DESARMAMENTO-IRÃ: Energia atômica sim, mas sem bombas

Washington, 25/09/2009 – A maioria dos iranianos está a favor de que seu governo continue com o plano de desenvolvimento nuclear, mas, também está dispostos a que assuma compromissos com a comunidade internacional e permita o acesso de inspetores para que estes constatem que não fabrica armas de destruição em massa. Por outro lado, os “falcões” (ala mais belicista) dos Estados Unidos continuam pressionando o governo de Barack Obama para que adote severas sanções unilaterais e não descarte uma ação militar com o objetivo de por fim ao plano atômico iraniano.

Os resultados da pesquisa chegam em um momento em que aumenta a incerteza sobre a possibilidade de Israel utilizar a força militar contra Teerã. Obama é pressionado por alguns membros do opositor Partido Republicano que abertamente discutem opções militares unilaterais para destruição de objetivos iranianos caso as sanções e a diplomacia não tenham êxito.

A pesquisa, divulgada pela rede de centros de estudo WorldPublicOpinion.org. (WPO), conclui que 31% dos iranianos estão a favor de um acordo para pôr fim ao plano de enriquecimento de urânio; 34% insistiram que o Irã deve continuar com suas atividades, mas aceitariam a entrada de inspetores para garantir que não se fabrique armas atômicas e dessa forma driblar as sanções, e 22% se opuseram às duas soluções.

Seis em cada 10 iranianos acreditam que as sanções econômicas atuais têm um impacto negativo, e sete em 10 pensam que estas serão endurecidas se Teerã continuar com seu plano atômico. “Embora a maioria dos iranianos sinta o peso das sanções econômicas e esperem que sejam aliviadas, apenas um terço está disposto a negociar o direito de enriquecer urânio”, disse o diretor da WPO, Steve Kull. “Entretanto, dois terços estão abertos a um acordo que exclua a fabricação de armas atômicas”, acrescentou.

Enquanto o público iraniano – segundo a pesquisa – parece disposto a negociar o fim do plano atômico, membros da Câmara de Representantes dos Estados Unidos pressionam por medidas mais severas, apesar das advertências de que estes tipos de ações unilaterais por parte de Washington possam prejudicar as tentativas da Casa Branca de envolver China e Rússia em sanções multilaterais.

“O Congresso não está dando ao presidente a oportunidade de realizar sua diplomacia. Por outro lado, pressiona a Casa Branca por projetos de lei com sanções”, disse à IPS o presidente do Conselho nacional Norte-americano-Iraniano, Trita Parsi. “Não creio que o governo Obama possa permitir a aprovação das sanções enquanto por sua vez segue o caminho diplomático. Uma vez que empreenda o caminho das sanções, deixará o da diplomacia”, afirmou.

Além disso, as sanções unilaterais seriam dirigidas também a empresas da Europa que fazem negócios com o Irã, o que pode criar atritos com os aliados europeus dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. As sanções pretendidas pelo presidente do Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes, Howard L. Berman, castigariam as companhias que tenham investido mais de US$ 20 milhões no setor petroleiro iraniano. O projeto de lei de Berman pode ser acompanhado de outro similar patrocinado pelo legislador Steny H. Hoyer, do governante Partido Democrata.

Estas propostas têm potencial para tirar dos trilhos as conversações-chave entre Irã, Estados Unidos e os outros quatro membros do Conselho de Segurança (China, França, Rússia e Grã-Bretanha) além da Alemanha – grupo conhecido como P5+1 – que estão previstas para começar em 1º de outubro. Enquanto Teerã propõe uma agenda ampla, Washington, com apoio do grupo UE3 (Alemanha, França e Grã-Bretanha), deixou claro que sua principal prioridade é deter o programa nuclear iraniano.

Washington ameaçou com sanções econômicas “sufocantes” e de outro tipo se as conversações não tiverem progressos tangíveis até o começo do próximo ano. Os falcões dos Estados Unidos sugerem que as próximas negociações serão a prova final da vontade iraniana de acabar com seu programa de desenvolvimento nuclear, e que um fracasso poria fim a toda tentativa de aproximação diplomática com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Entretanto, alguns especialistas no Irã, persuadidos de que o regime em Teerã enfraqueceu em nível interno após as últimas eleições (depois das quais houve atos de violência em meio a denúncias de fraude), afirmam que Ahmadinejad estaria disposto a assumir compromissos para melhorar sua imagem.

Na semana passada foi apresentado o informe “Enfrentando o desafio: o tempo acaba”, do Bipartisan Policy Centre, no qual é sugerido que a estratégia diplomática de Obama em relação ao Irã está perdendo sua oportunidade e propõe colocar novamente sobre a mesa uma “verossímil e explicita ameaça sobre possível uso da força”, conforme explicou o senador independente Joseph Lieberman. Os autores do informe, inclusive, chegaram a sugerir que, se os Estados Unidos não agir, Israel poderia lançar um ataque unilateral. IPS/Envolverde

Eli Clifton

Eli Clifton is a national security reporter for ThinkProgress.org. Eli holds a bachelor's degree from Bates College and a master's degree in international political economy from the London School of Economics. He previously reported on U.S. foreign policy for IPS, where he served as deputy Washington, D.C. bureau chief. His work has appeared on PBS/Frontline's Tehran Bureau, the South China Morning Post, Right Web, Asia Times, LobeLog.com, and ForeignPolicy.com. Website: http://thinkprogress.org/author/eclifton Blog: http://thinkprogress.org/security/issue/

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