DESENVOLVIMENTO-ÁFRICA AUSTRAL: Resgatando a bacia do Zambezi

Lilongwe, 04/12/2008 – Se os oitos países que compartilham a bacia do rio Zambezi na África austral querem realmente atingir suas metas de desenvolvimento sócio-econômico, deverão por em prática o quanto antes planos para administrar os recursos hídricos de forma efetiva, eficiente e sustentável. Esta é a conclusão do Quarto Fórum de Beneficiários da Bacia do Zambezi, realizado nesta cidade, capital de Malawi, dias 26 e 27 de novembro. O encontro – o primeiro dos quais foi em 2005 – tem por objetivo analisar a administração de recursos dessa rica região da África austral.

O fórum deste ano foi dedicado à discussão da implementação da Estratégia para uma Administração Integrada dos Recursos Hídricos. Do encontro participaram delegados de escritórios governamentais sobre meio ambiente, água, justiça, finanças, pesca, silvicultura, agricultura e energia, bem como representantes de organizações da sociedade civil, líderes tradicionais, acadêmicos, parlamentares e empresários.

A estratégia foi criada para que os oito Estados que compartilham a bacia – Angola, Botswana, Malawi, Moçambique, Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue – dividam os benefícios gerados pelo rio de forma eqüitativa e sustentável. A secretária principal para Irrigação e desenvolvimento da Água de Malawi, Andrina Mchiela, alertou no fórum que há vários sinais preocupantes na região. Muitos rios secam antes de chegarem aos lagos ou aos mares, e os mangues estão desaparecendo rapidamente. Também destacou a importância de implementar o quanto antes a estratégia.

O plano está destinado a atender quatro necessidades concretas: a falta de uma coordenação no desenvolvimento hídrico, a má administração ambiental da região, a falta de medidas de adaptação diante da mudança climática e a fraca política de cooperação e integração regionais. “Falta uma cuidadosa administração dos recursos hídricos na baixa do rio Zambezi”, disse Mchiela. A secretária também disse que existe uma demanda crescente por água potável na região, que atualmente utiliza 50% de todos os recursos. “Segundo a atual tendência, até 2025 estaremos usando 75% de toda a água potável”, previu.

Em todo o mundo, mais de um bilhão de pessoas carecem de água limpa, dois bilhões não têm saneamento adequado e sete bilhões sofrerão escassez em até 2015, segundo dados apresentados por Mchiela. “Necessitamos de pessoas na bacia que se dediquem a encontrar soluções para esses desafios”, acrescentou. Outro problema é o impacto da mudança climática. Segundo Kenneth Msibi, especialista em políticas e estratégias da água da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a do Zambezi é a bacia mais afetada do mundo. Espera-se, inclusive, que as já freqüentes inundações e as intensas secas aumentem no futuro.

Só em 2007, Botswana, Malawi, Moçambique, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue sofreram inundações que afetaram mais de meio milhão de pessoas. Msibi disse que uma grande parte da população da região vive abaixo da linha de pobreza, e que a administração da água tem um papel-chave no desenvolvimento econômico e social dos países. “O desafio é usar a água como um catalisador do desenvolvimento. Agora precisamos ver ações concretas na região para reduzir a pobreza e atingir a prosperidade econômica”, acrescentou. Msibi destacou que a bacia tem potencial para abastecer de água, alimentos e energia toda a região, se usada de forma efetiva. “Há muito potencial”, afirmou.

A bacia do Zambezi é lar de mais de 40 milhões de pessoas, segundo o informe 2007 do Fórum. É rica em diversidade humana, social, política, econômica e ecológica e tem potencial para a agricultura, pesca, silvicultura, vida selvagem e geração de energia hidrelétrica. David Harrison, assessor do internacional Global Freshwater Team, chamou os países da região a seguirem o exemplo da administração atual da bacia do rio Yangtze, na China. Harrison elogiou as iniciativas chinesas para controlar as inundações, bem como a construção e operação de represas de maneira que não causem impacto no rio nem em sua população aquática. (IPS/Envolverde)

Pilirani Semu-Banda

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