DESENVOLVIMENTO: China e Índia lideram cooperação Sul-Sul

Nações Unidas, 26/11/2009 – China e Índia forjaram vigorosos vínculos econômicos e financeiros com o Norte industrializado e desempenharam papeis-chave no fortalecimento da cooperação Sul-Sul nos últimos 10 anos. As duas potências econômicas asiáticas estão “em uma categoria própria graças ao alcance e à diversidade de suas agendas de cooperação Sul-Sul”, diz um novo estudo da Organização das Nações Unidas. Os dois países, destaca o informe, “têm em andamento iniciativas de assistência técnica a outras nações em desenvolvimento que cobrem quase todas as áreas de interesse e, na última década, incrementaram essa ajuda com apoio financeiro”. Outros atores-chave na cooperação Sul-Sul são Brasil, Indonésia, Malásia, Nigéria, África do Sul e Venezuela, entre outros.

A Índia destinou US$ 2 bilhões ao seu programa de assistência técnica: cerca de 40% em educação e capacitação, outros 40% em projetos e serviços de assessoria e 20% em viagens de estudo, intercâmbio cultural e ajuda em casos de desastres. O informe de 26 páginas, que tenta descrever a cooperação entre as nações do Sul nos últimos 30 anos, destaca que a China concedeu milhares de milhões de dólares em empréstimos a países africanos para o desenvolvimento e para que pudessem levar aos seus mercados uma ampla gama de produtos agrícolas e minerais.

O trabalho, que será apresentado na conferência internacional sobre cooperação Sul-Sul que acontecerá em Nairóbi entre 1º e 3 de dezembro, diz que “este século assistiu a ascensão de nações em desenvolvimento a posições de maior influência no cenário mundial”. Um plano de ação a ser adotado na conferência da capital queniana na próxima semana afirma que essa cooperação “precisa de financiamento adicional e inovador dos fundos e programas da ONU e de outras organizações multilaterais”. O plano exorta os organismos dentro das Nações Unidas a “destinarem recursos adicionais para apoiar esta forma de cooperação”, e também a desenhar e utilizar mecanismos financeiros inovadores para apoiar a cooperação Sul-Sul.

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, anunciou que seu país vai duplicar os empréstimos de juros baixos destinados à África para US$ 10 bilhões nos próximos três anos. Em 2000, o governo chinês reduziu ou perdoou dívidas no valor de US$ 1 bilhão assumidas por países menos adiantados (PMA), considerados os mais pobres do mundo. No final do primeiro trimestre deste ano, a China havia aliviado 150 dívidas de 32 países. Em 2008, o comércio total entre China e África superou os US$ 106 bilhões, aumento de 45% em relação ao ano anterior. E as importações africanas da China somaram US$ 56 bilhões, aumento de 54% em relação a 2007.

Ao falar em uma reunião no mês passado na sede da ONU sobre a implementação da Nova Sociedade para o Desenvolvimento da África (Nepad), o embaixador chinês, Liu Zhenmin, disse: “No futuro, a China dará mais ajuda e apoio aos países africanos em áreas como agricultura, educação, saúde, cuidados médicos e energia limpa. Também continuaremos apoiando as nações africanas na prevenção e solução de conflitos e nas iniciativas de construção de paz”.

Por sua vez, o ministro para Assuntos Exteriores da Índia, Shashi Tharoor, disse à IPS que seu país concede alta prioridade à cooperação Sul-Sul e assumirá um papel ativo na próxima reunião de Nairóbi. “Embora não projetemos a conferência como uma solução para a crise financeira mundial, cremos que a cooperação Sul-Sul fornecerá ajuda adicional aos países em desenvolvimento afetados”, afirmou. Tharoor destacou que a Índia estendeu mais de US$ 3 bilhões as linhas em linhas de crédito para nações do continente africano. Durante a Cúpula do Fórum Índia-África, Nova Déli também decidiu fortalecer as linhas de crédito destinadas aos países africanos para US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos.

Em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas no mês passado, o chanceler indiano disse que seu país está ativamente envolvido na Nepad desde seu início. A primeira Cúpula do Fórum Índia-África, realizada em Nova Déli em abril do ano passado, foi um marco importante na aproximação diplomática indiana com o continente africano. A Declaração de Nova Déli e o Marco para a Cooperação África-Índia foram adotados durante essa cúpula. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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