Washington, 21/05/2009 – Ambientalistas e especialistas em energia aplaudem as regras anunciadas ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa por veículos que utilizam combustíveis fosseis. Estas normas, que começarão a dar frutos e 2012, estabelecem critérios rígidos em matéria de uso eficiente de combustíveis e fixam, pela primeira vez, limites para os gases que distorcem os padrões climáticos emitidos por automóveis e caminhões.
“Estas medidas reduzam radicalmente as emissões que causam o aquecimento planetário e nossa dependência do petróleo, ao mesmo tempo em que incentivam nossa independência energética”, disse o diretor-executivo da organização ambientalista norte-americana Sierra Club, Carl Pope. “O Congresso nos abriu o caminho para a imposição de veículos mais eficientes há dois anos, quando aprovou a primeira alta no nível dos padrões de combustível em mais de 30 anos. O presidente Obama acelerou radicalmente estes avanços”, acrescentou.
De acordo com o anúncio presidencial, a frota de caminhões e carros dos Estados Unidos será 40% mais limpa em 2016 do que é agora, com uma eficiência de 35,5 milhas por galão de gasolina (equivalente a cerca de 15,15 quilômetros por litro). “Os Estados Unidos, que têm menos de 5% da população mundial, concentram aproximadamente a quarta parte da demanda de petróleo”, disse Obama aos jornalistas, ontem. “Por este apetite pagamos um preço tremendo, medido por nossa vulnerabilidade diante da volatilidade dos mercados petroleiros, que mantêm os preços em alta e as famílias em situação difícil”, acrescentou.
Os carros, caminhonetes e outros veículos representavam em 2006 quase 24% das emissões de gases estufa do país, segundo o não-governamental Centre for American Progress Action Fund. Os novos critérios, que cobrem os modelos que sairão das fábrica no período 2012-2016, representam uma economia de 1,8 bilhão de barris de petróleo nesses quatro anos e redução nas emissões contaminantes de 900 milhões de toneladas. “Qualquer elemento de eficiência no uso de combustível adicional é bem-vindo”, disse Ailis Aaron Wolf, a porta-voz do projeto 40MPG.org (40 milhas por galão) do não-governamental Instituto da Sociedade Civil. “Quem acredita que os preços dos combustíveis continuarão relativamente baixos no longo prazo se engana. Quando dispararem novamente, os norte-americanos outra vez buscarão os veículos mais eficientes”, acrescentou.
O plano anunciado por Obama fixa para todo o país os padrões propostos pela Califórnia. Quando aprovou a lei respectiva em 2004, esse Estado bateu de frente com o então presidente George W. Bush, que não permitiu que a implementasse. Em sua primeira semana na Casa Branca, Obama pediu à Agência de Proteção Ambiental (EPA) que reconsiderasse a decisão.
“Aplaudimos a Califórnia e os Estados que pressionaram para levar os fabricantes de automóveis reticentes à mesa de negociações”, disse a presidente e fundadora do Instituto Sociedade Civil, Pam Solo. “A Casa Branca de Obama também merece crédito por conseguir que as partes acordassem um cronograma que acelera o rumo para uma maior eficiência energética. Isto é histórico, um grande começo para recuperar a posição dos Estados Unidos no mercado mundial automobilístico”, acrescentou.
A proposta de Obama implica que a EPA fixe o padrão para as emissões de gases estufa expelidos pelos veículos. A Administração Nacional de Segurança Rodoviária, do Departamento de Transporte, fixará os novos critérios de distância percorrida por galão de combustível. Em 2016, isso representará para os automóveis uma eficiência de 39 milhas por galão e, para as caminhonetes, 30 milhas por galão.
“O presidente trouxe todas as partes à mesa de negociação e conseguiu um plano para ajudar a indústria do automóvel e os consumidores e para proteger a saúde humana e o meio ambiente”, afirmou a administradora da EPA, Lisa Jackson. “Um problema supostamente impossível de solucionar, definitivamente, foi solucionando apelando-se para alianças sem precedentes. Dessa forma, vai melhorar a saúde dos norte-americanos, serão reduzidas toneladas de emissões contaminantes do ar que respiramos e pagaremos menos durante muito tempo”, acrescentou.
De acordo com a Casa Branca, as normas anunciadas elevarão em US$ 600 o custo de cada veiculo. “Sim, desenvolvê-los custa dinheiro. Mas, mesmo com o preço desses automóveis e caminhões subindo, o custo de dirigi-los diminuirá, pois os motoristas gastarão menos na hora de abastecer”, afirmou Obama. IPS/Envolverde

