Nações Unidas, 07/01/2009 – Decepcionados pela falta de ação do Conselho de Segurança Da Organização das Nações Unidas sobre a grave situação em Gaza, diplomatas de vários países do Sul tentam levar o caso da invasão desse território palestino por Israel à Assembléia Geral.
Países como Malásia, Indonésia, Irã e Venezuela estão a favor de pedir à Assembléia Geral, de 192 membros, a adoção de uma resolução deplorando o assassinato de civis por parte de Israel e cobrando um imediato cessar-fogo, disse a fonte. Mas, acrescentou que alguns países árabes e outras nações expressam reservas sobre esta iniciativa. Ao contrário do Conselho de Segurança, a Assembléia Geral não tem autoridade para implementar suas resoluções pela força. Porém, seu veredito em assuntos internacionais de guerra e paz é considerado importante porque responde a um voto majoritário sobre uma base igualitária.
Em uma declaração feita na segunda-feira, o Movimento dos Países Não-Alinhados (Noal), que tem sólida maioria na Assembléia Geral, disse estar profundamente desiludido com a “incapacidade do Conselho de Segurança para assumir suas responsabilidades de manter a paz e a segurança internacionais”. O grupo de 118 nações em desenvolvimento cobrou de Israel o fim do “castigo coletivo” de palestinos e respeito “incondicional” às suas obrigações como força ocupante sob o direito internacional e às relevantes resoluções da ONU.entretanto, essa demanda não é aceitável para o aliado mais próximo de Israel, os Estados Unidos, que gozam de poder de veto no Conselho de Segurança, formado por 15 membros.
No sábado, Washington bloqueou uma declaração presidencial desse órgão pedindo às duas partes um imediato cessar-fogo. “Queremos que isto termine”, disse o embaixador norte-americano nas Nações Unidas, Zalmay Khalilzad, antes das consultas informais no Conselho de Segurança na segunda-feira. “Mas, são necessarios certos compromissos duradouros nos quais se pode trabalhar”, acrescentou. Quando um jornalista pediu que esclarecesse o que desejava dizer com “compromissos práticos”, o diplomata respondeu: “um ce3ssar-fogo que tenha a ver com os foguetes” palestinos e com a ofensiva israelense.
“Queremos um acordo que possa durar”, disse Khalilzad, acrescentando que o governo de George W. Bush está contra um cessar-fogo incondicional por temer que o Hamás (Movimento de Resistência Islâmica) o utilize para se rearmar, como fez o Hezbolá (Partido de Deus) no Libano. Conversas com vários diplomatas sugerem que os Estados Unidos não mudarão sua postura antes da posse do novo presidente, Barack Obama, e que até lá os israelenses continuará com sua operação militar em Gaza.
Descrevendo a situação como “alarmante”, o chefe de operações humanitárias da ONU, John Holmes, disse na segunda-feira que a morte de civis aumentava conforme se intensificavam as operações terrestres israelenses, junto com os bombardeios aéreos. “Buscaos urgente um cessar-fogo. Não sabemos exatamente o número de vitimas. Os relatórios indicam que são mais de 500. os hospitais lutam para atendê-las. Falta energia”, disse Holmes aos jornalistas.
John ging, da Agencia das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos no Oriente Médio (UNRWA), qualificou a situação em Gaza de “arrepiante”. Em uma teleconferência, Ging, que entrou no território palestino na segunda-feira, afirmou: “As ruas estão vazias. É realmente horrível. As pessoas estão aterrorizadas. Não há para onde fugir”. Holmes lembrou que havia pedido insistentemente um cessar-fogo por razões humanitárias. “Mas, não vejo nenhuma resposta ao meu pedido”, afirmou. O funcionário alertou que a crise piora a cada dia.
Diante da possibilidade de um desastre humanitário em Gaza, o presidente da Assembléia Geral, Miguel D’Escoto, reiteradamente cobrou um cessar-fogo, qualificando a ofensiva israelense de “monstruosidade”. Na segunda-feira, seu porta-voz, Enrique Yeves, criticou severamente o Conselho de Segurança por não adotar uma declaração. “Este órgão foi criado para estabelecer a paz”, afirmou, acrescentando que, contrariamente às esperanças de muitos, não conseguiu deter o “massacre em Gaza”.
Na segunda-feira, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, qualificou de “clara agressão” as ações de Israel, e exigiu um imediato fim das operações militares no território ocupado. “Queremos que o Conselho de Segurança aja de forma decisiva e rápida”, disse aos jornalistas antes de participar de uma reunião com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e vários chanceleres árabes.


