METAS DO MILÊNIO: A saúde é a mais difícil de alcançar

Nações Unidas, 18/06/2009 – Dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da Organização das Nações Unidas, os mais difíceis são referentes à saúde: reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna e combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças, segundo estudo divulgado na segunda-feira. “Se agora frustramos nossos esforços para conseguir os objetivos de saúde, colocamos em risco nossas gerações atuais e futuras. Mas, se aceitamos o desafio, podemos colocar o mundo no caminho de uma prosperidade e estabilidade de longo prazo”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Thoraya Ahmed Obaide, diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que está à frente da campanha da ONU pelos objetivos de saúde, disse à IPS: “Aplaudimos a oportuna ênfase deste informe sobre a necessidade de aumentar os investimentos na saúde das mulheres apesar da atual crise econômica”. Inclusive antes da crise, o quinto objetivo, de melhorar a saúde materna, era o mais atrasado, acrescentou. “Assim, precisamos de um avanço maior”, ressaltou Obaid.

A pesquisa, apresentada pela Campanha Mundial em Favor dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Relacionados com a Saúde em representação da Rede de Líderes Mundiais, se concentra na saúde de mães e filhos. O informe destaca maneiras práticas de “reduzir a contínua e desnecessária quantidade de vítimas mortais nos países em desenvolvimento”. O estudo se concentra no Sul pobre e exige ampliar o gasto em serviços de saúde, entre US$ 36 bilhões e US$ 45 bilhões até 2015 acima do gasto atual (e acumulativamente, entre US$ 114 bilhões e US$ 251 bilhões de 2009 até 2015). Entre os “países prioritários” figuram Afeganistão, Bangladesh, Benin, Burkina Faso, Vietnã, Iêmen, Zâmbia e Zimbábue.

Segundo o informe, o aumento do financiamento pode se converter em realidade mediante mecanismos como imposto sobre passagens aéreas, transferências de dinheiro e impostos sobre tabaco, além de doações do setor privado, entre outros. “Espera-se que a reunião do G-8 em julho reduza mais a brecha do financiamento”, diz o documento, em referência à cúpula do Grupo dos Oito países mais poderosos (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) que acontecerá de 8 a 10 de julho em L’Aquila, na Itália. O informe foi apresentado ontem em uma cerimônia organizada pelo chanceler da Noruega, Jonas Gahr Store, cujo país assumiu o papel de liderança na campanha pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio relacionados com a saúde.

A campanha foi lançada em setembro de 2007 em Nova York pelo primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg. A Rede de Líderes Mundiais foi formada a convite de Stoltenberg para dar apoio político ao máximo nível possível. Esses líderes incluem os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva; Michelle Bachelet, do Chile; Armando Guebuza, de Moçambique; Jakaya Kikwete, da Tanzânia, e os primeiros-ministros Jan Peter Balkenende, da Holanda, e Gordon Brown, da Grã-Bretanha.

O chanceler norueguês disse que se conseguiu “avanços importantes” na tentativa de frear e reverter a propagação do HIV/Aids, da malaria e das doenças infantis. Mas “os esforços para reduzir as mortes maternas e de recém-nascidos por meio dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até agora fracassaram de maneira lamentável”, acrescentou. Para obter avanços significativos para o cumprimento destas metas até 2015, “Todos temos de investir mais, trabalhar juntos mais de perto e garantir sistemas que nossos compromissos devem cumprir”, afirmou.

Entre os passos propostos figuram maior mobilização política, financiamento adequado e cumprimento efetivo, operações de ajuda dirigidas e harmonizadas, serviços gratuitos para mulheres e crianças no ponto de uso e eliminação das barreiras de acesso; capacitar e motivar os trabalhadores da saúde, o controle e a avaliação dos resultados de modo a alcançar maior responsabilidade. Thraia Ahmed Obaid disse à IPS que investir na saúde e no bem-estar das mulheres e das meninas é a estratégia correta para gerar crescimento econômico e melhorar a vida das pessoas. “É bom para a saúde pública, salva vidas e é uma economia inteligente”, afirmou.

Segundo Obaid, o UNFPA disse que é imperativo os governos aumentarem seus orçamentos em saúde e sua assistência ao desenvolvimento para a saúde, especialmente sexual e reprodutiva, se a intenção é “promover a recuperação e o crescimento econômicos”. Os sócios concordam quanto a um pacote efetivo de serviços de saúde reprodutiva para salvar as vidas das mulheres, o que inclui planejamento familiar voluntário, assistência qualificada no parto e cuidados obstétricos de emergência. “Dar serviços de planejamento familiar voluntário é uma intervenção que tem resultado e deve ser priorizada. O planejamento familiar pode reduzir entre 25% e 40% a mortalidade materna ter como resultado economias governamentais no longo prazo”, disse Obaid.

Os estudos mostram que cada dólar investido em serviços contraceptivos economizará até quatro dólares no custo da saúde materna e do recém-nascido, e até 31 dólares no gasto social (moradia, saneamento, educação) e outros gastos, acrescentou Obaid. “Para cada US$ 10 milhões adicionais recebidos para planejamento familiar, podemos evitar 114 mil casos de gravidez não desejada, 50 mil nascimentos não planejados, 48 mil abortos, 15 mil perdas de gravidez e mais de três mil mortes infantis”, afirmou Obaid.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, definidos em 2000 pela Assembléia Geral da ONU, inclui reduzir à metade a proporção de pessoas que sofrem pobreza e fome, em relação a 1990; garantir a educação primária universal; promover igualdade de gênero; reduzir em dois terços a mortalidade infantil e em três quartos a materna, e combater Aids, malária e outras doenças. Também inclui assegurar a sustentabilidade ambiental e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento, tudo isto até 2015. Mas, sua implementação foi prejudicada pela escassez de fundos, redução na ajuda ao desenvolvimento e, mais recentemente, pela crise econômica mundial. IPS/Envolverde

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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