México, 21/11/2008 – O próximo ano será difícil para os países da América Latina e do Caribe e se deverá lutar mais do que nunca para evitar retrocessos nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) também a partir dos meios de comunicação, disse na quarta-feira a diretora regional do Pnud, Rebeca Grynspan. A diretora do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para a América Latina e o Caribe fez esta afirmação ao convocar na capital mexicana a segunda edição do Concurso Jornalístico América Latina e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, organizado por essa entidade e pela agência internacional de notícias IPS.
O concurso, uma “homenagem a jornalistas que nos fazem tornar conquistável a utopia”, adquire maior relevância nestes momentos de crise, disse Grynspan. É urgente “relançar experiências, idéias, propostas de superação e histórias de vida vinculadas” aos ODM, acrescentou. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram adotados em 2000 pela comunidade internacional como uma plataforma de compromissos para erradicar a fome e a miséria, superar a desigualdade, proteger o meio ambiente e adotar um modelo de desenvolvimento sustentável em todo o mundo.
Para a primeira edição do concurso da IPS e do Pnud foram apresentados 466 trabalhos de 19 países, entre outubro de 2006 e junho de 2007. Os ganhadores foram jornalistas do Brasil, México e Uruguai. A cerimônia de entrega dos prêmios aconteceu no México em outubro do ano passado. A iniciativa premia trabalhos jornalísticos sobre qualquer tema ligado às também chamadas metas do milênio: pobreza e desenvolvimento, saúde, educação, igualdade de gênero, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Na segundo edição serão aceitos trabalhos escritos para meios de comunicação impresso e sites da Internet. Espera-se uma participação maior do que na primeira – já bastante concorrida – disse o diretor-regional da IPS (Inter Press Service) para a América Latina, Joaquín Costanzo. Ficou demonstrado que se pode escrever com qualidade e de maneira a atrair o leitor sobre as metas do milênio e seus temas periféricos, acrescentou. O objetivo de colocar estes assuntos na mídia é “louvável e necessário”, ressaltou.
Os jornalistas podem e devem mostrar o que ocorre em relação aos compromissos dos ODM e o impacto da crise financeira mundial, sobre a qual a região não tem culpa alguma, mas cujos efeitos sofrerá com o risco de converter a “pobreza conjuntural em pobreza estrutural”, disse Grynspan. “Os ODM se tornam agora mais relevantes, porque sabemos que quando vem um ciclo de baixa (de crescimento na economia) aumenta a desnutrição infantil, aumenta a mortalidade materna e a deserção escolar”, afirmou.
“São estes efeitos que fazem com que na América Latina transformemos pobreza conjuntural em pobreza estrutural, porque nunca há uma recuperação. Nunca recuperamos o que perdemos com uma criança desnutrida, nunca quando perdemos uma mãe”, afirmou Grynspan. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a proporção de latino-americanos e caribenhos pobres aumentou este ano em 3%, superando os 200 milhões de pessoas, devido à escalada dos preços dos alimentos e combustíveis e pelos primeiros efeitos da crise financeira global.
Nos últimos seis anos, a região teve crescimento médio do produto interno bruto por pessoa superior a 3%, feito inédito em 40 anos, segundo a Cepal. Essa agência das Nações Unidas indica que entre 2003 e 2007 a população pobre diminuiu de 44% para 33%. Os 190 milhões de pobres de um ano atrás representaram a menor proporção desde 1990. Depois do sustentado ciclo de crescimento, a Cepal estima que em 2009 a atividade econômica da região aumentará 3% do PIB, ou menos. Em agosto, a estimativa de crescimento era de 4%.
Grynspan disse que os países latino-americanos consumiram 25 anos para superar os danos dos anos 80 e foi somente em 2008 que retomaram o caminho do crescimento graças a fatores como “aumento dos preços das matérias-primas, expansão econômica mundial e financiamento fluido e barato”. Mas essas condições já não existirão em 2009, alertou. Na cerimônia de quarta-feira foi apresentado o livro “Crônicas urgentes – um olhar coletivo sobre a realidade latino-americana”, editado este ano pela IPS com os trabalhos premiados e algumas reportagens de jornalistas da agência. Participaram do ato 23 jornalistas da imprensa mexicana e internacional e representantes de agências da Organização das Nações Unidas. (IPS/Envolverde)

