ELEIÇÕES-EUROPA: Avanço inquietante da direita

Bruxelas, 10/06/2009 – A centro-direita se comprometeu a manter sua atual política após reter a maioria do Parlamento Europeu nas urnas no final de semana, apesar do pequeno avanço da extrema-direita. Segundo os últimos dados, o Partido Popular Europeu (PPE, centro-direita) teve mais de 36% dos votos e 263 dos 736 europarlamentares. Em segundo lugar ficou o Partido Socialista Europeus (PSE), com quase 22% e 161 representantes.

A novidade mais destacável foi a grande quantidade de votos para os partidos de pequeno porte, a maioria na extrema-direita, o que causa grande preocupação nos corredores do Parlamento Europeu, com sede em Estrasburgo, Bruxelas e Luxemburgo. Como consequência, os principais grupos dessa casa (PPE, PSE e Aliança dos Democratas e Liberais- Adle) estabelecerão nova plataforma de cooperação para se autopreservarem. E se prevê que acordem táticas para marginalizar a extrema-direita, cuja ideologia coincidem em considerar aberrante.

“Uma das chaves deste novo Parlamento Europeu é que, pela primeira vez, veremos em suas cadeiras estes extremistas, populistas e eurocépticos”, disse o presidente do PPE, Wilfried Martens. “A grande lição para os grupos políticos que construíram a Europa – PPE, liberais e socialistas – é que hoje temos uma nova tarefa imperativa e crítica: preservar a estabilidade política e assumir a responsabilidade. Estes grupos devem nos unir e nos levar a aplicar novas reformas”, disse Martens. Muitos acreditam que esses “extremistas, populistas e eurocépticos” não podem ser facilmente descartados. Alguns se opõem abertamente ao que veem como uma ênfase desnecessária no consenso a todo custo.

Os grupos tradicionais postularam diferenças importantes entre eles na campanha eleitoral, e simplesmente não podem ser desfeitas, alertam. Uma das razões que motivam a unidade das forças tradicionais é a possibilidade certa de que nas próximas semanas se forme um agrupamento no Parlamento Europeu de um novo grupo direitista, o que concentraria mais a atenção sobre os partidos que o integrassem. As eleições apresentaram resultados diferentes para a direita. Os mais extremistas e os baseados em idéias xenófobas não receberam tantos votos com se esperava, apesar de alguns avanços notáveis: o partido húngaro Jobbik (cujos membros usam uniforme ao estilo nazista) obteve três cadeiras, e o finlandês Perussoumalaiset uma. Já o Partido da Liberdade da Áustria e o Partido Nacionalista Britânico, que obteve suas duas primeiras cadeiras, conseguiram grandes avanços.

Em contraste, a votação da extrema direita caiu na Bélgica, Itália e especialmente na França. Vários partidos que se opõem aos extremistas mas são contra os imigrantes também melhoraram sua votação, como o Partido da Liberdade da Holanda, com quatro cadeiras; o Partido do Povo da Dinamarca, com uma; o Grupo Popular Ortodoxo Grego e o eurocéptico Partido pela Independnecia do Reino Unido (Ukip).

O líder do Partido Liberal, Geert Wilders, não foi candidato, mas mantém vínculos estreitos com o Ukip. Os legisladores eleitos pro estes partidos e pelo dinamarquês Partido do Povo disseram que não haverá problemas em trabalharem juntos. Algo que ficou evidente é que desta vez muitos europarlamentares eleitos mantiveram um discurso persistente contra imigração, que não abandonarão no curto prazo. “Depois das primeiras 24 horas das eleições, de comemorações e ansiedade, tudo continuará igual”, disse um colaborador do grupo socialista no Parlamento Europeu. “Os que sempre foram encarregados voltarão a dirigir o automóvel”, acrescentou. Os construtores de consenso no órgão esperam que essa afirmação seja real. IPS/Envolverde

*Análise de Cillian Donnelly

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