Jerusalém, 12/06/2008 – A possibilidade de uma operação militar em grande escala por parte de Israel na Faixa de Gaza se mostra muito mais próxima, em conseqüência dos ataques com projéteis lançados desde esse território por combatentes dos movimentos de resistência palestina. Um civil israelense morreu em um destes últimos episódios e dirigentes-chave do governo endureceram ainda mais sua posição contra uma proposta de trégua, sob mediação do Egito, com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Oprimeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse à imprensa, a bordo do avio que o levava de volta ao seupais após uma visita, na semana passada, a Washington, que uma ofensiva era uma opção muito mais próxima do que um cessar de hostilidades com o Hamas. “Tal como estão as coisas agora, nos encontramos mais próximos de uma operação militar em Gaza do que de qualquer outro tipo de acordo diplomático”, afirmou.
O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, se pronunciou em termos semelhantes. “Um ataque militar é mais provável que nunca e inclusive pode preceder um cessar-fogo”, afirmou durante visita ao kibutz Nir Oz na semana passada, horas depois de um israelense de 51 anos perder a vida pela explosão de um projétil de morteiro lançado por palestinos desde Gaza. Durante o último mês, três israelenses morreram em ataques com foguetes ou morteiros.
Barak foi o mais enfático defensor, dentro do gabinete ministerial de Israel, da trégua com o Hamas. Negociava com a mediação egípcia, buscava um cessar dos ataques desde gaze em troca da suspensão das incursões israelenses e uma flexibilização do bloqueio a esse território imposto por Israel quando o Hamas assumiu seu controle pelas armas, no ano passado. Ate agora, o governo de Olmert se mostrara reticente em lançar um ataque maciço a Gaza, destinado a derrubar o Hamas, por medo do alto numero de baixas que poderia significar.
Os funcionários israelenses também debateram extensamente uma possível estratégia de saída do território uma vez finalizada a operação militar, que poderia se prolongar por até seis meses. Sua preocupação, fundamental, era que no dia seguinte ao fim das operações e após a retirada do exército de Gaza o Hamas reiniciasse seus ataques com foguetes. Isto deixaria os militares em situação ridícula e a capacidade de dissuasão de Israel sofreria arranhões.
Olmert também se mostrava reticente em desestimular a oferta de uma trégua negociada por medo de ofender o Egito, que fez grandes esforços diplomáticos para persuadir o Hamas e outras facções palestinas de Gaza a aceitarem o fim das hostilidades. Agora, entretanto, o primeiro-ministro se mostra muito mais aberto a respeito da opção militar. Além disso, aqueles que dentro do gabinete israelense consideram que o ataque trará benefícios estão passando a dominar o debate.
Eles argumentam que qualquer pausa na luta contra o Hamas, que não reconhece o direito de existir do Estado de Israel, permitirá que se reequipe. Dizem que quando a hipotética trégua entrar em colapso – a maioria dos israelenses acredita que isso ocorrerá em questão de meses – será preciso lançar um ataque que causará maiores baixas, porque os grupos palestinos estarão melhor armados.
“O governo está cometendo um grave erro ao não tomar a decisão estratégica de por fim ao controle do Hamas sobre Gaza’, disse o vice-primeiro-ministro israelense, Haim Ramon. Ele é o mais férreo oponente da proposta egípcia de um armistício e está convencido de que o exercito “sabe como terminar” com o domínio do Hamas. “Se no for feito agora, pagaremos um preço muito mais alto, tanto em número de baixas quanto em termos da situação política da região”, assegurou. O chefe do Shin Bet (serviço de segurança interna israelense), Yuval Diskin, já vem há algum tempo alertando que o Hamas se converterá em uma ameaça estratégica se os militares não agirem logo contra o movimento islâmico.
Por sua vez, o chefe da inteligência militar israelense, general Amos Yadlin, disse que em dois anos o Hamas terá foguetes com alcance de 40 quilômetros, o que lhe permitirá atacar Beer Sheva, a quarta cidade mais importante do país. Ramon também argumentou que aceitar um cessar de hostilidades fortalecerá o Hamas e, ao mesmo tempo, enfraquecerá os dirigentes moderados, como o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Abu Mazen, do secular Partido Fatah, que exerce sua autoridade na Cisjordânia após sua expulsão de Gaza por parte do grupo islâmico.
Se Israel aceitar a trégua, acrescentou Ramon, “Abu Mazen começará a dialogar com o Hamas. Por que não o faria, se nós o fazemos?”. Um cessar-fogo não só fortalecerá o Hamas como também a milícia islâmica libanesa Hezbolá e o Irã, que patrocina os dois grupos, acrescentou o vice-primeiro-ministro. “O Hamas é parte do eixo de radicais que triunfaram no Líbano há duas semanas. Seria terrível que também ficassem com a vitória em Gaza”, ressaltou. (IPS/Envolverde)

