ECONOMÍA: A China vai superar os Estados Unidos em 2035

Washington, 14/07/2008 – A produção da China não só está a caminho de superar a dos Estados Unidos ate 2025: praticamente a duplicará ate 2050, previu Albert Keidel, ex-economista do Banco Mundial.

 - Gobierno de China

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O informe de Keidel, hoje no Fundo Carnegie para a Paz Internacional, estima que o crescimento da economnia chinesa, em média 10% ao ano nas últimas três décadas, provavelmente se manterá nas duas próximas, antes de cair pouco a pouco, até aproximadamente 3% em 2070.

Nessa época, o produto interno chinês, hoje equivalente a um terço do norte-americano, ficará em torno dos US$ 180 trilhões de 2005, em comparação com os US$ 80 trilhões que os Estados Unidos alcançarão em 2070, segundo o estudo intitulado “China’s Economic Rise-Fact and Fiction” (O crescimento econômico da China: realidade e ficção). Embora sejam previstos obstáculos importantes para esse crescimento – entre eles possíveis distúrbios sociais, corrupção e mau manejo macroeconômico – Keidel considera que as autoridades chinesas parecem em condições de superá-los, a julgar por suas ações da última década.

“Esses problemas não deterão o crescimento da China”, assegurou Keidel em um seminário realizado na semana passada em Washington. Inclusive, diante do ceticismo demonstrado por alguns participantes, disse que as projeções incluídas em seu estudo constituem “um cenário de crescimento lento”. O economista enfatizou que o poderio financeiro chinês “se estenderá a todas as dimensões imagináveis das relações internacionais”.

Nesse sentido, afirmou que “a liderança de organismos multilaterais gravitará para a China”. As sedes de algumas agências da Organização das Nações Unidas serão transferidas para cidades chinesas, acrescentou Keidel. “Os Estados Unidos terão uma importante rede global de centenas de bases, muitas delas na periferia da China, e um enorme arsenal de armas de desenho avançado, várias vezes superior ao de Pequim”. Mas, o tamanho da economia chinesa em meados deste século irá persuadir os líderes norte-americanos “a considerar suas opções com inteligência”, acrescentou. A análise de Keidel destaca que o dinamismo da economia da China se baseia mais no investimento e na demanda interna do que nas exportações.

Este enfoque relativiza o ponto de vista convencional, segundo o qual o crescimento desse país começará a diminuir, mais cedo, ou mais tarde, pois seus mercados externos não poderão ou não irão querer continuar comprando seus produtos no mesmo ritmo de agora. Embora o comércio exterior seja um fator importante no crescimento da economia chinesa, isto não significa que dependa em extremo das exportações, disse Keidel. De fato, acrescentou, a economia chinesa desacelerou quando seu principal exportador, os Estados Unidos, estava em uma fase de forte expansão e cresceu fortemente quando este país registrava uma contração.

Esse padrão é o oposto ao observado nas outras três maiores potências exportadoras: Alemanha, Coréia do Sul e Japão. O estudo indica que as altas taxas de crescimento chinesas poderão se sustentar pelo pobre nível de desenvolvimento existente quando começaram a aplicar as reformas econômicas nos anos 70. Em comparação com Coréia do Sul e Japão, a China ainda se encontra em uma etapa prematura de seu desenvolvimento político e econômico, diz o estudo.

Além disso, contrariamente aos seus vizinhos, que protegeram suas indústrias-chave quando estavam em um estágio de desenvolvimento semelhante ao chinês, Pequim abriu ainda mais sua economia à competição externa, importando e utilizando as mais modernas tecnologias para aumentar sua competitividade. “Coréia do Sul e Japão jamais fizeram isto”, afirmou Keidel. Finalmente, a economia chinesa criou “uma rede de incentivos que recompensa quem assume riscos e trabalha duro”, algo que fora “subestimado”, acrescentou.

Apesar dos controles estatais, “as empresas chinesas são máquinas de fazer dinheiro, fortemente orientadas à maximização do lucro”, afirmou Keidel. Além disso, acredita que o manejo dos inevitáveis ciclos de expansão e contração da economia chinesa por parte das autoridades, nas ultimas três décadas se tornaram muito mais complexo. Quanto à preocupação com a pobreza, a crescente desigualdade e a contaminação do ar e da água, que podem conspirar contra o crescimento no longo prazo, o estudo conclui que a China parece estar em uma trajetória semelhante às de Coréia do Sul e Japão. Estes países puderem enfrentar tais problemas, particularmente na medida em que crescia a urbanização e o nível de renda, que aumentaram a preocupação do público diante dessas questões.

A corrupção, especialmente dentro do governante Partido Comunista, também poderia se converter no “calcanhar de Aquiles” da China, mas, segundo Keidel, “não impediu um rápido crescimento no passado e é pouco provável que o faça no futuro”, sobretudo à luz “do aumento da renda por habitante e a crescente atenção que a imprensa já dedica ao assunto”. Quanto ao papel do partido, evoluiu de “um sistema autoritário unipessoal” para uma “tecnocracia corporativa” que introduziu “mecanismos de governo participativos”, os quais poderiam levar a “um sistema de eleições de base mais ampla”, tal como ocorreu na Coréia do Sul e em Taiwan, acrescentou.

Embora o produto interno bruto da China vá superar o dos Estados Unidos ate 2035, vai demorar cerca de 80 anos para ficar em um nível semelhante medido por habitante, segundo o estudo: em 2005, era menos de US$ 2 mil, contra os US$ 41 mil per capita nos Estados Unidos. Segundo o modelo de Keidel, o produto por habitante da China em 2035 será aproximadamente um terço do norte-americano, embora representando cerca da metade se calculado com base na paridade do poder de compra, que leva em conta as diferenças no custo real de uma cesta de produtos nos dois paises. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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