Ramalá, Palestina, 07/01/2009 – Civis palestinos fogem de suas casas enquanto as forças de Israel continuam bombardeando e cercando a Faixa de Gaza. Até agora, 145 pessoas morreram somente na invasão terrestre lançada na noite de sábado. O número total de mortes em Gaza passa dos 575, com mais de 2.500 feridos desde o início da Operação Chumbo Derretido no dia 27 de dezembro, segundo fontes palestinas. O coordenador humanitário da Organização das Nações Unidas, John Holmes, disse que pelo menos 125 das vitimas fatais são civis. Funcionários da área da saúde de Gaza dizem que esse número passa de 200.
Há registro de que mais de 20 palestinos morreram na manhã de ontem quando os barcos de guerra israelenses ancorados na costa bombardearam a localidade de Deir Al Balah e um acampamento de refugiados no centro da cidade de Gaza. Abdaá Al Agha, de 30 anos, de Khan Yunis, ao sul de Deir Al Balah, disse que durante toda a noite houve fortes explosões e contínuo fogo de artilharia. “Era impossível dormir. Ouvíamos grandes bombas em intervalos regulares. Minha irmã de 15 anos, Furat, tinha medo de ficar sozinha e insistia para alguém estar com ela o tempo todo”, contou Agha à IPS. “Todos ficam dentro de casa. É um toque de recolher voluntário. Esperamos que esta zona civil não seja bombardeada, mas ainda estamos muito assustados”, acrescentou.
Pelo menos 30 pessoas morreram quando um tanque israelense disparou contra uma escola da ONU no acampamento para refugiados de Kabaliya, informou a rede britânica BBC. Enquanto isso, combatentes palestinos continuam disparando mísseis contra Israel: 40 foguetes Grade e Qassem foram lançados na manhã de domingo. Três civis israelenses morreram. Quatro soldados de Israel também morreram, vitimas do “fogo amigo”, na segunda-feira, elevando o número total de baixas israelenses para cinco desde que começou a operação por terra. Os soldados estavam em uma casa abandonada no acampamento de Kabaliya, na periferia da cidade de Gaza, quando foram atingidos por um projétil errante disparado pelas Forças de Defesa Israelenses.
O acampamento para refugiados de Al Brej, a 15 minutos de carro da cidade de Gaza, também foi bombardeado na noite de segunda-feira e durante a manhã de ontem. Raghda Al-Jadely, de 44 anos, morador em Al Brej, disse que dezenas de pessoas haviam morrido. “A maioria destes mortos era de civis, mas também morreram alguns combatentes. Os israelenses dispararam contra as casas de vários líderes da resistência”, afirmou Jadely. “Agora há combatentes por todo lado nas ruas e tememos que os israelenses nos bombardeiam novamente e nos matem. Estamos fugindo do acampamento para ficarmos com a família em outra zona”, disse à IPS.
A rede de energia elétrica está caída em grande parte da Faixa de Gaza e os hospitais dependem de geradores. Israel permitiu a entrada de uma quantidade simbólica de combustível, mas a maioria foi bloqueada como parte do cerco a Gaza, segundo o coordenador humanitário da ONU. Estima-se que 70% dos moradores do território palestino carecem de água encanada. A Empresa de Água para Municipalidades Costeiras (CMWU) informou o colapso do sistema. O subdiretor da companhia, Maher Al Njjar, disse que 48 dos 130 poços de Gaza não funcionam devido à falta de eletricidade e dano nas tubulações.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que se necessita desesperadamente de suprimentos médicos, incluindo sangue e remédios. O exercito israelense impediu que equipes de cirurgiões da organização entrassem em Gaza. Embora Israel garanta que a operação militar se destina a deter os lançamentos de foguetes por parte do Hamás, parece que o verdadeiro objetivo é aniquilar completamente essa organização. A chanceler israelense, Tzipi Livni, disse que se o Hamás continuar controlando Gaza será um grande problema para Israel e toda a região. “Creio que precisamos chegar a uma situação em que não permitamos mais que o Hamás governe’, afirmou o vice-primeiro-ministro israelense, Haim Ramon, na sexta-feira na TV israelense. “Isso é o mais importante”, acrescentou.

