MULHERES: Trabalhar duro, trabalhar duro, trabalhar duro

Nações Unidas, 10/03/2009 – Uma das vozes mais progressistas da América do Norte é hoje a legisladora liberal canadense, médica e ativista comunitária, Ruby Dhalla. Nasceu em Winnipeg, em uma família originaria do Estado indiano de Punjab. Foi defensora da causa das mulheres, dos jovens, dos imigrante se dos indígenas. Também promove a participação do Canadá em instâncias internacionais a favor da democracia, da paz e da ação humanitária.

Dhalla integra a Rede Internacional sobre Mulheres e Política (IKnow Politics), projeto conjunto da Organização das Nações Unidas e outras instituições mundiais com a intenção de elevar a participação feminina. A IKnow Politics funciona como um espaço de trabalho on line onde as mulheres de todo o mundo compartilham experiências, conhecimentos, identidades. Para aconselhar, recrutar. Espero que as mulheres possam se conectar por esta rede e continuar acreditando e alcançando metas’, disse Dhalla à IPS, na sede da ONU em Nova York, onde assiste a 53ª sessão da Comissão sobre o Estatuto de Mulher.

IPS – Você é a primeira mulher originária do sudeste asiático eleita integrante de um parlamento do Ocidente, sendo reeleita duas vezes. O que isso significa para você?

Ruby Dhalla – Fui beneficiada por uma grande geração de líderes homens e mulheres que abriram muitas barreiras para que pessoas como eu avançasse. Mas, há muitos desafios. Há muitas lutas e sacrifícios, muitas outras barreiras que vejo caírem todos os dias. Quando uma criança negra de 6 anos me diz que quer se primeira-ministra sei que valeu a pena atravessar todas as barreiras pelas quais passei, viver todas essas batalhas e passar por todas essas dificuldades. Ver essa menina acreditando em si mesma é a experiência mais gloriosa.

IPS- Por quais obstáculos passou como mulher?

RD – No meu caso, ser jovem, ser mulher e atuar em política e ser de minha comunidade cultural me coloca em três grupos minoritários. Uma mulher negra não se educa para que creia na participação feminina na atividade política. Fui muito beneficiada por ter tido uma mãe que me apoiou muito e que me incentivou a romper os estereótipos tradicionais sobre o que uma mulher deve e não deve fazer. Acredito que não se marginaliza mais as questões que têm impacto nas mulheres, sejam de política externa, economia ou estratégias contra a violência e o terrorismo. Esses assuntos são tão importantes para as mulheres como o cuidado dos filhos e a saúde. Os desafios e as barreiras que elas enfrentam na atividade política são muitos, mas devemos ser fortes, ter visão e pele dura.

IPS – Em sua opinião, como o sexismo afeta o rendimento das líderes? E como devem enfrentá-lo?

RD – As mulheres devem ser mais duras, devem ser mais fortes e devem acreditar muito mais em sua visão. É importante nos cercamos de pilares e fortalezas, seja em nossa família ou entre nossos amigos. Também é preciso ter os confiança real em nós mesmas, e sonhos, sabendo que deveremos atravessar barreiras para alcançá-los e que sempre existe um caminho para isso, se cumpri-los se existe vontade.

IPS – Pela sua experiência, qual é a melhor maneira de avançar em política sendo mulher?

RD – Trabalhar duro, trabalhar duro. Garantir contarmos com uma boa equipe. Os pontos de referência de uma mulher são muito altos. Por isso é preciso trabalhar duro e empurrar para cima.

IPS – O que a ONU deveria fazer para acabar com a brecha de desigualdade na tomada de decisões entre homens e mulheres?

RD – A ONU tem um grande papel a desempenhar. As mulheres de diversas partes do mundo, de diversas comunidades, diferentes vivências e diferentes historias podem ter uma visão comum, uma meta comum, e a esperança de lutar pela igualdade. Para dar poder às mulheres é preciso dar poder às que lutam para serem ouvidas. É importante usar o senso comum para estabelecer programas de patrocínio, que unam as mulheres, mas também identificá-las, capacitá-las e recrutá-las. E também é necessário garantirmos que os partidos políticos façam o mesmo: que tenham mais candidatas, mais mulheres eleitas. Quando as mulheres se sentam à mesa, o nível do debate e das decisões sobe. IPS/Envolverde

Nergui Manalsuren

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