Nova York, 26/11/2009 – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, por ocasião do Dia pela Eliminação da Violência contra a Mulher, celebrado nesta quinta-feira (25/11), apresentou oficialmente um grupo de alto nível denominado Rede de Líderes Homens, que trabalhará em temas de gênero. “Estes homens somarão suas vozes ao crescente coro mundial que clama por uma ação”, disse Ban. A Rede de Líderes Homens é formada por políticos em atividade ou que já cumpriram seus mandatos, ativistas, religiosos e figuras comunitárias que apoiarão os esforços das mulheres ao redor do mundo para desafiar estereótipos destrutivos, garantir a igualdade e inspirar outros no combate à violência de gênero.
Setenta por cento das mulheres no mundo sofrem algum tipo de violência física ou sexual por parte dos homens, principalmente maridos, companheiros ou familiares, disse na terça-feira Ban Ki-moon. Portanto, “os homens têm um papel crucial a desempenhar para acabar com esta violência, como país, amigos, pessoas que tomam decisões e líderes comunitários e de opinião”, acrescentou.
A Rede de Líderes Homens é uma iniciativa da campanha Unidos para Acabar com a Violência contra as Mulheres, lançada pela Secretaria Geral da ONU no ano passado. A campanha reúne diversas agências e escritórios das Nações Unidas nesta causa mundial. “A violência contra as mulheres e adolescentes continua sendo o tema de gênero menos reconhecido e admitido pelos países árabes e por seus líderes políticos”, disse no lançamento a coordenadora de programas da organização não-governamental libanesa Kata, Ghida Anani.
Este grupo trabalha nas causas e consequências da violência e exploração contra mulheres, meninas e meninos. “Cremos que os homens são parte do problema, mas também a solução”, disse Anani. A ativista combateu a violência contra mulheres, meninas e meninos por oito anos no Oriente Médio, onde muitas vitimas sofrem em silêncio uma opressão que, no geral, é legal. “Exortar homens e jovens a se comprometerem para acabar com essa violência é crucial e é uma conta pendente há muito tempo”, disse, por sua vez, a princesa Bajrakitiyabha Mahidol, da Tailândia, que participou da conferência. Mahidol é embaixadora da boa vontade do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e participou da campanha “Diga não à violência contra as mulheres”, que esta agência organizou na Tailândia no ano passado. “Creio firmemente que a prevenção pode ser tão efetiva como a cura, quando não maior”, afirmou Mahidol. Entre os membros da Rede de Líderes Homens destacam-se o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero; o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz; o escritor brasileiro Paulo Coelho, e o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos (2000-2006). Ban também disse que serão dados recursos para projetos este ano através do Fundo da ONU em Apoio às Ações para Eliminar a Violência contra as Mulheres, e administrados pelo Unifem, no total de US$ 10,5 milhões para 13 iniciativas em 18 países e territórios.
Até 2015, a campanha das Nações Unidas buscará alcançar determinadas metas em todo o mundo: adoção e aplicação de leis nacionais para punir todas as formas de violência contra as mulheres, fortalecer a coleta de dados sobre a prevalência do problema, aumentar a consciência pública e a mobilização social, e atender o problema da violência sexual em situações de conflito.
“Devemos agir juntos, temos de construir sobre os esforços de tantas mulheres e organizações femininas que trabalham incansavelmente para atender esta epidemia. Temos de continuar ampliando o circulo de participação”, afirmou Ban. Os integrantes da Rede de Líderes Homens trabalharão para criar consciência pública, promoverão leis adequadas e terão contatos com homens jovens e meninos. “Rompa o silencio. Quando testemunhar violência contra mulheres e meninas, não recue. Aja, defendendo-as, uma-se para mudar as práticas e atitudes que incitam ou perpetuam esta violência”, destacou o secretário-geral da ONU. (IPS/Envolverde)

