirida). Aproximadamente 780 mil precisam tomar anti-retrovirais para prolongar suas vidas, mas apenas cem mil estão recebendo tratamento. A esperança é que o novo medicamento mude esta situação, já que combina dois ou três medicamentos utilizados no tratamento de pacientes com aids em uma única pastilha. “Dessa forma será muito mais simples treinar o pessoal dos centros de saúde”, afirmou Gilks. As pílulas terão uma ranhura central, que permite dividi-las facilmente em duas partes para fornecer uma dose menor às crianças menores. Também poderão ser pulverizadas e misturadas à comida.
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