Nações Unidas, 14/07/2008 – A Organização das Nações Unidas comemorou na sexta-feira o Dia Mundial da População sob a sombra de nefastas estatísticas: aproximadamente 200 milhões de mulheres no mundo querem evitar ou interromper a gravidez, mas, não usam métodos seguros nem efetivos de planejamento familiar. A atual população mundial, de 6,4 bilhões de pessoas, aumentará para mais de sete bilhões em 2012, podendo chegar a 12 bilhões em 2050, se não se expandir ainda mais o uso de métodos anticoncepcionais.
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) informou que 190 milhões de mulheres ficam grávidas por ano, e aproximadamente 50 milhões recorrem ao aborto. Enquanto isso, os abortos inseguros matam cerca de 68 mil mulheres todos os anos, e deixam outros milhões incapacitadas por longo prazo. “A taxa de morte para as mulheres que dão à luz continua sendo o indicador mais cru da disparidade entre ricos e pobres, tanto dentro quanto entre os países”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Segundo Ban, os benefícios do planejamento familiar continuam fora do alcance para muitos, especialmente daqueles que, em geral, têm mais dificuldade de obter informação e os serviços necessários para planejar suas famílias. A diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid, disse que as mortes e as seqüelas de incapacidade por causa de abortos ou partos mal praticados poderiam diminuir drasticamente se cada mulher tivesse acesso a serviços de saúde durante toda a vida, e especialmente na gravidez e no parto.
“Hoje, milhões de mulheres carecem de acesso a serviços de saúde, o que coloca suas vidas em perigo”, alertou Obaid. “São necessárias ações urgentes, porque o objetivo de melhorar a saúde materna é o que recebe menos recursos e está ficando atrasado”, disse à IPS. A falta de recursos para prevenir a mortalidade materna ocorre em parte pelo fato de o governo do presidente norte-americano, George W. Bush, reter sistematicamente fundos do UNFPA – sobretudo nos últimos dias – principalmente por razoes de políticas internas.
Consultada sobre como a redução de fundos terá impacto no planejamento familiar e na saúde reprodutiva nos países em desenvolvimento, Tâmara Kreinin, diretora-executiva de Mulheres e População da Fundação das Nações Unidas, disse: “A retirada de financiamento pelos Estados Unidos nos últimos sete anos teve sérias conseqüências para as mulheres e jovens de todo o mundo”. Kreinin afirmou que os US$ 34 milhões que Washington vem retirando a cada ano representam quase 10% do orçamento regular do UNFPA.
“Este dinheiro poderia ter ajudado o UNFPA a prevenir dois milhões de gravidez não desejadas, 800 mil abortos, 4.700 mortes de mães e mais de 77 mil mortes de bebês”, disse Kreinin à IPS. Alem disso, afirmou que aproximadamente 181 paises industrializados e do Sul em desenvolvimento, incluindo todos os da África subsaariana e a América Latina.
“Este dinheiro poderia ter ajudado o UNFPA a prevenir dois milhões de gravidez não desejadas, 800 mil abortos, 4.700 mortes de mães e mais de 77 mil mortes de bebês”, disse Kreinin à IPS. Alem disso, afirmou que aproximadamente 181 paises industrializados e do Sul em desenvolvimento, incluindo todos os da África subsaariana e a América Latina contribuem com o UNFPA para expressar sua solidariedade. “Deixando de apoiar as mulheres que precisam de atenção médica reprodutiva e planejamento familiar, os Estados Unidos estão minando os esforços para melhorar a vida das mulheres em todo o mundo”, acrescentou.
A funcionária afirmou que a atitude de Bush envia a mensagem de que os Estados Unidos, a nação mais poderosa do planeta, está abdicando de seu crucial papel de liderança quando se trata do bem-estar das mulheres e meninas. Os 10 principais doadores do UNFPA em 2007 foram Holanda, Suécia, Noruega, Grã-Bretanha, Japão, Dinamarca, Alemanha, Finlândia, Espanha e Canadá. Desde 2002, a administração Bush retirou um total de US$ 235 milhões do UNFPA, e esses fundos já foram realocados pelo Congresso.
O governo norte-americano argumenta que tomou essa decisão por rechaçar o programa do UNFPA na China, e acusa a agência de fornecer “recursos financeiros e técnicos” para realização de abortos e esterilizações coercitivas nesse país. O UNFPA nega essas acusações. Consultada sobre o financiamento sob um futuro governo norte-americano, Anika Rahman, presidente da organização Norte-americanos pelo UNFPA, afirmou: “Já estamos a caminho de garantir que nosso próximo presidente seja consciente da importância da saúde das mulheres no mundo”.
“Junto aos muitos partidários da organização, temos possibilidades de acabar com o desprezo que nosso governo demonstra às mulheres do mundo. Norte-americanos pelo UNFPA está se preparando para pedir ao próximo governo, não apenas fundos, mas que também comece a fazer algo pelos US$ 235 milhões retidos desde 2002”, afirmou Rahman. (IPS/Envolverde)

