EUA: Aumenta ajuda a países que recrutam crianças-soldado

Nova York, 15/04/2008 – Os Estados Unidos entregam ajuda militar a seis países que seu próprio Departamento de Estado denunciou nos últimos informes sobre os direitos humanso no mundo pelo emprego de crianças em forças militares. Trata-se de Afeganistão, Chade, República Democrática do Congo, Sri Lanka, Sudão e uganda. Uma pesquisa do Centro de Informação de Defesa (CDI), com sede em Washington, destacou que, embora frequentemente as crianças não sejam recrutadas à força por grupos insurgentes, há casos em que são empregadas diretamente pelos governos ou paramilitares com apoio estatal.

No Chade, afirma o estudo, as forças de segurança utilizam crianças em suas fileiras e impõem trabalhos forçados tanto a menores quanto a adultos. Outros grupos armados também recorrem a esta prática. Segundo o CDI, na República Democrática do Congo as unidades militares do governo e os grupos armados continuam recrutando crianças. Diz, ainda, que as autoridades não tomam medidas contra os comandantes que os emprega e que os acordos com as milícias para desmobilizá-las não são cumpridos.

No Sudão – prossegue o informe – “houve numerosos abusos graves, que incluíram o serviço militar forçado de menores de idade e o recrutamento de crianças-soldado”. O problema é especialmente grave na conflitiva província de Darfur. Embora os grupos rebeldes sejam os que mais empregam crianças, o CDI afirma que há evidências confiáveis sobre sua utilização por parte do governo e das milícias que contam com seu apoio.

Os informes do CDI e do Departamento de Estado são conhecidos quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está aumentando fortemente a ajuda militar como repcomensa para as nações que cooperam em sua “guerra contra o terrorismo”, apesar da instabilidade política nesses países e das críticas dos órgãos de direitos humanos. O CDI se refere às crescentes vendas de armas nos últimos anos a 25 nações da África, Ásia e Oriente Médio. Na metade delas, segundo o Departamento de Estado, houve em 2006 sérios problemas em matéria de direitos humanos.

O estudo demonstra que as vendas de armas dos Estados Unidos, do governo a governo, a esses 25 países, passaram de US$ 400 milhões em 2005 para US$ 3,9 bilhões no ano seguinte. Essa cifra representa 22% das vendas militares de Washington no ano passado, que chegaram a US$ 18 bilhões. “Os Estados Unidos estão concedendo assistência militar, em um nível sem precedentes, a países aos quais, ao mesmo tempo, critica por sua falta de respeito aos direitos humanos e, em alguns casos, por seus questionáveis processo democráticos”, disse o CDI. “Embora estes países sejam considerados atualmente importantes para os esforços de Washington na guerra contra o terrorismo, sua instabilidade política e militar faz co que sua lealdade no futuro seja duvidosa”, acrescentou.

O aumento na ajuda militar se deveu em parte ao levantamento de sanções e restrições contra certos países depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington. As vendas diretas das empresas norte-americanas fabricantes de armas, supervisionada pelo Departamento de Estado, ficaram acima dos US$ 3 bilhões para esses países entre 2002 e final de 2006. nos cinco anos anteriores os atentados terroristas foram de US$ 72 milhões.

Outro estudo, do não-governamental Consórcio de Jornalistas Investigativos (ICIJ), destacou que a “influência dos lobistas estrangeiros no governo dos Estados Unidos, bem como a ênfase estreita de olhar o contra-terrorismo acima das preocupações em matéria de direitos humanos, acarretaram alto custo econômico e perda de capital político”. Para o ICIJ, “os acordos para fornecer ajuda militar a governos frequentemente corruptos e brutais fizeram retroceder o movimento rumo ao respeito dos direitos humanos e à vigência do estado de direito”.

Joanne Mariner, diretora do Programa de Terrorismo e Contra-terrorismo da organização não-governamental Human Rights Watch, com sede em Nova York disse à IPS estar preocupada “porque a ajuda militar, em alguns casos”, chove sobre governos repressivos. Cremos que deveria ser condicionada mais cuidadosamente, para garantir que nos sejam cometidos abusos com financiamento de Washington”, acrescentou. O estudo do ICIJ indica que nações que recebem ajuda militar dos Estados Unidos participaram do procedimento de “entregas extraordinárias”, pela qual se captura suspeitos de terrorismo e os envia ilegalmente para terceiros países, conhecidos por seu emprego da tortura e outras práticas desumanas, para serem interrogados.

Dados confiáveis revelam que os vôos da Agência Central de Inteligência (CIA) nos quais eram transportados os prisioneiros fizeram, pelo menos, 76 escalas no Azerbaijão, 72 na Jordânia, 61 no Egito, 52 no Turcomenistão, 46 no Uzbequistão, 40 no Iraque, 40 no Marrocos, 38 no Afeganistão e 14 na Líbia. A maioria destas nações recebem ajuda militar de Washington. Depois dos ataques do 11 de setembro em território norte-americano, o Paquistão se converteu em um dos maiores receptores da ajuda militar dos Estados Unidos: “Aproximadamente US$ 10 bilhões, segundo informe.s a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão denunciou que a tortura é uma prática habitual, que ninguém é denunciado por praticá-la e que as detenções ilegais ocorrem com regularidade, sem que se informe sobre a maioral delas. (IPS/Envolverde)

William Fisher

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *