Nações Unidas, 30/01/2009 – O Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) anunciou que este ano será necessário arrecadar aproximadamente US$ 1 bilhão para atender as necessidades básicas de mulheres e crianças em áreas de desastre em todo o mundo, a maioria na África subsaariana. “Muitos países mencionados no informe vivem situações de emergência silenciosa, esquecida”, disse Ann M. Veneman, diretora-executiva do Unicef, em um documento escrito divulgado na terça-feira. “Apesar de todos os dias muitos meninos, meninas e mulheres morrerem devido às doenças, à pobreza e à fome, trata-se de mortes que, infelizmente, passam despercebidas”, acrescentou.
O Informe de Ação Humanitária 2009, um pedido de fundos para ajudar as vítimas de emergências prolongadas, enfatiza os efeitos do rápido aumento nos preços dos alimentos e também da mudança climática. “Aqui nos centramos na redução de riscos. Há vários desastres naturais que podem ser previstos a cada ano, como um furacão no Haiti ou uma inundação na Índia, e estamos tentando trabalhar com os governos para reduzir o dano com antecedência”, disse à IPS o porta-voz do Unicef, Patrick McCormick.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), o aumento de 50% nos preços dos alimentos entre 2007 e 2008 teve como resultado um aumento maciço da quantidade de pessoas que se encontram em “status de fome” preocupante, de 850 milhões a 950 milhões no último ano. O Unicef também citou prognósticos “alarmantes” em matéria de mudança climática, como um contínuo aumento na quantidade e no impacto de desastres naturais como inundações, furacões e secas, que se acredita afetarão mais o Sul em desenvolvimento e as comunidades que vivem na pobreza. Além disso, o Unicef citou o crescimento da população, a urbanização e os custos de combustíveis como fatores de preocupação.
O informe é divulgado em meio a uma crise financeira mundial que piora e que viu muitas nações em desenvolvimento deslizarem mais profundamente para a pobreza, e os países doadores reduzirem a assistência ao exterior. Um pedido de ajuda para 2009 do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocah) da Organização das Nações Unidas diz que, no passado, uma crise financeira em um país doador teve como resultado que essa nação reduzisse suas colaborações no ano seguinte.
A petição da Ocah afirma que países como Suécia e Dinamarca prometeram manter sues orçamentos de assistência humanitária apesar da crise econômica mundial, mas, admitiu que este ano será um desafio para as agências humanitárias. “Veremos. O Unicef tem financiamento totalmente voluntário e a crise não ajudará, mas esperamos que não haja um problema”, disse McCormick. O pedido do Unicef inclui 36 países objetivos, 24 deles na África. Cerca de metade de todos os fundos necessários serão destinados a cinco países: Sudão, República Democrática do Congo, Zimbábue, Uganda e Somália.
Como ocorre com a maioria das nações relacionadas, os principais pontos de atenção são saúde e nutrição, água, saneamento, higiene e educação. O Unicef reconheceu a dificuldade de abordar estes assuntos em áreas voláteis como sua prioridade principal, o Sudão. Entretanto, o informe expressa confiança de que através da cooperação com sócios locais se possa concretizar melhorias sobre os êxitos do ano passado nesse país, quando a agência da ONU pôde entregar ajuda a aproximadamente metade da população afetada. O Unicef também citou uma campanha de emergência de vacinação contra o sarampo e a pólio em 2008, que conseguiu cobertura de 90%.
Além da contínua assistência alimentar e não alimentar, o Unicef espera superar seus êxitos de 2008 no Sudão, com objetivos como manter novos programas hídricos, instalar latrinas nas casas, capacitar as comunidades locais para operar estas instalações e promover uma conscientização em matéria de higiene. Cerca de 500 mil pessoas foram assassinadas e 2,5 milhões tiveram que fugir de suas casas desde 2003, em uma situação que a agência de refugiados da ONU descreveu com “apocalíptica”.
Outro item é a “proteção infantil”, que incluiu informar sobre violações dos direitos humanos relacionados às crianças e educação sobre os riscos das minas terrestres, mas que chega amplamente sob a forma de ajuda psicológica para crianças que crescem em áreas devastadas por guerras. A proteção infantil é uma preocupação proporcionalmente alta em dois dos 10 principais países listados no informe (Iraque e Palestina) onde a violência é uma habitual causa de morte. O relatório representa apenas uma fração da missão do Unicef, refletindo a severidade dos assuntos que enfrentam mulheres e crianças que vivem na pobreza. “Temos de ser otimistas para continuar com este negocio”, afirmou McCormick. (IPS/Envolverde)

