ENERGÍA-ÁFRICA DO SUL: País mais renovado para 2013

Cidade do Cabo, 03/06/2009 – A África do Sul estabeleceu como meta que 3% de sua energia provenham de fontes renováveis até 2013. A nova ministra da energia, Elizabeth Dipuo Peters, comprometeu-se a desenvolver e promover uma estratégia por energias renováveis, ao participar há alguns dias de uma conferência internacional nesta cidade. Em seu discurso, lido pelo porta-voz do Departamento de Assuntos de Energia, Bheki Khumalo, a ministra destacou a necessidade de fontes de energia renováveis como ferramentas para que os países industrializados e em desenvolvimento enfrentem a crise do aquecimento global. Peters afirmou que a África do Sul tem um grande potencial para a geração de energia renovável. Estes projetos também devem beneficiar os pobres e garantir o acesso universal, acrescentou.

Cornelis van der Wall, gerente de indústrias de energia da Frost & Sullivan, firma de consultoria e estudos sobre negócios internacionais, disse à IPS que o discurso da ministra enviou um sinal positivo aos investidores privados nas energias renováveis. O setor recebeu um duro golpe no final de 2007, quando o governo excluiu o milho do programa de energias renováveis diante de indícios de que a produção de biocombustíveis contribuía para a insegurança alimentar, impulsionando à alta os preços dos produtos básicos. Alguns agricultores já haviam investido no milho como potencial cultivo de energia renovável.

Recentemente, o Regulador Nacional de Energia da África do Sul (Nersa) publicou uma série de tarifas de incentivo propostas para quatro fontes renováveis de energias. Se forem aceitas, a estatal de eletricidade Eskom compraria energia solar a US$ 0,22 o quilowatt/hora, eólica a US$ 0,17, hídrica em pequena escala a 11 centavos e meio e gás originado em aterros sanitários a US$ 0,11. isto abriria o setor das energias renováveis a produtores privados. A Eskom atualmente vende formas tradicionais de energia, geradas por carvão, a US$ 0,3 por quilowatt/hora.

“O ministério destacou a energia solar como fonte renovável. Este é um recurso que a África do Sul e o resto do continente têm em abundância”, disse à IPS o professor Wikus van Heerden, do Centro de Estudos para Energias Sustentáveis e Renováveis da Universidade de Stellenbosch. A indústria da energia renovável exige um trabalho mais intensivo do que a do carvão, o que significa que se pode empregar mais pessoas. “Entretanto, a tecnologia para a energia solar concentrada é muito cara. Será preciso importar capacidades técnicas e a tecnologia, e isso aumenta o preço”, disse Heerden.

Todas as formas de energia renovável são caras, e a maioria dos países africanos e de outros no Sul em desenvolvimento carece dos recursos necessários e precisam de capital estrangeiro. A África do Sul não é exceção. Um dos primeiros projetos, uma fazenda produtora de energia eólica em Darling, pequeno povoado perto da costa ocidental do país, é um exemplo de uma empresa público-privada. No final de 2008, esta fazenda se converteu na primeira unidade independente na África do Sul conectada à rede nacional. A fazenda é um projeto conjunto entre Departamento Nacional de Energia, Fundo Central de Energia, a organização Produtores Independentes de Energia de Darling e Programa de Assistência ao Desenvolvimento Internacional, do governo da Dinamarca.

A conferência aconteceu durante a Semana Africana do Serviço Público e com o contexto de uma proposta de aumentar as tarifas de eletricidade da Eskom em cerca de 34%. Este reajuste foi bem recebido por analistas na conferência, que consideram insustentável a atual estrutura de preços baixos. Alguns, inclusive, propuseram aumentos de até 90%. Mas o aumento foi criticado por vários setores. O Congresso de Sindicatos Sul-africanos ameaçou com uma greve se o aumento for aceito pelo governo. Os sindicalistas dizem que o aumento forçará o fechamento de muitos negócios, haverá perdas de empregos e mais pressão sobre os consumidores, num momento em que o país atravessa uma recessão pela primeira vez em 17 anos.

“Os trabalhadores têm direito a ir às ruas e protestar pelos aumentos das tarifas. Mas, o aumento de 34% apenas cobrirá os custos operacionais da Eskom”, disse à IPS o diretor regional da firma britânica South Africa of Empower, que opera várias unidades de geração elétrica. “A Eskom também tem de pagar as dividas que fez para construir novas estações”, acrescentou. A empresa precisará de US$ 43 bilhões nos próximos cinco anos para cobrir projetos de expansão. A Eskom foi afetada por uma ampla gama de problemas financeiros, ineficácia de algumas unidades e falta de capacidade de reserva, que atualmente é de 13,5%, quando o ideal é 15%.

Esta carência fez com que no ano passado houvesse cortes de luz que afetaram todos os setores econômicos, causando perdas de milhares de milhões de dólares. Por isto que muitos na indústria e no comércio são favoráveis ao aumento das tarifas. Se o reajuste tem a função de garantir um fornecimento contínuo, é preferível ao efeito paralisante dos cortes de energia elétrica. IPS/Envolverde

Stephanie Nieuwoudt

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