COPENHAGA, 14/12/2009 – O Secretário Executivo da UNFCCC, Yvo de Boer, disse às nações industrializadas na véspera do maior encontro sobre alterações climáticas que o mundo jamais viu que levem a sério as preocupações do Sul e tragam uma considerável quantia de dinheiro e promessas de redução de emissões para a mesa de negociações. Com mais de 15.000 pessoas de 192 países a chegarem a Copenhaga para discutirem um acordo climático ao abrigo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC), de Boer e os colegas procuram um equilíbrio entre a moderação das expectativas existentes e a não rejeição da possibilidade de um acordo histórico integral.
“Aconselharia o seguinte: mantenham-no simples,” disse De Boer no domingo aos jornalistas presentes no Centro Bella, que foi encerrado devido à ameaça de bombas. “O que precisamos depois desta conferência é acção imediata no terreno. Para que isso aconteça, os países ricos têm de apresentar as suas metas em termos de reduções de emissões e ainda compromissos financeiros significativos. Os países em desenvolvimento têm de ser claros a respeito do que irá acontecer com as emissões das suas economias emergentes.
“É isso que vou pedir ao Pai Natal.”
Em circunstância alguma pode haver um acordo que contemple a substituição do actual apoio Norte-Sul por financiamento destinado às mudanças climáticas, disse De Boer. “Não pode haver novas condições ou nova classificação da Ajuda Pública ao Desenvolvimento agora existente ou dinheiro para se atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).”
O financiamento destinado à mitigação, adaptação e transferência de tecnologia necessita de ser “real, significativo, imediato e adicional,” sublinhou.
Questionado sobre o efeito que uma nova proposta dinamarquesa – que procura eliminar as diferenças entre o norte e o sul ao nível da redução de emissões – irá ter na COP, John Ashe, presidente do Grupo de Trabalho Ad Hoc do Protocolo de Quioto (AWG-KP), sustenta que a conferência se vai concentrar na discussão da segunda fase do protocolo de Quioto, cujo início está previsto para depois de 2012. Mas os países industrializados estão ansiosos por substituir completamente o protocolo de Quioto por um novo acordo.
O Presidente do G77, Lumumba Di-Aping, disse à Terra Viva que os países em desenvolvimento não vão aceitar esta posição. “Neste momento ainda não decidimos abandonar a reunião mas, se não gostarmos daquilo que ouvirmos, isso tornar-se-á uma verdadeira possibilidade.”
De Boer instou o Presidente americano, Barack Obama, a vir a Copenhaga com “um valor monetário expressivo.” Os Estados Unidos parecem inclinados a reduzir as suas emissões entre 17 e 20 por cento por referência aos níveis de 2005, que os críticos dizem não ser suficiente.
“Chegou a altura de ultrapassarmos as barreiras entre o norte e o sul, os países ricos e os pobres, e os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento,” disse o Director da Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, cuja organização exige uma redução das emissões da ordem dos 40 por cento. “Se vencermos este desafio da forma correcta, podemos transmitir uma vida pacífica, sustentável e próspera aos nossos filhos e netos; caso contrário, afundar-nos-emos todos juntos.”

