INFÂNCIA-CHADE:: Madrid defende a tripulação acusada de tráfico

MADRID, 02/11/2007 – As instituições a sociedade civil espanhois condenam um caso do tráfico de crianças de Chade à França, mas defendem a inocência dos sete membros espanhois da tripulação de um avião da linha aérea espanhola Girjet, que foi contratada pela caridade francesa o Arco de Zoé (Zoe’s Ark) para transportar 103 crianças de Chade. O fiscal Ahmat Daoud, de Abéché, uma localidade do este de Chade, ordenou na semana passada a detenção e o processamento de nove membros da organização não governamental (ONG) francesa o Arco de Zoé e dos sete espanhois, acusando-os do tráfico de menores.

Segundo o que o juíz exigiu noo dia 30 do mês passado, os 16 europeios poderiam ter condenas de cinco a 20 anos de trabalhos forçados.

A detenção aconteceu quando estavam a embarcar numa avião com o grupo de crianças de entre três e 10 anos de idad, com destino a França. Segundo a acusação, alí seria vendidas as familias e, em algunos casos, destinadas a exploitação sexual.

O secretário de Estado de Relações Internacionais do governo espanhol, o Bernardino León, disse a IPS que Madrid “não está de acordo” com a medida adotada pela justiça chadiana e está pronto a presta a ajuda diplomática e legal aos detidos.

“É claro que condenamos o tráfico de crianças, seja no Chade ou em qualquer outro lugar do mundo. Mas traficar é uma coisa e uma companhia ser contratada para um vôo charter é outra coisa. O mais lógico seria que as autoridades aduaneiras, controlem os aeroportos, verifiquem quem e como se embarca nestes ou nos outros vôos e como isto acontence, acrescentou ele.

O governo espanhol exige que as autoridades de Chade tomem em conta a presunção da inocência dos detidos e que se realize um processo justo e com todas as garantias legais devidas. O ministro de relações externas enviou ao Chade o seu cônsul camerunês o Vicente Mas, para verificar a situação em que se encontram os espanhois detidos. O León disse que estão em bom estado, segundo o que relatou ele e mais um médico e um capelão que foram ter com eles.

O executivo de Girjet, o Antonio Cajal, explicou a imprensa que a sua companhia não mantem relações com O Arco de Zoé e que esta era a primeira vez que essa entidade contratou um vôo com a linha aéria.

A ONG tinha dito que o vôo foi parte de uma operação humanitária, de transportar 103 crianças doentes à França para receber o tratamento que não iam conseguir no Chade, disse o Cajal.

A companhia aérea nem sequer teve o contato direto com a ONG para a contratação, e que esta se efeituou através de uma agência de viagens, e o vôo contava com a autorização prévia das autoridades aeronáuticas chadianas e francesas, segundo o Cajal.

Mas as reportagens de Chad indicam que alguas das crianças foram levadas ao avião com as vendas que simulavam feridas inexistentes. Isto foi dito pela delegada no Chade do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a Annette Rehrl.

O president do Arco de Zoé o Eric Breteau, um bombeiro volunteiro e fundador da caridade depois do tsunami asiâtico de dezembro 2004, disse que a caridade pretendia evacuar 10,000 orfãos da região do oeste do Sudão, e colocá-los com as familias na França.

Mas mais tarde ele disse que o grupo tratava de uma evacuação médica e não uma campanha de adoção.

Diz se que as famílias francesas que querem adotar as crianças pagaram milhares de dólares para adotar as crianças.

Mas os oficiais da ONU e de Chade dizem que muitas das crianças eram de fato chadianas e não sudanesas, e nem eram orfãos.

Um das crianças, o Osman, contou que os pais dele tinham ido trabalhar não campo, na zona onde vivem, perto da fronteira com o Sudão, e que chegaram algumas pessoas chadianas que ofereceram as crinças bombons se fossem com eles, prometendo que poderiam voltar a casa depois de algumas horas.

As crianças foram levadas a localidade de Adré e depois disto a Abéché, onde passaram mais de um mês, “bem alimentadas”, mas sem poder sair, até que foram levadas ao aeroporto.

O presidente da França, o Nicolas Sarkoze, qualificou de “ilegal e inaceitável” a dita campanha de adoções organizada pelo Arco de Zoé e assim disse ele ao seu homólogo chadiano, o Idriss Débe.

Há cada vez mais indicações da ilegalidade da operação que a ONG pretendia levar a cabo. A secretária de Estado de Direitos Humanos de França, a Rama Yade, descreveu a como uma “operação clandestina”.

De fato, a justiça francesa, que respalda a detenção dos membros do Arco de Zoé, agiu imediatemente de París.

As Organizações como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostraram se indignadas pelo caso, qualificando o como um “ato ilegal contravindo todas as normas jurídicas nacionais e internacionais”.

Contudo na Espaha, o ministro de Justiça o Mariano Fernández Bermejo, disse no 30 do mês passado que se fazia “um esforço máximo para convencer às autoridades de Chade de que os espanhois não tinham nada a ver com o atentado a sequestrar as crianças”, e que só tinham tido contratados pela ONG francesa,sem saber a identidade, as idades e as condições de quem seriam os passageiros.

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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