BID: uma gota no oceano

Medellín, Colômbia, 31/03/2009 – A disposição norte-americana eliminou dúvidas sobre a próxima capitalização do Banco Interamericano de Desenvolvimento, reclamada pela hierarquia da entidade e pelos países latino-americanos, mas o crédito adicional em pouco contribuirá para minimizar os efeitos da crise internacional. O BID deverá aumentar seu capital de US$ 100 bilhões para algo entre US$ 250 bilhões e US$ 280 bilhões, segundo a proposta de seu presidente, o colombiano Luis Alberto Moreno, baseado no estudo de uma comissão independente, liderada pelo ex-primeiro-ministro do Peru, Pedro Pablo Kuczynski.

Há certo consenso para iniciar o processo de recapitalização, mas sua concretização exigirá muitas consultas e negociações, admitiu Moreno. A 50ª reunião da Junta de Governadores decidiu que a gerencia do banco “inicie imediatamente” uma revisão das necessidades de aumento do capital ordinário e do Fundo de Operações Especiais e apresente “até o final de abril” alternativas para ampliar os empréstimos de emergência para uma rápida resposta par à crise.

A presença do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, na assembléia de governadores do BID e seu discurso na sessão inaugural, domingo à noite, deram esperanças de que a instituição disporá em breve de mais recursos para ampliar os empréstimos à América Latina e ao Caribe, compensado em parte a queda do fluxo internacional de capital privado. Washington tem participação de 30% no capital do banco e, portanto, sua posição é decisiva em todas as questões do BID.

Esta e outras instituições financeiras internacionais devem ampliar seus recursos para atender as demandas de financiamento da região “neste e no próximo ano”, disse Geithner, após elogiar a “capacidade única” do BID para “ajudar os países a aplicar programas adequados para restaurar um crescimento sustentável”. Mas, os empréstimos adicionais serão apenas “uma gota d’água” que não compensará a brutal retração do capital estrangeiro na América Latina, admitiu à IPS o ministro da Fazenda da República Dominicana, Vicente Bengoa. “Pelo menos ajudará a minimizar efeitos da crise, especialmente os sociais”, ampliando os investimentos do setor público, acrescentou.

Para Bengoa, um aumento de capital para US$ 280 bilhões permitirá ao BID elevar entre US$ 15 bilhões e US$ 18 bilhões seus empréstimos anuais à região. O recorde, registrado em 2008, foi de US$ 11,2 bilhões, mas a média nos últimos cinco anos foi de US$ 7 bilhões. De todo modo, é muito pouco em relação à queda dos investimentos estrangeiros na América Latina, que passaram de US$ 184 bilhões em 2007 para US$ 89 bilhões no ano passado e possivelmente cheguem a US$ 43 bilhões este ano, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Os aportes somados do BID, da Corporação Andina de Fomento e do Banco Mundial “não compensam a espetacular queda do fluxo de capital”, mas, é importante expandir a capacidade dessas instituições para compensar “parte das perdas de investimentos privados”, disse o uruguaio Enrique Iglesias, ex-presidente do BID e titular da Secretária Geral Iberoamericana. O ministro Bengoa disse temer que seja adiada uma decisão final sobre a recapitalização do BID. “Criar comissões indica resistência e dilações”, quando os novos recursos “são urgentes” na região para evitar a recessão e a “crise de governabilidade” que viriam com o agravamento dos problemas sociais que gerariam greves e distúrbios, ressaltou.

Seria “miopia” por parte de Washington rejeitar a capitalização do BID, porque uma recessão na América Latina agravaria a crise norte-americana, já que 40% das compras regionais procedem dos Estados Unidos, disse Bengoa. “Aos Estados Unidos interessa que a América Latina esteja bem”, corroborou Iglesias, descartando a possibilidade de uma rejeição ao aumento do capital do BID. A capitalização custaria muito pouco aos 48 sócios do banco. O aporte em dinheiro corresponderá a apenas 4% dos US$ 180 bilhões de aumento do capital ordinário, isto é, US$ 7,2 bilhões, e o restante seria atendido com garantias. Aos Estados Unidos tocaria desembolsar US$ 2,130 bilhões para manter sua participação acionária de 30%.

Além disso, o aporte será feito em quatro cotas anuais, segundo Kuczynski, que estimou em US$ 15 bilhões o total de empréstimos que o banco poderia conceder a cada ano, “de forma sustentável”, uma vez elevado seu capital ao nível pretendido. Mas a decisão de recapitalizar exige consenso, acrescentou. O BID, cujo 50º aniversário é comemorado nesta reunião anual que começou sexta-feira e termina hoje, já teve oito capitalizações, a última em 1995, durante a gestão de Iglesias, com capital adicional de US$ 40 bilhões. As quantias agora em discussão são “modestas” tendo em conta a inflação dos últimos 15 anos e as necessidades impostas pela crise financeira internacional, disse Kuczynski. Países pobres como Bolívia e Haiti reclamam aumento do Fundo de Operações Especiais do Banco, que lhes destina crédito a juros baixos e prazos longos.

Outra novidade desta reunião do BID foi a entrada da China como sócio número 48. sua adesão agregará US$ 350 milhões, que serão destinados especialmente aos países mais pobres e a investimentos de pequenas empresas, em condições favoráveis. IPS/Envolverde

Mario Osava

El premiado Chizuo Osava, más conocido como Mario Osava, es corresponsal de IPS desde 1978 y encargado de la corresponsalía en Brasil desde 1980. Cubrió hechos y procesos en todas partes de ese país y últimamente se dedica a rastrear los efectos de los grandes proyectos de infraestructura que reflejan opciones de desarrollo y de integración en América Latina. Es miembro de consejos o asambleas de socios de varias organizaciones no gubernamentales, como el Instituto Brasileño de Análisis Sociales y Económicos (Ibase), el Instituto Fazer Brasil y la Agencia de Noticias de los Derechos de la Infancia (ANDI). Aunque tomó algunos cursos de periodismo en 1964 y 1965, y de filosofía en 1967, él se considera un autodidacto formado a través de lecturas, militancia política y la experiencia de haber residido en varios países de diferentes continentes. Empezó a trabajar en IPS en 1978, en Lisboa, donde escribió también para la edición portuguesa de Cuadernos del Tercer Mundo. De vuelta en Brasil, estuvo algunos meses en el diario O Globo, de Río de Janeiro, en 1980, antes de asumir la corresponsalía de IPS. También se desempeñó como bancario, promotor de desarrollo comunitario en "favelas" (tugurios) de São Paulo, docente de cursos para el ingreso a la universidad en su país, asistente de producción de filmes en Portugal y asesor partidario en Angola. Síguelo en Twitter.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *