Nações Unidas, 03/06/2009 – As operações de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas continuam se expandindo pelo planeta, mas as mulheres continuam sendo minoria nelas, um problema que deve ser corrigido, admitiram funcionários da ONU.
“As mulheres dão um rosto mais suave às missões da ONU, que não é sobre combater, mas manter a paz”, disse à IPS Carmen Estrella, assistente especial da assessoria militar das Nações Unidas. “Ajudamos as mulheres dessas nações a entenderem e ver que têm uma voz e podem ser parte do processo de manutenção da paz, e isso é o que a ONU tenta promover”, disse. “Estive no exército por 21 anos e sei que as mulheres podem fazer tudo o que os homens fazem”, acrescentou. Em meio a tudo isso, destaca-se o caso do contingente indiano de 125 membros na Libéria, a primeira força da ONU completamente integrada por mulheres, que passou seis meses treinando a polícia desse país africano em 2007.
“Quando se aprofunda no conceito de manutenção da paz e seus desafios adicionais, isto é, reconstruir os elementos básicos para o desenvolvimento de uma sociedade, o papel das mulheres se torna fundamental, particularmente em situações posteriores a um conflito, onde muitos homens morreram”, disse na semana passada a jornalistas Susana Malcorra, subsecretária-geral para apoio de campo, por ocasião do Dia Internacional do Pessoal de Paz da ONU. “A liderança das mulheres pode significar uma grande diferença entre fazer ou romper (esse processo). Portanto, para nós, refletir esse desafio em nosso próprio pessoal é muito importante”, acrescentou.
Na semana passada, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exortou mais países a contribuírem com pessoal feminino nas operações de paz. “Ao incluir mulheres em nossas fileiras, promovemos um ambiente são para que as vítimas recebam a ajuda que precisa. E ao permitir que as vítimas se sintam suficientemente seguras para avançarem e apresentarem acusações estamos lutando contra a cultura de impunidade que prevalece há muito tempo”, disse Ban. Um número recorde de 132 soldados de paz foram assassinados em 2008, 10 deles mulheres.
As maiores contribuições de tropas para as forças da ONU são feitas por um pequeno grupo de países: Paquistão (10.626), Bangladesh (9.220), Índia (8.617), Nigéria (5.792) e Nepal (3.856). A dívida total dos Estados-membros da ONU às operações de paz chegou ao recorde de UIS$ 1,8 bilhão, dos quais os Estados Unidos respondem por US$ 790 milhões, seguido por Japão (266 milhões), Ucrânia (138 milhões), e Grã-Bretanha (104 milhões),que são os cinco principais devedores.
“A secretária-geral e todos nós reconhecemos, naturalmente, que a atual crise financeira global pode ter afetado este problema das contribuições. E creio que todos sabemos que a saúde financeira da organização depende dos Estados-membros, e isso inclui os principais contribuintes”, disse aos jornalistas a subsecretária-geral para Administração, Angela Kane. O orçamento de US$ 8,2 bilhões para as operações de paz no período entre julho deste ano e junho de 2010 representa aumento de 16,8% em relação ao anterior.
A delegada checa Ivana Krahulcová, falando em nome da União Européia, sugeriu sintetizar as missões em regiões próximas para que sejam menos caras e assim superar “as contínuas deficiências”. No dia 30 de abril, a ONU prometeu um total de US$ 919 milhões para os países contribuintes de tropas. O país com o qual mantém a maior dívida é o Paquistão (US$ 120 milhões), seguido de Índia (US$ 104 milhões), Bangladesh (US$ 102 milhões), Egito (US$ 40 milhões) e Jordânia (US$ 33 milhões). A ONU deve US$ 457 milhões a outros 68 países. IPS/Envolverde


