Tóquio, 30/06/2008 – Os chefes de Estado e de governo do Grupo dos Oito países mais poderosos se preparam para a cúpula que acontecerá nos dias 7 e 8 de julho na ilha japonesa de Hokkaido. O país anfitrião prevê colocar a mudança climática na cabeça da agenda. Da pauta de discussões figuram mudança climática, escassez alimentar e desenvolvimento, especialmente na África, além de outros pontos como o contínuo aumento dos combustíveis e a não-proliferação nuclear. O que ficar resolvido a respeito de aquecimento global será fundamental para que o mundo possa avaliar o sucesso da cúpula do G-8.
“É um grande desafio e a humanidade não tem tempo a perder. A comunidade internacional deve redobrar urgentemente seus esforços para resolver este problema”, disse o primeiro-ministro japonês, Yauso Fukuda. Como chefe de governo do país anfitrião do G-8, que inclui Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia, poderá definir a agenda de discussões. O chanceler do Japão, Masahiko Komura, prometeu que seu país fará o maior esforço para mostrar sua liderança e criar um acordo Norte-Sul sobre mudança climática.
Tóquio procura estabelecer um contexto de referência que inclua limites de emissões justos e eqüitativos, aceitos pelas nações que mais contaminam. Komura pediu a Brasil, Estados Unidos e Índia que façam parte desse acordo em gestação. Países como Brasil, China, Índia, México e África do Sul se somarão às deliberações no último dia da cúpula, na qualidade de convidados. Organizações não-governamentais ambientalistas, de desenvolvimento, de defesa dos direitos humanos e pela paz também estarão presentes na cúpula, junto com líderes de nações como Austrália, Coréia do Sul, Indonésia e de vários países africanos.
“Estamos em um ponto crítico no caminho de substituir o Protocolo de Kyoto”, disse o porta-voz do governo japonês, Tomohiko Taniguchi. Este documento, aprovado em 1997, fixa metas de emissão de gases causadores do efeito estufa e expira em 2012, por isso deve ser substituído por um novo acordo. “O Japão, com sua estreita aliança com os Estados Unidos, por um lado, e, por outro, sua proximidade com a China, um dos maiores contaminadores, pode ter um grande papel para que o G-8 produza um regime em que todas as emissões sejam aceitáveis e que funcione na prática”, acrescentou.
Organizações não-governamentais e especialistas em clima destacaram que a cúpula deve enviar um claro sinal: um compromisso de que os países ricos terão drásticas metas de redução de emissões para o próximo ano, para substituir os do Protocolo de Kyoto. Caso contrário – advertiram – o aquecimento global continuará e produzirá uma catástrofe ambiental no prazo de 50 anos. “O novo contexto que substituirá o Protocolo de Kyoto deve ser acordado na conferência internacional do final deste ano em Copenhague”, disse a vice-presidente da cúpula do G-8, Yurika Ayukawa.
Para isto, o grupo deve enviar um claro sinal, “pois os países ricos causaram este problema por suas grandes emissões de gases causadores do efeito estufa nos últimos cem anos”, acrescentou Ayukawa. Se as nações em desenvolvimento não cumprirem sua parte depois de 2012, Estados Unidos e Japão poderiam se retirar dos acordos internacionais sobre mudança climática e os esforços feitos desde 1990 teriam sido em vão, afirmou Ayukawa. A vice-presidente deseja que Fukua e o presidente George W. Bush considerem a urgência do problema, já que existe pouco tempo para enfrentar os perigosos impactos da mudança climática.
“Para mostrar liderança, os dois países, duas nações ricas, devem se comprometer a realizar reduções de emissões agora, não mais tarde”, disse Ayukawa. Mas, tem poucas esperanças. “Tóquio e Washington estão contra compromissos firmes no curto prazo, e contra objetivos de médio prazo até 2020. Assim, os países em desenvolvimento se opõem a acordos de longo prazo para reduzir pela metade as emissões até 2050”, acrescentou. Ayukawa acredita que não haverá acordo na cúpula do G-8. Mas, Fukuda considera prioritário chegar a um entendimento sobre “querer colocar o Japão como líder em matéria de temas ambientais”, disse Weston Konishi, do japonês Conselho de Relações Internacionais Hitachi.
O primeiro-ministro do Japão busca usar a cúpula para mostrar sua suposta liderança diante das potências. “Tem a esperança de melhorar sua imagem interna”, que caiu a um nível de aprovação de 25%, segundo pesquisa da agência de notícias japonesa Kyodo. Se especula sobre Fukuda dissolver, depois da cúpula, a câmara baixa do parlamento para convocar eleições antecipadas, embora Konishi duvida de que esta cúpula servirá para aumentar sua popularidade e lhe dar uma vantagem essas hipotéticas eleições. (IPS/Envolverde)

