MUDANÇA CLIMÁTICA: Obama acaba com a era da negação

Washington, 28/01/2009 – Ambientalistas elogiaram as primeiras medidas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, estabelecendo novos critérios sobre contaminação e uso eficiente do combustível para automóveis e caminhões, medidas que seu antecessor, George W. Bush, rejeitou ou ignorou. No sexto dia de sua administração, Obama determinou à Agência de Proteção Ambiental que reconsidere a negativa de Bush de 2007 sobre um pedido da Califórnia e de outros 13 Estados para implementar rígidos novos limites às liberações de gases por veículos, que contribuem para o aquecimento global. Também determinou ao Departamento de Transporte que acompanhe uma nova lei no Congresso para criar automóveis e caminhões com um consumo mais efetivo a partir de 2011.

O anúncio de Obama coincidiu com a nomeação pela secretária de Estado, Hillary Clinton, do enviado especial para mudança climática, Todd Stern, que foi assessor no governo de Bill Clinton (1993-2001) e negociador internacional do Protocolo de Kyoto de 1997, o acordo internacional que exige dos países ricos redução em suas emissões de gases de efeito estufa até 2012 em relação aos níveis de 1990. O presidente Clinton assinou o Protocolo, mas nunca o enviou ao Senado para ser ratificado, enquanto Bush, pouco depois de assumir em 2001, rejeitou o acordo argumentando que sua implantação poderia prejudicar a economia norte-americana. “O tempo de negativas, demoras e disputas acabou”, afirmou Stern na segunda-feira em uma cerimônia no Departamento de Estado. “Chegou a hora de os Estados Unidos assumirem seu legitimo lugar na mesa de negociações. Precisamos nos envolver em uma vigorosa e drástica diplomacia”, disse.

As diretrizes de Obama foram as últimas de uma série de ações tomadas desde que assumiu no último dia 20, entre elas o fechamento da prisão na base militar de Guantânamo, em Cuba, no prazo de um ano; proibição de tortura contra suspeitos de terrorismo detidos em prisões da Agência Central de Inteligência (CIA); fim do bloqueio de fundos norte-americanos para clinicas e outras organizações no exterior que poderiam apoiar ou realizar abortos.

Todas estas medidas foram aplicadas tanto para cumprir suas promessas de campanha quanto para destacar as diferenças com o governo Bush. “Isto constitui uma clara quebra com o enfoque da administração passada, de nada fazer sobre o aquecimento global e depender do petróleo”, disse Kevin Knobloch, presidente da União de Cientistas Comprometidos, ao comentar os anúncios da segunda-feira. A decisão de permitir que os Estados adotem padrões mais rígidos de emissão é “um claro indicio de que a nova administração está disposta a liderar em assuntos de energia e aquecimento global”, acrescentou. “Com este anúncio, o presidente Obama começa a cumprir sua promessa de campanha de voltar a colocar a ciência em seu legitimo lugar na tomada de decisões federais”, ressalto Knobloch.

Em seu anúncio, Obama destacou que as duas medidas têm o objetivo de reduzir a dependência dos Estados Unidos do petróleo. Esta dependência constitui “uma das mais sérias ameaças que nossa nação enfrenta. Favorece ditadores, paga a proliferação nuclear e financia os dois lados da luta contra o terror”, afirmou. O presidente norte-americano também se referiu a uma “ameaça de longo prazo da mudança climática” usando palavras que Bush havia reservado apenas para “sua guerra mundial contra o terrorismo”. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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