DESTAQUES: Sociedade civil volta seu olhar para o México

COPENHAGUE, 22/12/2009 – (Tierramérica).- Mais além do resultado da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15), organizações sociais latino-americanas discutiram suas estratégias com vistas à próxima cúpula climática, que acontecerá em 2010 no México.

Ativistas latino-americanos reunidos no Klimaforum - Daniela Estrada/IPS

Ativistas latino-americanos reunidos no Klimaforum - Daniela Estrada/IPS

“O primeiro desafio é aprofundar, expandir, ampliar, fortalecer nossa capacidade e nossas articulações na região. Neste momento há diferentes movimentos, diferentes redes, e nosso desafio é articular esses esforços”, disse ao TerraViva Beverly Keene, coordenadora internacional do Jubileu Sul.

O Jubileu Sul é uma rede de movimentos sociais e organizações populares da América Latina e do Caribe, África e Ásia, nascida há dez anos para lutar “contra a dominação da dívida financeira” nos países em desenvolvimento.

Keene falou em uma das sessões do Klimaforum, o encontro da sociedade civil paralelo à COP-15, na qual se discutiu o caminho a seguir para a COP-16, em dezembro de 2010 na capital mexicana. “Sinceramente, não esperava nada (da COP-15). Fomos bem claros em dizer que é melhor nenhum acordo do que um que somente reforce as falsas soluções contra as quais já vínhamos lutando”, disse ao TerraViva em outra sessão do Klimaforum a brasileira Camila Moreno, integrante da rede Amigos da Terra Internacional.

Muitos ativistas coincidem ao dizer que no último ano o movimento internacional pela justiça climática se fortaleceu. Um de seus principais êxitos foi a primeira audiência do Tribunal Internacional de Justiça Climática, realizada em outubro em Cochabamba, na Bolívia, do qual participaram organizações não governamentais de todo o mundo. “O convite é caminhar rumo ao México 2010. Desta vez a COP estará em nossa casa (América Latina) e devemos começar a mobilização”, disse Lyda Fernanda Forero, do secretariado da Aliança Social Continental, que reúne mais de 60 redes da América, incluindo Canadá e Estados Unidos.

Para Nicola Bullard, da Climate Justice Now (CJN), uma rede de organizações e movimentos mundiais, chegou a hora de vincular com mais força as lutas da sociedade civil, contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) e outras instituições multilaterais, e a mudança climática. “A destruição do meio ambiente está unida à desigualdade social”, afirmou na mesma sessão da qual participou Keene.

É preciso transformar a mudança climática em um problema político, que questione o modelo de desenvolvimento capitalista, e não deixar que os governos e as corporações multinacionais preparem o caminho para um “capitalismo verde”, baixo em emissões de gases-estufa, mas com a mesma arquitetura financeira, afirmam os ativistas.

Amparo Miciano, da Marcha Mundial das Mulheres, destacou o fato de que, durante as duas semanas da COP-15 e do Klimaforum, pessoas do Norte industrializado e do Sul tenham se unido para enfrentar a crise climática. “Vi a sociedade civil bastante mobilizada. Venho de Porto Alegre, onde nasceu o Fórum Social Mundial (FSM), e o que ocorreu aqui me lembra muito o primeiro FSM realizado lá. É como um grande evento de educação pública”, disse Moreno. “Há um antes e um depois de Copenhague”, afirmou. Segundo Bullard, da CJN, a opinião pública mundial está majoritariamente a favor da concepção de “Justiça Climática”, e é preciso aproveitar esse apoio.

O brasileiro Diego Azzi, responsável pelo projeto de integração regional da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas, disse que os sindicalistas latino-americanos terão maior presença no México. “Trabalhamos para abrir as mentes dos sindicalistas da região sobre estes temas ambientais, por meio do que chamamos de autorreforma sindical, que tem a ver com a visão dos sindicalistas sobre o modelo de desenvolvimento, produtivo e de consumo”, afirmou ao TerraViva.

Nos próximos dias, as organizações reunidas em Copenhague definirão um calendário de ações para 2010, mas já estão claras algumas prioridades: trabalho de base, sensibilização pública e pressão sobre os governantes. Uma das propostas mais concretas até agora é multiplicar sessões, audiências e tribunais de justiça climática para apresentar no México os casos abordados nessas instâncias.

* A autora é correspondente da IPS.

Daniela Estrada

Daniela Estrada joined IPS in 2004 and has been the Santiago correspondent since July 2006. Also in 2006, her story titled "Pascua-Lama sí, pero no tocar glaciares" was singled out among 24 others from all over the world to receive the Project Censored Award from Sonoma State University in California. Born in Santiago in 1981, Daniela Estrada has a degree in journalism from the Universidad de Chile and has worked for several media outlets in the field of technology.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *