SAÚDE-ÁFRICA: Planejamento familiar por telefone celular

Kampala, 04/12/2009 – O aumento do uso de telefones celulares, especialmente nos países do Sul em desenvolvimento, oferece aos profissionais da saúde um novo canal de comunicação que lhes permite dar informação sobre planejamento familiar, entre muitos outros serviços. “A quantidade de usuários de telefone móvel aumenta drasticamente. Estima-se que em 2006 havia cerca de 2,5 bilhões de pessoas com celulares dos 6,6 bilhões de habitantes no mundo”, disse David Cantor, gerente técnico da ICF Marco, empresa de pesquisa com sede nos Estados Unidos. “Estima-se que essa quantidade aumentará para 3,3 bilhões. O maior crescimento será na Ásia, África e no Oriente Médio”, acrescentou.

Há um interesse crescente na área da saúde para capitalizar o rápido desenvolvimento da telefonia móvel, disse Cantor, que participou da Conferência Internacional sobre Planejamento Familiar, realizada na capital de Uganda no mês passado. O projeto Mobile4Good (móvel para o bem) no Quênia, da organização humanitária One World, utiliza a tecnologia para comunicar aos usuários as possibilidades de tratamentos e exames clínicos gratuitos e fornece um serviço de consultas para que as pessoas façam perguntas sobre questões sensíveis relacionadas com a saúde. Em Botswana e na África do Sul recorre-se a esse meio para lembrar as pessoas que devem tomar seus remédios em intervalos regulares.

A organização Population Services International (PSI), com sede em Washington, também emprega a tecnologia celular para um projeto de planejamento familiar na República Democrática do Congo. A iniciativa consiste em uma linha telefônica gratuita para consultas relacionadas com a temática, explicou Jamaica Corker, dessa organização dedicada a melhorar a saúde das pessoas mais pobres nos países em desenvolvimento, especialmente em matéria de malária, HIV/aids, reprodução e redução da mortalidade infantil. A linha gratuita funciona desde 2005 com educadores capacitados que respondem às dúvidas das pessoas sobre planejamento familiar ou as encaminham à clínica ou à farmácia mais próxima de onde está o usuário.

“O projeto inicialmente pretendia chegar a mais mulheres, mas aprendemos que a tecnologia celular também é uma forma efetiva de divulgar a questão do planejamento familiar entre os homens”, disse Corker. “Eles são os principais usuários da telefonia móvel. Muitos ligam em lugar de suas mulheres ou noivas e aproveitamos para também lhes transmitir informação”, acrescentou. O fato de os homens usarem a linha gratuita do PSI pode ser um indicio de seu crescente interesse pelo planejamento familiar, talvez devido à privacidade que essa forma de comunicação permite.

O setor da telefonia móvel terá um desenvolvimento mais rápido, com a contínua queda dos custos, disse Cantor. Os celulares permitem fazer um acompanhamento dos pacientes, além de oferecer informações sobre planejamento familiar. Também são usados para coletar dados sobre a saúde da população, para se comunicar com pesquisadores, profissionais do setor e pacientes. (IPS/Envolverde)

Susan Anyangu

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