Oriente Médio: Uma cúpula sem objetivos claros sobre o Oriente Médio

Washington, 05/10/2007 – O governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se prepara para atuar como anfitrião de uma muito divulgada conferência sobre o Oriente Médio que acontecerá em novembro na cidade de Annapolis. Porém, reina o cepticismo sobre seu conteúdo e resultado. Os comentários de Bush sobre a necessidade de estabelecer “um Estado palestino viável” marcam a primeira ocasião (desde a cúpula de 2000 entre líderes da Autoridade Palestina Nacional (ANP), Estados Unidos e Israel) em que serão discutidos temas como o destino dos refugiados palestinos, o status de Jerusalém, as fronteiras futuras e o fim dos assentamentos judeus na Cisjordânia.

A situação política no Oriente Médio ficou mais grave desde então. A divisão nos territórios palestinos agravou-se. Washington apóia a Fatah, partido secular e moderado do presidente Mahmoud Abbas, mas se nega ao diálogo com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). As duas forças se enfrentam. O Hamas se impôs nas eleições parlamentares de 2005, mas foi isolado pelas nações ocidentais. Em junho passado, depois de enfrentamentos com a Fatah, assumiu o controle da Faixa de Gaza, enquanto seus rivais dominam a Cisjordânia. A situação humanitária em Gaza continua piorando.

“É tão grave quanto na Birmânia. Morre gente todos os dias”, disse Akiva Eldar, o principal colunista político do jornal Há’aretz. Se Abbas não conseguir progressos, o que ocorreu em Gaza poderia se repetir na Cisjordânia. “Abbas está debilitado”, disse Eldar. “no melhor dos casos, se mantém em uma perna só. Se não pode produzir uma solução aceitável para os palestinos, perderá ambas”, acrescentou. Em sua intervenção na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, na semana passada, Abbas ressaltou que a chave para a solução do conflito entre os israelenses e os palestinos é abordar as questões do status final dos territórios.

Mas a fala da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, sugerem que Washington propõe objetivos mais ambíguos. Em uma entrevista coletiva, há duas semanas, Rice disse na presença de Abbas que buscava “pontos em comum” que servissem para “apoiar as negociações e fazê-las avançar”. Segundo Eldar, “não há garantias de Washington neste processo. Os Estados Unidos mostram duas caras. Uma é a do honesto mediador, a outra a de uma superpotência cujos políticos continuam comprometidos com a vantagem qualitativa de Israel. Não há equilíbrio. Estamos a semanas da conferência e não vemos contribuições norte-americanas”, acrescentou.

Rice planeja viajara ao Oriente Médio na próxima semana, como parte das gestões previas à conferência. O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que houve “declarações animadoras” de israelenses e palestinos, cujos líderes pediram aos seus assessores que começassem a redigir um comunicado conjunto. Entre os convidados para o encontro de novembro estão funcionários de Israel, dos Estados Unidos, da ANP, Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Marrocos, Qatar, Rússia, das Nações Unidas e União Européia. “O trabalho duro já começou, mas o realmente difícil está prestes a começar”, disse McCormack aos jornalistas.

Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, discordam do conteúdo da declaração que está sendo preparada. O presidente palestino e outros participantes, como a Arábia Saudita, favorecem um texto com detalhes específicos. Porém, Olmert não deseja incluir referencias a prazos nesse texto. Seidemann disse que embora o estabelecimento de prazos e a inclusão de um contexto de referência especifico possam resultar impossíveis para Israel, Olmert estaria em condições de mostrar a disposição de seu país em alcançar a paz negociando com Abbas sobre a situação de Jerusalém.

Segundo Seidemann, a sede da histórica Organização para a Libertação da Palestina (OLP) na zona oriental da cidade poderia ser reaberta e Abbas deveria ser autorizado a receber nesse local os dignatários estrangeiros. “Seria uma mudança nas regras do jogo”, com o objetivo de converter Jerusalém “em uma cidade compartilhada, com uma divisão política”, disse, acrescentando que as pesquisas “mostram que o público israelense está muito mais pré-disposto a isso do que seus líderes”.

(Envolverde/ IPS)

Khody Akhavi

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