TRABALHO-AMÉRICA LATINA: Melhora o cenário do trabalho

Santiago, 31/01/2008 – A América Latina obteve em 2007 avanços em matéria econômica e trabalhista, segundo o último estudo anual do escritório regional da Organização Internacional do Trabalho, que chamou a assumir novos desafios. O informe “Panorama Trabalhista 2007”, apresentado esta semana pelo diretor do escritório da OIT, Guillermo Miranda, indica que o desemprego urbano diminuiu pelo quinto ano consecutivo na América Latina e no Caribe. O desempregou caiu no ano passado, em 15 países, de 9,1% pago se deveu a uma redução da população economicamente ativa, mas à criação de novos postos de trabalho. O país mais destacado da região foi o Chile, que registrou a mais acentuada queda de desemprego e a maior proporção de emprego formal. Os progressos chilenos aproximam o desemprego neste país às taxas anteriores à crise econômica de 1998. Porém, o Chile ocupa a pior posição quanto à participação feminina no mercado de trabalho.

As projeções da OIT para 2008 não levam em conta o impacto de uma eventual crise econômica nos Estados Unidos, pois o informe foi feito em dezembro passado. “As projeções são positivas, embora com algumas nuvens, já que ainda não temos certeza se o que se avizinha nesse país é ou não uma recessão”, disse Miranda. Se não ocorrer uma crise na economia internacional, se prevê que o crescimento do produto interno bruto da região diminua entre 5,5% e 4,5%. Mas também cairia o desemprego, em 7,9%, a taxa mais baixa desde os primeiros cinco anos da década de 90.

A especialista de gênero da OIT Maria Elena Valenzuela prevê um aumento constante da força de trabalho feminino. “O número de mulheres que quer trabalhar aumenta, como também aumenta o desemprego para elas”, explicou à IPS. Isto reduz a brecha trabalhista entre sexos. Embora em 2007 tenha havido uma leve melhoria (3%) dos salários industriais reais, a OIT advertiu que existem desafios e responsabilidades, tanto para o setor público quanto para o privado.

A região mantém um “déficit de trabalho decente”, que se manifesta principalmente na persistência do emprego informal, sem cobertura dos sistemas formais de relações trabalhistas nem da segurança social, alerta o informe. Quarenta por cento dos trabalhadores ocupados urbanos até 2006 careciam de proteção em saúde ou de aposentadoria. Esta proporção cresce no caso do serviço doméstico e dos trabalhadores independentes. “Não se trata apenas de gerar empregos, mas de gerar empregos de boa qualidade, com segurança para os trabalhadores”, disse Miranda à IPS.

Outra tarefa pendente é trabalhar contra a discriminação dos indígenas, sobretudo as mulheres. Em 2006, os trabalhadores indígenas recebiam 59% do salário dos não-indígenas, situação que agrava na Bolívia (34%) e na Guatemala (42%). Também causa alarme o desemprego juvenil, 2,2 vezes maior do que a média da região e três vezes maior do que o registrado entre adultos. Para resolver o problema, bem como a desigualdade de gênero, Miranda anunciou que a OIT prepara junto com o Ministério do Trabalho chileno um estudo sobre os programas de criação de emprego existentes. (IPS/Envolverde )

Giannina Milich

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