POPULAÇÃO: Ajuda para planejamento familiar em queda livre

Nações Unidas, 14/04/2008 – A Organização das Nações Unidas teme que a queda da ajuda em matéria de saúde reprodutiva ameace os esforços mundiais para melhorar a qualidade de vida de mulheres e crianças, bem como para reduzir a pobreza. “Isso é evidente no financiamento para planejamento familiar, que em termos absolutos e em dólares é menor do que era em 1995”, disse em um informe o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. Se não for posto um fim a esta tendência, “haverá sérias conseqüências para a capacidade dos países atenderem a necessidade de tais serviços, e poderia minar os esforços para impedir a gravidez indesejável e reduzir a mortalidade materna e infantil.”

Um dado que complica ainda mais o panorama é o aumento da proporção dessa assistência desviada para combater a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. A diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (Unfpa), Thoraya Ahmed Obaid, disse que o financiamento para o planejamento familiar como porcentagem da ajuda global para questões de população caiu de 55% em 1995 para 7% em 2005. “As vítimas dessa brecha no financiamento são mulheres pobres de países pobres que não podem exercer seus direitos reprodutivos e planejar suas famílias. É um problema sério que deve ser atendido com urgência”, disse Obeid à IPS.

Em uma conferência de uma semana da Comissão da ONU sobre População e Desenvolvimento (CPD), encerrada sexta-feira, Obeid disse que cerca de 200 milhões de mulheres de todo o mundo carecem de acesso aos mecanismos anticoncepcionais que necessitam. Uma maioria dessas mulheres residem na África, acrescentou. “A conseqüência é uma crescente quantidade de gravidez indesejada, abordos inseguros e de riscos para a vida das mulheres e crianças”, disse Obeide na CPD. “A crise atual”, prosseguiu, “ameaça também minar a consecução dos Objetivos da ONU para o Desenvolvimento do Milênio, entre os quais figura reduzir pela metade a proporção da população mundial que sofre pobreza e da mortalidade materna e infantil.”

Para alcançar essas metas é preciso “garantir o acesso universal à saúde reprodutiva”, disse Obeid. “A saúde sexual e reprodutiva é essencial para o poder das mulheres e a igualdade de gênero. O planejamento familiar é chave para a saúde materna infantil”, acrescentou. Obeid mencionou pesquisas segundo as quais garantir o acesso ao planejamento familiar reduziria, por si só, a mortalidade materna entre 20% e 30% e em 20% a infantil.

Ao mesmo tempo, a assistência global dos doadores para atividades relacionadas com a população continua aumentando. Após a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento realizada em 1994 no Cairo, houve poucos avanços porque o aumento da ajuda foi insignificante. Em 2005, a assistência chegou as US$ 7,4 bilhões. Calcula-se que a de 2006 foi de US$ 8,1 bilhões, a do ano seguinte de US$ 9,8 bilhões e que ao fim deste ano se chegará aos US$ 10,3 bilhões. Mas, o mais alarmante foi a queda da ajuda dirigida aos serviços básicos de saúde reprodutiva: de 63% em 1194 pára 17% em 2005. A ajuda destinada à Aids e outras doenças sefualmente transmissíveis aumentou de 8% para 72%.

O informe apresentado pela ONU à CPD prevê que o aumento no financiamento das atividades contra a Aids continuará. “Existe o temor de que o aumento da parte das contribuições destinadas a atividades contra a Aids desvie a atenção do necessário financiamento dos demais problemas de população”, diz o estudo. Ao mesmo tempo, segundo seus autores, houve um aumento nas necessidades e nos custos de todas as atividades relativas à população em comparação com as estimativas feitas em 1994 na capital do Egito.

Desde então, além do mais, a população e a situação do cuidado com a saúde mudaram dramaticamente em todo o mundo. A pandemia de Aids é muito pior do que se previa, enquanto a mortalidade materna e a infantil se mantêm inaceitavelmente elevadas em muitas partes do mundo. Ao mesmo tempo, os custos da saúde aumentaram substancialmente. Como conseqüência, os programas previstos pela Conferência do Cairo não são suficientes para cobrir as necessidades. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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