AMBIENTE: Edifícios verdes firmam presença na Índia

Bangalore, Índia, 18/09/2008 – As normas que na Índia regem a economia de energia nos edifícios não são de cumprimento obrigatório, mas nesta área o país é muito mais “verde” do que muitas nações ricas. “Em termos de ritmo e velocidade estamos significativamente adiantados”, disse Chandrasekhar Hariharan, diretor-gerente da empresa Conservação da Biodiversidade (BCIL), com sede em Bangalore, a maior construtora indiana de residências ambientalmente amigáveis. Um “edifício verde” está projetado para ser o mais eficiente possível nesse aspecto, bem como em seu consumo de recursos como água e materiais de construção e na destinação do lixo. Outra intenção é que seja viável tanto para o cliente quanto para o construtor em termos financeiros, estéticos e de funcionalidade.

A modesta superfície de 2.300 metros quadrados ocupada por este tipo de construção em 2003 cresceu para 2,3 milhões de m² em quatro anos e se projeta um aumento anual de 93 mil m² até 2010. Foi o que afirmou S. Raghupathy, diretor do Conselho de Edifícios Verdes da Índia (IGBC), organização criada em 2000 que reúne empresas, agências governamentais e instituições da sociedade civil. Uma das razoes que explicam sua rápida expansão é o sustentado crescimento da economia indiana e seu caráter de potência econômica emergente, o que alimenta a demanda de construções comerciais, residenciais e de infra-estrutura.

Embora o consumo por habitante seja muito menor na Índia do que nas economias ocidentais, o setor da construção e os edifícios passaram da utilização de 14% da energia gerada nos anos 70 para quase 30% atualmente. Os edifícios nos países ricos consomem cerca de 40% da energia gerada e são uma grande fonte de emissão de gases contaminantes, disse Mili Majumdar, diretora-associada de ciências de edifícios sustentáveis no Instituto de Recursos Energéticos (Teri). A maioria dos edifícios indianos copia os padrões ocidentais de uso intensivo de energia, por isso a eficiência é vital, devido ao rápido crescimento econômico, acrescentou.

A área comercial e residencial construída em 2004/2005 somou cerca de 40,8 milhões de metros quadrados, cerca de 1% do total anual médio em todo o mundo. A demanda e a escassez de oferta se mantêm. Segundo o Banco Nacional da Habitação, a Índia apresenta déficit de 8,9 milhões de moradias nas cidades. Em Bangalore, a premiada área residencial do BCIL, T-Zed (representação em inglês de “para o desenvolvimento de energia zero”), trata e recicla a água da chuva armazenada. Também utiliza calefação e iluminação solar e um sistema de ar-condicionado sem compressor que mantém as casas livres de pó e refrigeradas.

“Inclusive bebemos a água que sai dos encanamentos”, disse Taranjit Nair, uma moradora do complexo, mãe de dois filhos. Isto é um luxo na Índia, devido à pobre qualidade do fornecimento. Em Nova Délhi. O Teri ajuda o governo em seu esforços para estabelecer regulamentações na área da construção de moradias “verdes”. Seu edifico emblemático, o Centro de Habitat Indiano, representa uma ilha de espaços verdes e ventilados. Seu centro de treinamento em Gurgaon, a cerca de 50 quilômetros da capital, empregas numerosas técnicas para reduzir a demanda de energia com fins de refrigeração, calefação e iluminação.

Os padrões para edifícios “verdes” do IGBC se baseiam nos dos norte-americanos Liderança em Energia e Projeto Ambiental (LEED), que qualifica as construções por seu manejo de energia, disposição do lixo e qualidade do ar em interiores. Raghupathy rejeita o argumento de que as pautas do LEED não são aplicáveis na Índia por se basearem em conceitos com o uso de ar-condicionado, que são ocidentais. “Os princípios dos edifícios verdes são universais e a LEED está evoluindo constantemente”, afirmou. “A economia de energia e água atraem mais construtores comerciais ao IGBC”, acrescentou. (IPS/Envolverde)

Keya Acharya

A journalist with over 20 years of experience in in-depth writing and researching environment and development issues in Asia, Africa, Europe and Latin America. Keya has travelled widely, covering assignments in various areas of the world. Her research has included climate change, urban solid waste management, rural alternative energy systems, implementation of laws on industrial hazardous wastes, human rights, ecotourism, wildlife issues, transgenic cotton, corruption and environment, population and gender, e-governance, agribiotech and forests and encroachments, among other topics. Keya is vice chair of the Forum of Environmental Journalists of India, and has organised several media-training workshops, convened international media meetings and undertaken media study tours. Keya has won several research and media fellowships and is the recipient of the Press Institute’s award for Excellence in Human Development Reporting; the Prem Bhatia Award for Environmental Reporting, and the Green Globe Foundation award for Outstanding Media Contribution by a Media Individual. Keya has also conducted development journalism studies as visiting faculty, chaired media and international conference panels, and edited ‘The Green Pen’, an anthology of essays on environmental journalism, the first of its kind in South Asia, featuring the region's most prominent and respected environmental journalists.

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