Bangalore, 21/05/2009 – Uma rara espécie de morcego corre risco de extinção por causa da destruição de seu habitat no oeste da Índia. O ecossistema da caverna de Barapede, que abriga os morcegos rabo de rato de Wroughton (Otomops wroughtoni), fica em Western Ghats, designado patrimônio biológico mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A espécie também é encontrada no nordeste da Índia e no Camboja, mas apenas aqui fazem seus ninhos e se reproduzem em um mesmo lugar. Em 2001, 2006 e 2007, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) declarou a espécie sob ameaça crítica.
O governo do Estado indiano de Karnataka ainda não declarou a caverna área protegida, o que significaria intensificar os controles, limitando a mineração e a construção. Isto impediria construir a represa no rio Mahadyi, possibilidade em estudo pelo governo estadual. “A mineração perto da caverna em áreas próximas e a construção dessa represa, que inundará a caverna, são as maiores ameaças para este frágil ecossistema”, disse o zoólogo Vijay Kupawade. O morcego será a espécie mais ameaçada. “Nada é mais fascinante do que uma raridade. Esse morcego comedor de insetos talvez seja um dos mamíferos mais raros do mundo”, disse à IPS J. C. Daniel, da Sociedade de História Natural de Bombay.
Descobertos em 1913, estes habitantes das cavernas de Barapede, cerca de 600 quilômetros a noroeste de Bangalore, foram encontrados nas fendas e dentro das cavernas. A espécie também foi encontrada, em 2000, no distrito cambojano de Chep, perto da fronteira com Laos e Tailândia. Um estudo de 2003 realizado por Kupwade estima que havia entre 167 e 185 morcegos na caverna, que tem 45 metros de comprimento, entre 20 e 24 de largura e seis de altura. Toda a área do ecossistema de Shola, de cinco quilômetros quadrados, está salpicada de cavernas de pedra de cal. Os morcegos “não saem da caverna em massa ao anoitecer, como outros”, disse Kupwade. “Antes do pôr do sol, entre três e seis morcegos voam ao redor da caverna para avaliar as condições de luz. Após alguns minutos de reconhecimento, informam aos outros sobre a segurança, através de ondas de ultrassom”, explicou.
No ecossistema das cavernas vivem tigres, panteras negras, leopardos, ursos negros, veados, elefantes, cobras e pítons, entre outros animais. Mas, são os morcegos que correm um perigo imediato de extinção. O escritório florestal fez um forte apelo à preservação. “A área de cinco quilômetros em torno das cavernas de Barapede, onde ficam os morcegos rabo de rato de Wroughton, não será alterada por nenhuma extração de madeira, produção florestal e nem plantação. São necessários cuidados especiais para impedir incêndios florestais”, dizia no ano passado um informe desse organismo.
A”Esta espécie está ameaçada pela alteração e destruição dos locais que habita e pela perseguição dos habitantes locais”, afirmou a UICN. Os morcegos são utilizados “como alimento e com fins medicinais”, afirmou a entidade. É necessário proteger os locais onde pousam estes mamíferos voadores, acrescentou. “Necessita-se de mais investigação de campo, estudos sobre distribuição, abundância, biologia reprodutiva, ecologia geral e controle de população desta espécie”, disse a UICN.

