PALESTINA: Bloqueios levam ao desmoronamento

Hebrpn, Cisjordânia, 24/07/2008 – As forças armadas de Israel instalaram três postos de controle a mais na estrada entre os povoados de At-Tuwani e Yatta, na área Cisjordaniana do território palestino. Além de ser um forte centro econômico em sua região, Yatta, de 45 mil habitantes, fornece serviços-chave de saúde, educação média e numerosos escritórios da administração pública das localidades vizinhas. Esta cidade fica oito quilômetros ao sul de Hebron, uma das principais cidades da Cisjordânia com 200 mil habitantes, 30 quilômetros ao sul de Jerusalém, reivindicada tanto por israelenses quanto por palestinos como capital.

Várias comunidades das colinas ao sul de Hebron continuam com o fornecimento de produtos básicos interrompido. Os postos de controle agravam o problema, pois a estrada é a principal via para o fornecimento de água a regiões que hoje sofrem uma grave seca. Segundo moradores do local, os bloqueios e controles duplicaram o preço da água. O custo de seu transporte aumentará 30% pela instalação dos novos postos, segundo um trabalhador da Organização das Nações Unidas. Não se trata dos únicos controles instalados na Cisjordânia, apesar das promessas do governo de Israel de que facilitaria o acesso interno de palestinos em territórios ocupados.

O Banco Mundial alertou no começo do ano que o sistema de vigilância e controle israelense causava grandes prejuízos à economia Palestina, e que, se isso não fosse atenuado, a queda livre continuaria apesar dos US$ 7,4 bilhões em ajuda prometidos pela comunidade internacional. O Ministério da Justiça de Israel respondeu que “em certas ocasiões o acesso a determinadas estradas fica restrito por ameaças reais à segurança”, mas acrescentou que, “de todo modo, estas restrições são levantadas logo que a ameaça desaparece”. A organização israelense de direitos humanos B’Tselem acusou esse ministério de distorcer a realidade. “Mais de 300 quilômetros de estradas da Cisjordânia estão parcial ou completamente vedados aos palestinos de maneira permanente, sem que exista uma ameaça específica”, assegurou. Além do prejuízo econômico, os controles impedem os palestinos de receberem tratamento medico, pois as ambulâncias são frequentemente paradas nesses postos ou obrigadas a regressar, sem importar a gravidade do passageiro. Muitas mulheres são obrigadas a dar à luz em postos de controle e muitos pacientes morreram nesses lugares.

Pacientes que se dirigem à sala de urgências do Hospital Salfit, no norte da Cisjordânia, costumam passar horas nos três postos de controle do distrito, disse à IPS o diretor local de saúde primária, o médico Bassen Abu Mahdi. “Outro perigo enfrentando tanto pelos que seguem a pé quanto pelos que viajam em veículos é sofrer disparos acidentais de soldados israelenses nervosos”, disse Mahdi. “Isso já aconteceu. Para evitar o problema, muitos não saem à noite e esperam amanhecer para ir em busca de tratamento de urgência. E o tempo corre”, acrescentou.

Os israelenses asseguram que os controles e as restrições são necessários para garantir sua segurança. Mas os palestinos os acusam de impor um castigo coletivo a toda a populaça, e de proteger, em primeira instancia, os colonos judeus na Cisjordânia. “Isto está destruindo o sustento dos palestinos, sua economia, sua agricultura, sua educação e sua saúde”, disse Saeb Erekat, o principal negociador de paz pelo lado da Autoridade Nacional Palestina, a cargo do governo da Cisjordânia.

Este território está dividido ferreamente em três cantões: norte, centro e sul, de acordo com o informe emitido em janeiro pelo então relator especial da ONU para a Palestina, John Dugard. Esta divisão limita a liberdade de movimentos pela Cisjordânia de palestinos com propósitos sociais, médicos, empresariais ou educacionais. O distrito de Naplusa, no norte, está praticamente rodeado pelo exército israelense, e apenas entrem na cideade de mesmo nome que tiver a documentação necessária.

“O movimento é mais fácil dentro dessas áreas, mas entre elas surgem dificuldades pela combinação de controles de segurança e outros obstáculos físicos”, segundo o informe da ONU. A instalação de postos de controle criou, de fato, um sistema de estradas limitadas ao uso por israelenses, o que obriga os palestinos a usarem rotas alternativas de trânsito restrito. “Os novos obstáculos físicos limitaram o acesso à terra, aos mercados e aos serviços e às relações sociais”, acrescenta o estudo do relator da ONU.

O sistema de autorizações israelense impede os fazendeiros palestinos de chegarem às suas terras no vale do Jordão, e inclusive transportar seus produtos. As comunidades rurais estão isoladas das cidades. O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse em abril à secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que seupais havia removido 61 dos 500 postos de controle da Cisjordânia, como resultado das promessas da cúpula de Annapolis no ano passado. Mas o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCAH) advertiu que os controles subiram para 566 em setembro e 607 no final de abril passado. Além disso, seis dos 61 controles listados por Barack continuam funcionando. (IPS/Envolverde)

Mel Frykberg

Mel Frykberg began her journalism career reporting on unrest in black townships, including Soweto, in South Africa during the apartheid era. She later worked as a journalist in Sydney, Australia. Mel has worked as a journalist in the Middle East for over a decade. She has reported for a number of major international publications from Gaza, Jerusalem, Beirut, Cairo, and Amman where she has lived. Mel also edited local magazines and newspapers in the region and is a frequent commentator on the Israeli/Palestinian conflict on National Public Radio in the United States. Frykberg studied journalism in the U.K.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *