SAN JOSÉ, 11/08/2009 – (Tierramérica).-O turismo na Costa Rica incorpora a variante rural comunitária como o quarto pilar de um setor baseado em praias, ecoturismo e aventura.

Chirripó, o monte mais alto da Costa Rica, na cordilheira de Talamanca - Muito mais do que um passeio pelo campo
“Incentivamos a aproximação estreita entre o visitante e a comunidade’, e há certo grau de aventura natural, a vivida diariamente pelos camponeses ou indígenas que prestam estes serviços, explicou ao Terramérica Mario Ordóñez, gerente de Mercado da Simbiosis Tours, agência de viagens especializada. “Os turistas cruzam as mesmas pontes penduradas que a comunidade cruza, ou fazem cavalgadas que realizam em seu trabalho. Não há nada preparado”, explicou. A diferença do ecoturismo é que este “desvincula a parte cultural da atividade”, acrescentou.
Segundo os conhecedores, é uma forma “avançada” de ecoturismo “porque é dada ênfase muito especial à posse da terra por parte dos moradores locais e que esta possa ser aproveitada com um valor agregado”, disse ao Terramérica Kyra Cruz, a presidente da Câmara Nacional de Turismo Rural Comunitário. Uma comunidade da etnia bribrí, na região indígena de Talamanca, foi a pioneira neste tipo de turismo. A região fica no sul da província de Limón, e inclui desde as praias do Caribe até a zona central do sul do país. Na Alta Talamanca vive a etnia bribrí, de aproximadamente dez mil pessoas.
Em 1987, após a crise do cultivo de cacau e da escassa rentabilidade da banana, “nos organizamos para ver se melhorávamos a produção bananeira, colocamos telefone e iniciativa turística”, contou ao Terramérica o gerente da organização Aventuras Naturais Yorkín, Guillermo Torres. Segundo Torres, 18 famílias vivem dessa aventura atualmente. Contam com um albergue para 25 pessoas e estão construindo uma pousada de oito quartos. Também oferecem um percurso em canoa para levar bambu pelo Rio Yorkín e atividades ligadas ao artesanato, cacau e tiro com arco. Graças a esta iniciativa, a língua bribrí está se recuperando, “porque ensinamos nossos termos aos visitantes”, disse Torres. A ênfase na cultura de cada comunidade é um dos grandes atrativos para quem decide contratar este tipo de serviço.
A nova lei busca regular um setor em crescimento, caracterizado por sua pequena escala. “Até agora, para se beneficiar da lei de incentivos turísticos, era preciso ter dez quartos, e 98% não chegava a isso”, disse Cruz. A lei baixa para três o número de quartos para poder ter acesso à ajuda, que inclui eliminação de impostos, facilitação nos trâmites por parte dos municípios e promoção da “importância deste modelo de turismo sustentável”, destacou. “A lei será muito importante se conseguirmos que os regulamentos sejam efetivos e não excessivamente burocráticos”, ressaltou.
Para Marcy Arrieta, incentivadora da atividade no não-governamental Instituto Costarriquenho de Turismo, com esta legislação “é reconhecido o esforço feito no país durante 18 anos”, bem como a qualidade do serviço, com uma plataforma social e econômica “muito apta para se desenvolver” e é criado um destino comunitário em mãos de suas próprias organizações. A atividade “se converteu em um modelo, transcendendo nossas fronteiras”, disse Arrieta ao Terramérica. Foi exportada com êxito a outros países centro-americanos, bem como para Colômbia, Peru e Chile, acrescentou.
O presidente da Câmara Nacional de Turismo, Gonzalo Vargas, descreveu os benefícios do turismo rural comunitário: “o capital investido é quase em sua totalidade costarriquenho e, melhor ainda, de famílias de poucos recursos”, o que dá “tranqüilidade” de se estar consumindo um produto que melhora a qualidade de vida das pessoas que vivem aqui. Além disso, “uma altíssima” porcentagem de cada colón (moeda nacional) investida na compra destes serviços fica dentro da própria família ou comunidade, com “alto impacto na renda” desses grupos, afirmou.
Dos 43 mil quartos hoteleiros que o país oferece, os correspondentes ao turismo rural comunitário são cerca de mil, disse Vargas. A média é de quatro ou cinco quartos com dez a 12 camas, principalmente em pousadas.
* O autor é correspondente da IPS.

