DESARMAMENTO-IRÃ: Capacidade nuclear ainda distante

Washington, 10/08/2009 – É improvável que o Irã chegue a produzir suficiente urânio altamente enriquecido antes de 2013 para, eventualmente, fabricar armas nucleares, segundo um informe de inteligência dos Estados Unidos A avaliação, que contradiz outras informações a respeito divulgadas recentemente pela mídia, foi elaborada pelo Escritório de Inteligência e Investigação (UNR) do Departamento de Estado na quinta-feira. O diretor nacional de Inteligência, Dennis Blair, a havia apresentado como testemunho escrito perante um comitê do Senado em fevereiro.

A divulgação chega em um momento particularmente sensível para Washington, que debate a melhor forma de agir diante do Irã após a polêmica eleição realizada por esse país em junho e a repressão do governo de Mahmoud Ahamadinejad contra opositores. Analistas especializados no Irã pediram ao governo de Barack Obama que espere o desenvolvimento dos acontecimentos nesse país para iniciar sua planejada estratégia de aproximação e que evite qualquer medida de confronto, com a adoção de sanções.

Mas os “falcões” (ala mais belicista) nos governos dos Estados Unidos e de Israel afirmam que não há tempo a perder e pedem sanções contra as importações iranianas de petróleo refinado se a política de aproximação diplomática de Obama não der frutos até o final de setembro. Também há um alto grau de especulação sobre a possibilidade de Israel lançar uma ofensiva unilateral contra as instalações nucleares iranianas se não se satisfizer com o progresso das negociações. Mas, líderes israelenses descartam essas possibilidade.

A estimativa do Departamento de Estado, que chega depois de outros estudos também indicando que o Irã vai demorar alguns anos para poder alcançar capacidade nuclear, poderia servir para aliviar a tensão que caracteriza as discussões sobre o assunto em Washington e Telavive, e para fortalecer a posição dos que pedem paciência. O testemunho de Blair no Senado foi feito em resposta a um pedido com base na Lei de Liberdade de Informação apresentado por Steven Aftergood, da Federação de Cientistas Norte-americanos, e divulgado quinta-feira no site da entidade. O estudo destaca que não toma posição quanto ao Irã precisar enriquecer urânio para construir uma arma, mas simplesmente avalia qual a sua capacidade para eventualmente fazê-lo.

O Irã nega que pretenda fabricar armas atômicas, e insiste em que seu programa nuclear tem fins puramente civis. O testemunho de Blair no Senado indicou que, embora Teerã tenha feito “progressos significativos desde 2007 para instalar e operar centrífugas, a INR continua concluindo como improvável que esse país tenha capacidade técnica para produzir urânio altamente enriquecido antes de 2013”. Além disso, disse que o governo iraniano “provavelmente usará instalações encobertas militares em lugar de locais nucleares declarados para produzir urânio altamente enriquecido”. Segundo Blair, a ampla comunidade de inteligência “não tem evidência de que o Irã já tomou a decisão de produzir urânio altamente enriquecido”.

O estudo da INR vai ao encontro de outras estimativas recentes, sugerindo que o Irã ainda está longe de poder fabricar uma arma atômica. Meir Dagan, chefe da agência de inteligência israelense Mossad, disse em junho que o Irã seria capaz de fabricar uma bomba nuclear em 2014. Mas, informes alarmistas circularam na imprensa alimentando a posição dos falcões, que pedem uma ação imediata. Na segunda-feira passada, o jornal Times, de Londres, informou que Teerã havia “aperfeiçoado a tecnologia para criar e detonar uma ogiva nuclear, e simplesmente esperava pela palavra de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, para fabricar sua primeira bomba”. Citando “fontes de inteligência ocidentais”, o Times disse que o Irã “poderia construir uma bomba em um ano com uma ordem” de Kahmenei.

Na terça-feira, o ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas John Bolton, apareceu na rede de televisão Fox citando o informe do Times e cobrando pressão sobre Israel para que realize ataques preventivos contra instalações atômicas iranianas.

(IPS/Envolverde)

Daniel Luban

Daniel Luban is a doctoral student in political science at the University of Chicago and a former IPS correspondent in the Washington, D.C. bureau. He continues to write for Lobelog.com.

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