Jerusalém, 08/01/2009 – Israel começa a analisar a forma de por fim à ofensiva militar na Faixa de Gaza, sobretudo após o bombardeio de uma escola quando morreram mais de 40 pessoas.
Para Shalev, a grande pergunta é: “Os líderes de Israel saberão o que fazer para alcançar nossos objetivos de guerra?”. O ataque à escola ressalta o que John Ging, chefe da UNRWA em Gaza, insiste desde que Israel lançou a ofensiva: a população palestina está bloqueada e efetivamente não tem uma rota de fuga efetiva das hostilidades. Pressionados pela deteriorada situação dos civis, Israel informou à Organização das Nações Unidas que implementaria ontem um cessar-fogo unilateral de três horas nas hostilidades como um “interlúdio humanitário”. Mas, as próximas 48 horas serão chaves para determinar se será possível adotar um cessar-fogo de longo prazo, bem como para saber se Israel é capaz de desenhar sua própria saída do conflito.
O gabinete de segurança de Israel se reuniu ontem. As opções, segundo funcionários do governo, eram redobrar a campanha militar e o certo a Gaza para acabar com os bastiões do Hamás (Movimento de Resistência Islâmica) ou apostar na via diplomática. “Possivelmente, as duas opções possam ser adotadas em conjunto”, disse o analista. Bem antes do ataque à escola, os esforços diplomáticos internacionais ganharam terreno, sobretudo com a visita ao Oriente Médio do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e de uma delegação de chanceleres da União Européia, além do tardio envolvimento de funcionários dos Estados Unidos, que buscavam uma solução diplomática que fosse satisfatória tanto para Israel quanto para os interesses estratégicos de Washington.
Os líderes israelenses especificaram três condições para acabar com a ofensiva: absoluto fim dos ataques com foguetes por parte do Hamás contra localidades do sul de Israel, hermético controle da fronteira entre Gaza e Egito para impedir o contrabando de armas, e a exclusão de qualquer elemento da organização islâmica em todas as fronteiras. Gioria Eiland, ex-chefe de planejamento estratégico do exército israelense, apresentou a equação sem rodeios. Falando para a Televisão de Israel na noite de terça-feira, disse: “O Egito é a chave para um acordo. Não é preciso nem mesmo um componente internacional para supervisionar a fronteira Egito-Gaza, nem para elaborar o acordo ou controlá-lo desde o terreno”. “É um assunto puramente os egípcios e nós. Precisamos dizer-lhes: “Vocês querem os pontos de passagem abertos todo o tempo para evitar o sofrimento de civis palestinos em Gaza. Nós garantimos isso, com a condição de que vocês também garantam que não serão enviadas armas ao Hamás através de suas fronteiras”, acrescentou Eiland. Antes dos assassinatos na escola da UNWRA, os funcionários israelenses trabalhavam a idéia de um acordo de fato, sem o Hamás. Mas esse bombardeio mudou a situação.
O Egito assumiu um papel mais enérgico para pressionar o Hamás a aceitar um cessar-fogo. O restante da comunidade internacional redobrou sua insistência quanto à necessidade de acabar com as hostilidades. E além disso, a tragédia desatou as primeiras declarações do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a situação em Gaza. Obama deplorou o sofrimento de civis nos dois lados.
Entretanto, alguns especialistas militares israelenses afirmam que deter a ofensiva agora significaria desfazer todos os avanços táticos e estratégicos conseguidos para reduzir a fortaleza do Hamás, o que permitiria o ressurgimento dessa organização. Contra isto, outros especialistas militares, incluindo o próprio ministro da Defesa, Ehud Barak, reiteram o argumento de que um cessar-fogo de 48 horas para a atenção humanitária poderia servir a Israel e garantir as metas de sua campanha.
(IPS/Envolverde)


