SAÚDE: Gripe suína ameaça ser pior do que a aviária

Bangcoc, 30/04/2009 – Quando a Organização Mundial da Saúde elevou o alerta da gripe suína da fase três para a quatro, esta semana, foi mais além do alarme causado pela fatal gripe aviaria no sudeste da Ásia. Esta agência da Organização das Nações Unidas acendeu a luz vermelha enquanto as autoridades do México – epicentro da epidemia – informa sobre 152 mortes suspeitas de serem causadas pelo vírus H1N1, também detectado em áreas do Canadá, dos Estados Unidos, da Europa, Ásia e do Oriente Médio. O alerta da OMS por uma possível pandemia global de gripe aviaria (H5N1) sempre permaneceu na fase três, recordou Peter Cordingley, porta-voz da Divisão Pacífico Ocidental da agência.

A passagem para a fase quatro “é a maneira de a OMS indicar” que o vírus H1N1 “está perto de causar uma situação de pandemia”, afirmou, entrevistado por telefone desde Manila, onde fica a sede regional da agência. “Pode se propagar internacionalmente”, explicou Cordingley. O alerta fase quatro é determinado ao se constatar “focos em nível comunitário” e contágio de humano para humano, como nos casos constatados nos últimos dias no México e em outros países. A gripe aviaria nunca chegou a esse estagio: não foram constatados casos de contagio que não fosse de animal para humano.

O alerta cinco é ativado quando ocorre se registra transmissão de humano para humano em “pelo menos dois países de uma região”, acrescentou o porta-voz. Já a fase seis é declarada quando a doença se torna pandêmica: os focos em nível comunitário são detectados “em pelo menos outro país em uma região diferente”. O temor de uma mutação do vírus H5N1 da gripe aviaria e de uma conseqüente pandemia levou a OMS a disparar o alarme no começo de 2004, quando o mundo esteve à beira de uma crise sanitária. A gripe aviaria é conhecida há cerca de 100 anos. Mas em 1997 ultrapassou a fronteira das espécies, quando aves contagiaram humanos.

Os especialistas alertavam nessa oportunidade que o H4N1 poderia mutar até se tornar transmissível de humano para humano, desatando uma pandemia semelhante ao foco da gripe espanhola que entre 1918 e 1919 matou 50 milhões de pessoas em todo o mundo. A OMS expressou preocupação pela possibilidade e o mal matar milhões de pessoas no cão de seu vírus se combinar com cepas do vírus da gripe humana. O porco, animal que sofre tanto os embates da gripe aviária quanto da humana, poderia, segundo esses informes, funcionar como laboratório onde se registraria a mutação. Desse modo, a gripe do frango poder se tornar contagiosa de humano para humano, disse a agência.

“A situação até há pouco tempo era, pelo menos tecnicamente, que estávamos preocupados pela magnitude do temor pela gripe aviária”, disse Cordingley. “Sempre nos preocupou que o vírus passasse pelos porcos – o recipiente de mistura – e que surgisse um novo vírus que infectasse os humanos”. Nesse cenário se formou o atual vírus letal, que se propaga entre humanos. “Houve uma variação genética entre cepas dominantes em currais, chiqueiros e comunidades humanas”, disse à IPS Subhash Morzaria, gerente regional do centro de emergências de doenças animais transfronteiriças da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com sede em Bangcoc.

“Foi confirmado que os vírus humanos e da gripe aviária infectaram os porcos se misturaram”, disse Morzaria. “As combinações não são raras. A variação de vírus nos porcos é freqüente. Mas a variação atual é nova. Nunca a vimos antes”. A preocupação de que o novo vírus H1N1 seja mais potente e letal que o H5N1 não é de se descartar. Nos mais de seis anos desde o surgimento da cepa da gripe aviária que infectou humanos na Ásia, e que desde então se trasladou a outras regiões do mundo, houve 421 casos no total, 257 mortais. O país mais afetado foi a Indonésia, com 115 mortes entre 141 infectados.

Em 2003, quando surgiu o foco asiático da síndrome respiratória aguda severa (SRAS), transmitida de animais para humanos e que tinha sintomas semelhantes aos da gripe, nem mesmo foi disparado o alarme de pandemia com a velocidade com que ocorreu desta vez com a gripe suína. Quando foi contida, a SRAS já havia matado 774 pessoas das oito mil infectadas em cerca de 20 países da Ásia, Europa e América. Depois das experiências da SRAS e da gripe aviária, os 10 países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) mostram confiança diante da nova conjuntura.

“Estamos melhor preparados depois de nossa experiência” com as duas epidemias anteriores, afirmou o bloco, formado por Birmânia, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietnã. “A Asean conta agora com mecanismos e redes que fortalecem a preparação e a resposta diante de uma possível pandemia”, acrescentou. Esses recursos incluem doses para meio milhão de tratamentos antivirais armazenados em Singapura e meio milhão já distribuídos, bem como equipamentos que já estão à disposição dos 10 países, informou o jornal The Nation, da Tailândia. IPS/Envolverde

Marwaan Macan-Markar

Marwaan Macan-Markar is a Sri Lankan journalist who covered the South Asian nation's ethnic conflict for local newspapers before joining IPS in 1999. He was first posted as a correspondent at the agency's world desk in Mexico City and has since been based in Bangkok, covering Southeast Asia. He has reported from over 15 countries, writing from the frontlines of insurgencies, political upheavals, human rights violations, peace talks, natural disasters, climate change, economic development, new diseases such as bird flu and emerging trends in Islam, among other current issues.

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